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Drops » The book thief

coded by ctellier | tags: , , | Posted On sexta-feira, 17 de janeiro de 2014 at 23:47

meteorologia: chuvas de verão
pecado da gula: pizza
teor alcoolico: 1 murphy's red
audio: cup song in gaelic
video: corrida no ar

The book thief (2013) - A menina que roubava livros
roteiro: Michael Petroni
direção: Brian Percival
★ ★ ★ ★ ★

Sinopse:
Baseado no livro best-seller, A Menina Que Roubava Livros conta a história de Liesel, uma garotinha extraordinária e corajosa, que foi viver com uma família adotiva durante a Segunda Guerra, na Alemanha. Ela aprende a ler, encorajada por sua nova família, e Max, um refugiado judeu, que elas escondem embaixo da escada. Para Liesel e Max, o poder das palavras e da imaginação se tornam a única escapatória do caos que está acontecendo em volta deles. A Menina Que Roubava Livros é uma história sobre a capacidade de sobrevivência e resistência do espírito humano.

Mais uma adaptação de livro que decepcionou. O filme é mediano - a nota correta seria 2,5 - e a experiência de assisti-lo foi a pior que tive nos últimos anos. Acostumei-me ao sossego das cabines de imprensa, com 30 a 40 pessoas dispersas numa sala de 300 lugares, e já há algum tempo não enfrentava um cinema lotado - superlotado para ser mais exata.

Devo agradecer à Editora Intrínseca que concedeu aos blogs parceiros a oportunidade de ir assistir à pré-estreia. E a parte boa da história termina aqui. Retirei o convite com a equipe da editora por volta das 20:00. A sessão seria às 21:00 e os ingressos deveriam ser retirados na bilheteria a partir das 20:30, o que não ocorreu. Houve uma mudança da programação ou o cinema informou incorretamente como seria feito. Bom, havia uma fila gigante, que saía da entrada do Cinemark, descia a escadaria que fica em frente até o piso térreo do Market Place.

Detalhe: já que não havia ingressos, obviamente não havia lugares marcados. Depois de enfrentar a muvuca na fila e a falta de educação - infelizmente corriqueira - no local onde era distribuída a pipoca e o refrigerante de cortesia, consegui entrar na sala e encontrar um lugar razoavelmente bem posicionado. Mas minha satisfação durou pouco. À minha direita, duas senhoras que passaram quase todo o filme soltando exclamações de surpresa ou consternação e que, no final, começaram a soluçar e chorar ruidosamente. À minha esquerda, um casal que passou o filme todo tecendo comentários. Todo mundo deve conhecer pessoas assim, que assistem e vão comentando o que se passa no filme - "olha! fulano fez isso", "nossa! sicrano fez aquilo". Tive de conter a vontade de perguntar se algum deles era cego e necessitava que o outro lhe descrevesse o que se passava na tela. Para completar, o indivíduo sentado à minha frente, parecia estar com formigas dentro da cueca, já que não parava de se mexer na poltrona, obstruindo minha visão das legendas.

Como se já não bastasse isso, o filme não foi excepcionalmente bom a ponto de conseguir compensar todo esse desconforto. O livro é muito, muito bom. É um daqueles que dá vontade de reler. Seu grande trunfo é ser narrado pela própria morte, o que confere à trama um ponto de vista único, incomum. Além do narrador, o mais interessante do livro é o contraponto entre o encantamento de Liesel pela leitura e suas experiências com a morte. Há nele um quê de Fahrenheit 451 e de Precious, ao focar no poder transformador, libertador, redentor da leitura e da escrita. Devido a um roteiro que se preocupou apenas em pinçar os eventos - mas não as reflexões - que ocorrem no livro, esse enfoque se perdeu totalmente. E o filme se tornou apenas mais um (melo)drama de guerra. Uma pena.



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Drops » Whitechapel

coded by ctellier | tags: , , , | Posted On terça-feira, 4 de junho de 2013 at 13:42

meteorologia: ensolarado, mas frio :-(
pecado da gula: queijo quente, com muuuuito queijo
teor alcoolico: nada ainda
audio: queen
video: friends

Whitechapel (2010)
★ ★ ★ ★ ★

Série britânica com apenas três episódios por temporada. Seguindo a máxima "menos é mais", as séries britânicas costumam ser bem produzidas e ter bons roteiros. E esta não decepcionou. Assisti em dois dias às duas temporadas disponíveis no Netflix.

A premissa é bem interessante: um copy-cat de Jack, o Estripador começa a agir na cidade, ao mesmo tempo em que um “almofadinha” carreirista e portador de TOC assume a inspetoria responsável pela investigação do caso. Este é o mote da primeira temporada.

Na segunda, o alvo da imitação são gângsters, os irmãos Kray. Talvez por não serem conhecidos fora da Inglaterra - eu, ao menos, nunca tinha ouvido falar deles - a temporada não tenha sido tão interessante no quesito investigativo. Mas o desenvolvimento dos personagens compensou bastante.

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Drops » Hemlock Grove

coded by ctellier | tags: , , | Posted On domingo, 5 de maio de 2013 at 09:30

meteorologia: ar seco e quente
pecado da gula: bolo formigueiro
teor alcoolico: 1 duvel
audio: nina simone
video: in the flesh

★ ★ ★ ★ ★

Mais uma produção exclusiva da Netflix, com lançamento simultâneo (19/04/2013) em todos os países em que a empresa está presente. E, mais uma vez, assim como com House of cards, toda a primeira temporada foi disponibilizada de uma só vez. Quem estiver a fim de aproveitar esse friozinho de início de outono, ajeitar-se no sofá com o kit edredom + pipoca + café e fazer uma maratona da série, não precisa esperar.

A premissa "garota assassinada em cidadezinha do interior onde todo mundo tem um segredo" é batida. Mas, ao começar a assistir, esperava que talvez os roteiristas consiguiriam sair do lugar-comum não apenas acrescentando doses maciças de violência e seres sobrenaturais.

Infelizmente, a série ficou muito aquém de House of cards. Talvez, devido a House of cards, a expectativa tenha ficado muito alta e difícil de ser atingida. A série é bem produzida, isso é inegável. Mas não conseguiu me prender. Diferente de House of cards, que eu certamente acompanharia mesmo que tivesse sido veiculada semanalmente, esta eu só cheguei ao final da temporada por ter sido liberada toda de uma vez. Se eu tivesse de aguardar pelo episódio da semana seguinte, provavelmente não acompanharia assiduamente. A falta de ritmo, de “pegada” mesmo da narrativa não deixa o espectador com muita vontade de continuar assistindo. Algumas subtramas se arrastam de maneira desnecessária. E o excesso de flashbacks compromete demais o fluxo narrativo.

Não é que a estória seja ruim. Contudo, fica-se com a impressão de que os roteiristas não conseguiram se decidir entre dar um tom de realismo fantástico - valendo-se de argumentos científicos - e mergulhar definitivamente na fantasia e partir da premissa que as criaturas existem sem necessidade de explicação. A série não é tão chata quanto algumas críticas fizeram parecer, mas mesmo assim está longe de se tornar a predileta de algum espectador.



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Drops » The following

coded by ctellier | tags: , , | Posted On domingo, 24 de março de 2013 at 10:32

meteorologia: ameaça de sol
pecado da gula: brigadeiro
teor alcoolico: nada ainda
audio: wergeeks #93
video: tbbt

Série produzida pela FOX, exibida pela Warner aqui no Brasil, sobre um serial killer que cria uma seita de assassinos. Temos dois personagens clichês antagônicos: o assassino psicopata e o ex-policial amargurado que o persegue - respectivamente James Purefoy e Kevin Bacon.

A premissa assim como os teasers veiculados antes da estreia são bem instigantes, despertam a curiosidade de assistir ao menos ao piloto. Assisti ao primeiro o episódio e logo já baixei os outros oito. Terminei de ver todos em menos de 3 dias. Dispensável dizer que curti bastante. Em comparação com o "chove não molha" dos últimos episódios de The walking dead, não dá vontade de parar de assistir.

Exceto por alguns exageros e situações pouco verossímeis, os roteiros são muito bem construídos. Se o espectador comprar a ideia de que uma única pessoa, de dentro de um presídio, com acesso à internet somente uma vez por semana, consegue reunir mais de uma centena de acólitos, apenas recitanto trechos de Edgard Allan Poe (e outros autores do Romantismo) e acenando com a promessa de dar um sentido às suas vidas, já é meio caminho andado para curtir a série.

O excesso de flashbacks frequentemente atrapalha, já que na maioria das vezes pouco ou nada acrescrentam à estória. Um ponto a favor, além do roteiro bem estruturado, é a ousadia ao não ocultar do espectador cenas violentas e sangrentas, envolvendo lutas, tortura e morte. "Eufemismo" é algo que definitivamente não combinaria com o teor da série.

O elenco está bem, mas o destaque fica mesmo para Purefoy.

Enfim, é uma série para que está a fim de sair da mesmice. Vale ao menos uma espiada. Nem que seja apenas para descobrir como termina :-)



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Drops » House of cards

coded by ctellier | tags: , , | Posted On sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013 at 18:34

meteorologia: chuva de novo
pecado da gula: bolo de banana
teor alcoolico: nada ainda
audio: cinecast cult #5
video: the watcher

Sinopse:
Série de televisão norte-americana de drama político criada por Beau Willimon para o site Netflix. Ela é estrelada por Kevin Spacey como Frank Underwood, um impiedoso e ambicioso político que almeja um alto cargo público em Washington, D.C.. House of Cards é uma adaptação do romance homônimo escrito por Michael Dobbs e da minissérie britânica criada por Andrew Davies.
(fonte: Wikipedia)

Outra série - além de Homeland - surgiu como candidata a preencher o vazio deixado pelo fim de Fringe. Há uma semana, dia 01/02, acessei o Netflix, como de hábito, para assistir a mais um episódio de Dexter ou Breaking Bad. Dei de cara com um box gigantesco anunciando a estreia de House of cards, série produzida pela própria Netflix. O poster me chamou a atenção na hora, afinal, Kevin Spacey como protagonista não é algo a se dispensar.

A série foi lançada nesse dia, em todos os países em que a Netflix atua. E não apenas isso, TODOS os episódios da primeira temporada estavam disponíveis. Ou seja, para quem curtisse, havia a possibilidade de fazer uma “maratona House of Cards”, sem a necessidade de aguardar uma semana pelo episódio seguinte. Haja disposição para encarar 13 episódios de quase uma hora de duração cada, em sequência. Fui comedida, tenho assistido a um por dia, intercalando com dois ou três de Homeland.

Para os que não estão acostumados e/ou não conhecem os meandros da estrutura política americana, ou que não têm o hábito de assistir outras séries de mesma temática - West wing, Game change, Political animals - a série é ideal. O personagem de Spacey quebra a quarta parede e conversa com o espectador, explicando em detalhes o que ele está pensando, o que ele sabe que os outros estão pensando, o que ele pretende fazer e o que os demais pretendem fazer. O didatismo em alguns momentos chega a ser exagerado. É como explicar uma piada - o que Underwood faz algumas vezes, inclusive. Isso não chega a tirar o interesse do público, mas torna a série um pouco mais lenta que o necessário.

Os episódios são dirigidos por diretores tarimbados, entre eles David Fincher, Joel Schumacher e Alan Coulter. Os primeiros episódios foram dirigidos por Fincher e é interessante notar o quanto se nota “a mão” do diretor em algumas cenas. Por exemplo, nas sequências que se passam na redação do Herald Tribune, tanto o cenário, quanto a fotografia e mesmo alguns quadros lembram demais Zodiac, dirigido por Fincher em 2007.

O elenco, além de Spacey, conta também com a presença de Robin Wright - excepcional como Claire, a esposa de Frank - e Kate Mara, numa atuação muito boa.

Já li por aí que a segunda temporada foi confirmada e deve começar a ser filmada ainda em 2013. Ótima notícia para quem, assim como eu, foi conquistada e passou a acompanhar com interesse as “aventuras” do protagonista mau-caráter. Vale a pena.




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Drops » Homeland

coded by ctellier | tags: , , | Posted On quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013 at 22:34

meteorologia: eo verão continua desaparecido
pecado da gula: misto quente
teor alcoolico: 1 smirnoff ice
audio: café brasil podcast #336
video: once upon a time

Sinopse:
Série de televisão norte-americana desenvolvida por Howard Gordon e Alex Gansa, baseada na série israelense Hatufim criada por Gideon Raff. Ela é estrelada por Claire Danes como Carrie Mathison, uma oficial de operações da CIA que passa acreditar que um fuzileiro americano, que era um prisioneiro da Al-Qaeda, passou para o lado inimigo e agora representa um significativo risco a segurança nacional.
(fonte: Wikipedia)

Quem acompanha meu mini-projeto “365 Screenshots”, ou me segue no getGlue, Twitter ou Facebook, possivelmente tenha visto que assisti à primeira temporada em menos de uma semana.
Indicação da Giselle, órfã de Fringe assim como eu, baixei a toda a temporada e comecei a assistir sem muito entusiasmo. Aliás, até o terceiro episódio, é uma boa série, acima da média, porém só começa a pegar ritmo e instigar o espectador a partir daí.

Não é difícil compreender por que a série não me “pegou” logo de início. É diferente de Fringe. Não há universos paralelos, nem viagens no tempo, nem tecnologias super avançadas, nem cotexiphan para ampliar os poderes da mente e, principalmente, não há Walter Bishop - sem dúvida alguma, o melhor personagem da série, imortalizado pela inesquecível performance de John Noble. Homeland não é ficção científica. Homeland é sobre o “mundo real”. Passa-se nos tempos atuais, logo após a morte de Bin Laden.

Como drama, não funciona muito bem. Mas como suspense, é excepcional. Percebe-se o capricho dos roteiristas na construção dos personagens. São tridimensionais, multifacetados, complexos. Aliás, boa parte do suspense advém do fato de o espectador nunca estar totalmente certo sobre as reações dos personagens, já que suas motivações vão sendo reveladas aos poucos. Reviravoltas na medida certa para nos instigar a continuar assistindo (leia-se "nos viciar). E um elenco bastante competente, destacando-se Damian Lewis, como o Sgt.Nicholas Brody, e Claire Danes.

Comecei a assistir à segunda temporada hoje. E já estou triste por antecipação. São apenas 12 episódios, que devo terminar antes do final da semana. E depois? Depois, o jeito é aguardar o início da terceira temporada, programado apenas para setembro :-(




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Drops » Cloud Atlas

coded by ctellier | tags: , , | Posted On sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013 at 22:59

meteorologia: verão, cad6e você?
pecado da gula: pizza
teor alcoolico: 1 stella artois
audio: cole porter
video: house of cards

Cloud Atlas (2012) - A viagem
roteiro e direção: Tom Tykwer, Andy Wachowski, Lana Wachowski

Apesar de achar o título original muito mais bonito e sonoro - além de ser uma referência a um detalhe do filme -, o título nacional faz jus ao que é o filme: uma viagem, no seu sentido mais coloquial - sim, aquele que remete ao uso de alucinógenos. O trailer não tinha me instigado muito a ver o filme, já que foi vendido (erroneamente) como uma estória de amor entre os personagens de Halle Berry e Tom Hanks. Mas surgiu uma oportunidade de assisti-lo, e fui.

O roteiro foi baseado no livro homônimo, de David Mitchell. São seis estórias passadas em épocas e locais diferentes, cujos protagonistas estão de certa forma interligados:
  1. Século XIX
    protagonista: Adam Ewing (Jim Sturgees), advogado
  2. 1930
    protagonista: Robert Frobisher (Ben Whishaw), jovem e talentoso compositor
  3. 1970
    protagonista: Luisa Rey (Halle Berry), jornalista
  4. Dias atuais
    protagonista: Timothy Cavendish (Jim Broadbent), editor
  5. 2144, Coreia do Sul (agora Nova Seul)
    protagonista: Sonmi-451 (Donna Bae), clone que trabalha como garçonete
  6. Futuro - 106 anos depois de um evento denominado como "A Queda"
    protagonista: Zachry (Tom Hanks), líder de uma tribo

Conforme descobri ao pesquisar sobre o livro, nele a narrativa estrutura-se na seguinte ordem:
1 » 2 » 3 » 4 » 5 » 6 » 5 » 4 » 3 » 2 » 1
Enquanto que, no filme, eventos de cada uma das estórias se alternam numa ordem que parece ser aleatória. Se já não bastasse isso para gerar confusão, as estórias são encenadas pelo mesmo grupo de atores, o que, nos primeiros 30 minutos ao menos, dificulta acompanhar a(s) trama(s). Apesar da montagem primorosa - há alguns cortes simplesmente impressionantes - é, no meu entender, um "complicômetro" desnecessário, já que o tempo gasto em descobrir o ator constitui-se em tempo perdido no acompanhar a estória.

Agora, sobre a maquiagem. Já que os atores se alternam nos papéis, a maquiagem deveria cumprir seu papel de ajudar a contar a estória. Mas não é o que acontece na maioria dos casos. Enquanto há alguns resultados bastante satisfatórios, a maior parte deixa muito a desejar - principalmente os "falsos coreanos" e a "coreana ruiva".

O "fio" que liga os protagonistas não está escancarado de maneira óbvia, o que é ótimo:
Zachry recita os ensinamentos Sonmi, que assiste a um filme sobre Cavendish, que lê um manuscrito de Luisa Rey, que lê as cartas de Frobisher, que lê o diário de Ewing.

O filme tem suas qualidades, mas definitivamente não me conquistou.


(se o único momento em que o público se importa com o destino dos personagens é quando quatro idosos estão colocando em prática um plano para fugir de um asilo, esse filme definitivamente tem problemas...)

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Drops » Amour

coded by ctellier | tags: , | Posted On domingo, 20 de janeiro de 2013 at 17:46

meteorologia: solzinho agradável
pecado da gula: misto quente
teor alcoolico: nada ainda
audio: podcast cinema em cena #71
video: fringe

Amour (2012) - Amor
roteiro e direção: Michael Haneke

Admiro a capacidade de alguns diretores que conseguem filmar estórias totalmente diversas e ainda assim imprimirem sua marca pessoal ao filme. Haneke é um deles. The piano teacher - que preciso terminar de assistir, Caché, Funny Games - meu predileto - e este Amour contam estórias bem diferentes e ainda assim não há como não perceber “o dedo” do diretor/roteirista em cada um deles. A crueza com que os fatos são contados, como os eventos são mostrados, como os personagens são desenvolvidos sempre causa um incômodo ao público, tornando-se uma marca registrada. Não há concessões nem gentilezas. Se a ideia do espectador ao assistir um filme, em um dia qualquer, é mergulhar num mundo de fantasia e fugir da realidade durante 120 minutos, os filmes de Haneke não são boa opção.

Sinopse:
Georges e Anne são octogenários e aposentados professores de música, casados há muitos anos e que envelheceram juntos. Durante um café da manhã, Anne sofre um derrame e o laço entre o casal é colocado à prova com a doença da mulher.
(fonte: Guia Folha)

Assim que Anne (Emmanuelle Riva) tem o derrame e Georges (Jean-Louis Trintignant) assume os cuidados com ela e com a casa, veio-me à mente outro filme com um casal idoso no centro da estória - Iris, com Judi Dench e Jim Broadbent (post aqui). A temática é similar, contudo os filmes são bem diferentes. Iris é um filme de roteiro fraco e direção insossa que é salvo pela ótima atuação do elenco. Em Amour, o elenco também está excepcional, mas o roteiro conciso e a direção firme de Haneke fazem dele uma experiência cinematográfica totalmente diversa.

Enquanto em Iris, o foco é na frustração da personagem vivida por Dench ao perder o domínio das palavras e ficar impossilitada de fazer o que mais lhe importa - escrever; em Amour, a atenção do espectador é voltada no cotidiano do casal depois do evento que debilitou Anne. Haneke faz o espectador acompanhar o dia-a-dia deles, Georges assumindo os cuidados com a casa e com Anne, a piora progressiva das condições de saúde dela, o desgaste do relacionamento entre eles e com a família. Contudo, não se dá ênfase apenas aos problemas. Há momentos de humor aparentemente involuntário, tais como Anne aprendendo a usar a cadeira motorizada ou a conversa entre eles sobre a ida de Georges a um enterro.

Anne: Qu'est-ce que tu dirais si personne ne venait à ton enterrement?
Georges: Rien, probablement. (*)

Tudo é mostrado com elegância, mas sem licenças poéticas. Sem eufemismos desnecessários. Sem condescendência. Certamente por isso, o filme é tão “duro” de assistir. A ausência de trilha sonora, os cenários e os figurinos em cores neutras são fatores que ficam o tempo todo lembrando o espectador que aquilo é real. Real demais. Honesto demais. Angustiante demais. Às vezes, quase brutal demais. É um filme exigente. Ao terminar de assistir, fica a impressão de ter passado horas acompanhando a vida daquele casal. Admito, saí do cinema cansada, tensa e sem saber ao certo se tinha gostado ou não do filme.
E eu ainda não sei.



(*) O que você diria se ninguém viesse ao seu enterro?
Nada, provavelmente.


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Drops » V for Vendetta

coded by ctellier | tags: , , | Posted On segunda-feira, 14 de janeiro de 2013 at 22:26

meteorologia: chuva pela manhã, chuva à tarde, chuva à noite
pecado da gula: queijo quente, com muito, muito queijo
teor alcoolico: nada ainda
audio: radiobla #90
video: dexter


V for Vendetta (2005) - V de Vingança
roteiro: Andy Wachowski, Lana Wachowski
direção: James McTeigue

Sinopse:
Passado na paisagem futurista de uma Grã-Bretanha totalitária, V de Vingança conta-nos a história de Evey (Natalie Portman), uma jovem aprazível que é salva de morte certa por um homem mascarado (Hugo Weaving). Identificando-se apenas como “V”, o mascarado revela um carisma incomparável e um talento extraordinário na arte do combate e da astúcia. V desencadeia uma revolução quando insta os compatriotas a lutar contra a tirania e a opressão. Mas ao descobrir a verdade sobre o misterioso passado de V, Evey toma também conhecimento da verdade sobre si mesma e emerge como imprevisível aliada de V, no seu plano para devolver a justiça e a liberdade a uma sociedade afligida pela crueldade e pela corrupção.


O filme é uma adaptação da graphic novel homônima de Alan Moore e David Lloyd. Eu, mesmo não sendo uma consumidora voraz de quadrinhos, gostei muito tanto da arte quanto do texto. Não é novidade que adaptações de quadrinhos para o cinema costumam ser ainda menos bem-sucedidas que as feitas a partir de livros. E são mal-sucedidas principalmente no quesito “agradar aos fãs da HQ” por uma razão bem simples: quem leu espera ver na tela reproduzidos os desenhos tal e qual na revista. E, apesar de parecer óbvio, são mídias diferentes e o que funciona bem em uma tem grande probabilidade de não funcionar em outra. Vide Sin City, tão fiel aos quadrinhos de Frank Miller que mais parecia um filme stop motion ou um daqueles desenhos de tv de super-heróis com quadros estáticos - quem foi criança nos anos 70 com certeza lembra.

Revi o filme dia desses, depois de ler os quadrinhos. Penso que, apesar de a adaptação parecer meio “chocha” em relação à mídia original, não deixa de ser um bom filme. É lógico que se perdem detalhes. É lógico que se perde boa parte da ideologia discutida na versão impressa. É lógico que nem todas as cenas foram filmadas assim como estavam desenhadas. É lógico que muitos diálogos foram resumidos. Não há como fugir disso. Dar um ar de romance ao relacionamento de V e Evey e a forma superficial como a origem de V é contada são, a meu ver, os maiores defeitos do filme e o que mais enfraquece a trama.

É quase certo que quem leu a HQ antes de assistir ao filme, vai achá-lo menos impactante, já que a violência foi bastante mitigada e a mídia ‘cinema’ não é dada a longos monólogos políticos-ideológico - principalmente se a intenção é fazer um filme vendável. Contudo, o filme consegue manter a essência da estória e dos personagens, o que certamente é um mérito no meio de tantas adaptações feitas tão mal e porcamente.


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Drops » Wreck-it-Ralph

coded by ctellier | tags: , , | Posted On segunda-feira, 7 de janeiro de 2013 at 19:49

meteorologia: calooooor
pecado da gula: quindim
teor alcoolico: 1 itaipava, 1 stella artois
audio: cabulosoCast drops #17
video: ted ex

Wreck-it-Ralph (2012) - Detona Ralph
roteiro: Rich Moore, Phil Johnston
direção: Rich Moore

O público infantil com certeza vai curtir a estória cheia de reviravoltas e os personagens estilizados - apesar de que o público dessa faixa etária, provavelmente não será capaz de identificar a maioria dos personagens de games que aparecem.

Por outro lado, o público adulto diverte-se justamente identificando personagens e percebendo referências a outros filmes, assim como boas sacadas - destaque para aquela que envolve uma montanha de mentos.

Tive a impressão de que poderiam ter aproveitado e explorado mais os cenários dos vários jogos de fliperama que lotam a loja. Os personagens poderiam ter navegado entre uma quantidade maior de cenários, ao invés de passar mais da metade do filme no mundo cor-de-rosa de Sugar Rush - ou salmão, como faz questão de frisar King Candy.

É uma legítima animação Disney, com direito ao eterno tema "Seja você mesmo".
Não é sensacional, mas diverte. Principalmente nesta época de férias.

Ah, assim como a Pixar faz desde sempre, foi exibido um curta de animação antes do filme, Paperman, sem dúvida a melhor animação 2D da Disney nos últimos anos.




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Drops » The Hobbit

coded by ctellier | tags: , , | Posted On quarta-feira, 19 de dezembro de 2012 at 10:45

meteorologia: nublado
pecado da gula: leite moça de chocolate
teor alcoolico: nada ainda
audio: radio rock
video: harry potter

The Hobbit: An Unexpected Journey (2012)
- O Hobbit: Uma jornada inesperada
roteiro: Philippa Boyens, Peter Jackson, Fran Walsh, Guillermo del Toro
direção: Peter Jackson

A aventura de Bilbo Baggins é um prequel dos acontecimentos de O senhor dos aneis. Mas o diretor, intencionalmente ou não, fez parecer uma sequência, dando continuidade ao clima grandioso e épico dos eventos envolvendo a irmandade do anel. Na minha opinião, totalmente desnecessário e, pior, não condizente com a obra original.

O hobbit é genuinamente um livro infantil e parte dessa essência é perdida nesta transposição para o cinema. Algo que deveria ser abordado e vivenciado com uma legítima aventura - nos moldes de A ilha do tesouro, de Stevenson (na literatura) ou Os Goonies (no cinema) - pretenciosamente foi alçada ao patamar de uma quase epopeia.

Além disso, uma estória de pouco mais de 300 páginas, que certamente caberia com folga num filme de duas horas, foi esticada e preenchida com elementos supérfluos tão somente para suprir o desejo do diretor de dirigir mais uma trilogia.

O roteiro, ao contrário do universo do filme, chega a ser infantil pela sua repetição: o grupo viaja um pouco, Bilbo e os anões se metem em alguma encrenca, Gandalf aparece para salvar a pátria sempre no último instante - "e por que raios ele esperou tanto?". Isso somado ao excesso de flashbacks, deixa o filme longo demais, arrastado demais, cansativo demais.

Se valeu a pena assistir? Valeu sim, e muito. Valeu por causa dos 48fps. A experiência cinematográfica é totalmente revolucionada. O hiper-realismo deixa o espectador com a impressão de estar assistindo aos eventos in loco, principalmente em cenas externas. A quantidade de detalhes visto na tela é inimaginável. Mas também evidencia os defeitos. Alguns efeitos digitais ficam muito mais perceptíveis. Uma grande vantagem é que o 3D fica muito melhor. Várias vezes durante o filme eu simplesmente esqueci que estava usando o óculos.

Não terminei de assistir ao filme tão ansiosa pelo próximo quanto ao assistir a A sociedade do anel, mas mesmo assim ansiosa para ver a evolução do uso dessa nova tecnologia.


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Drops » Fracture

coded by ctellier | tags: , | Posted On domingo, 2 de dezembro de 2012 at 23:40

meteorologia: chuva de verão
pecado da gula: pão doce
teor alcoolico: 2 stella artois
audio: podcast mdm #193
video: numb3rs

Fracture (2007) - Um crime de mestre
roteiro: Daniel Pyne, Glenn Gers
direção: Gregory Hoblit

Sinopse:
Willy Beachum (Ryan Gosling) é um jovem e ambicioso promotor público, que está no melhor momento de sua vida profissional. Ele tem 97% de vitória nos casos em que atuou e está prestes a assumir um cargo na famosa agência Wooton Sims. Porém, antes de deixar o cargo de promotor ele tem um último desafio pela frente: Ted Crawford (Anthony Hopkins). Após descobrir que sua esposa o estava traindo, Ted a matou com um tiro na cabeça. Parecia um caso simples, já que era um crime premeditado e com uma confissão clara, mas Ted cria um labirinto complexo em torno do caso de forma a tentar sua absolvição.
(fonte: AdoroCinema)

Apesar de não ser um nome facilmente reconhecível como o de um diretor de cinema, difícil que alguém já não tenha assistido a um filme dirigido por Hoblit: Primal fear (As duas faces de um crime) - meu predileto, Fallen (Possuídos), Frequency (Alta frequência) e Hart's War (A guerra de Hart) - o mais fraco deles.

Neste, Hoblit volta ao início e dirige um thriller de tribunal bastante engenhoso. O roteiro prende o espectador sem utilizar o tradicional "whodunit" (quem?) mas optando por despertar a curiosidade sobre o "como". Assim, personagens e público se perguntam de que maneira Crawford conseguiu driblar os investigadores, invalidando tanto as evidências físicas contra ele quanto o registro de sua confissão.

As cenas em que Crawford e Beachum conversam são, sem sombra de dúvida, as melhores do filme. O jogo de gato e rato que se estabelece entre eles, com os papéis por vezes se invertendo, garante a tensão necessária para prender o espectador até o final.

Apesar de a presença do núcleo da Wooton Sims parecer estar ali apenas para preencher o tempo, assim como a existência da personagem de Rosamund Pike ser totalmente dispensável, o roteiro é bastante eficiente, assim como a direção de Hoblit.

Boa pedida para quem curtiu Primal fear.


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Drops » Cosmopolis

coded by ctellier | tags: , | Posted On sexta-feira, 30 de novembro de 2012 at 19:52

meteorologia: sol e calor
pecado da gula: torta de côco
teor alcoolico: nada ainda
audio: nerdcast #339
video: friends

Cosmopolis (2012)
Roteiro e direção: David Cronenberg

Sinopse:
Eric Packer (Robert Pattinson) é um milionário egocêntrico que acordou com uma obsessão: cortar o cabelo no seu barbeiro localizado do outro lado da cidade. Para isso, o gênio de ouro das finanças terá que atravessar, em sua limousine, uma caótica Nova York que irá revelar uma ameaça a seu império a cada quilometro percorrido. Com o ritmo alucinante do diretor David Cronenberg, e participações de Juliette Binoche, Paul Giamatti, Samantha Morton e Mathieu Amalric, ele está prestes a viver as 24 horas mais decisivas de sua vida.
(fonte: Interfilmes.com)

Passado quase 80% do tempo dentro da limusine de Packer, o roteiro foi baseado no livro homônimo de Don DeLillo. Pode ser visto apenas como a estória de um ricaço que cisma em ir cortar o cabelo e, tal qual uma criança mimada, bate o pé e fala "eu quero, eu quero, eu quero", a despeito das recomendações do encarregado de sua segurança. Porém, como em todos os filmes de Cronenberg, nem tudo é o que parece. E, por trás de diálogos aparentemente non-sense, há algumas ideias interessantes que merecem reflexão.

A limusine de Packer é o seu "mundinho". Nele, Packer trata de seus negócios, come, bebe, faz sexo, consulta-se com um médico. Faz tudo ali, apesar de ter um apartamento com dois elevadores. E, principalmente, na limusine, Packer isola-se do mundo. Enquanto nas ruas ocorre uma manifestação, ele está discutindo o mercado e a situação da bolsa de valores.

É interessante notar a forma que o personagem vai sendo desconstruído no decorrer da narrativa. Packer entra na limusine, no início do filme, vestido impecavelmente, com óculos escuros que ocultam seus olhos inclusive da esposa. À medida que a estória avança, seu "visual" vai se desmontando, acompanhando o declínio do personagem. Remove os óculos, tira a gravata, o paletó, até chegar ao final do filme com a camisa de grife semi-aberta e para fora da calça.

Enfim, não é tão bom quanto outros filmes de Cronenberg - como os recentes Eastern promises e A history of violence - mas vale a pena assistir.


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Drops » Intouchables

coded by ctellier | tags: , | Posted On terça-feira, 13 de novembro de 2012 at 09:15

meteorologia: chuva chata
pecado da gula: um cone de nutty bavarian
teor alcoolico: uma stella artois
audio: spinoff podcast s06e07
video: numb3rs

Intouchables (2012)
roteiro e direção: Olivier Nakache, Eric Toledano

Sinopse:
Philippe (François Cluzet) é um aristocrata rico que, após sofrer um grave acidente, fica tetraplégico. Precisando de um assistente, ele decide contratar Driss (Omar Sy), um jovem problemático. De início, eles enfrentam vários problemas, já que ambos têm temperamento forte, mas aos poucos passam a aprender um com o outro.
(fonte: site Playarte Cinema)

Pela temática, pode parecer que se trata de um drama, daqueles que arrancam lágrimas do espectador a cada dez minutos. Mas não é o caso. É lógico que há um pouco de drama, tanto pela condição física de Philippe quanto pela condição social de Driss. Contudo, o que mais se sobressai no filme é o humor leve que permeia toda a estória. A interação entre os personagens garante boas risadas, daquelas que nos deixam com a sensação de que não importa o tamanho do problema, sempre há uma brecha para o humor.

O elenco é responsável por boa parte da empatia. Cluzet - cada vez mais parecido com Dustin Hoffman - constrói um personagem bastante emblemático, mesmo tendo como "instrumentos" apenas sua face e sua voz. Com um pouco mais de recursos, fez-me lembrar bastante de Mathieu Amalric em O escafandro e a borboleta (post aqui). E Omar Sy faz o contraponto perfeito, sendo expansivo e debochado.

Enfim, vale assistir.

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Drops » As esganadas

coded by ctellier | tags: , | Posted On quarta-feira, 3 de outubro de 2012 at 10:25

meteorologia: sol e calor
pecado da gula: castanhas nutty bavarian
teor alcoolico: nada ainda
audio: afrocelts
video: fringe

As esganadas
Jô Soares

Sinopse
O livro é ambientado no Rio de Janeiro de 1938 [...], durante a Era Vargas, e retrata uma série de assassinatos perpetrados contra vítimas gordas. Subvertendo a narrativa policial comum aos suspenses envolvendo detetives, o serial killer é revelado logo no início da obra, bem como sua motivação para os crimes. A trama concentra-se nos detalhes da busca pelo assassino.
O título faz alusão ao modo como as vítimas são mortas: asfixiadas por sua gula em um processo que envolve interesse gastronômico, especialmente por doces portugueses, e intenso desejo sexual.
fonte: Wikipedia

Este é o quarto livro policial do ator, comediante, apresentador e músico Jô Soares. E é, na minha opinião, o mais fraco. Acredito que ter suprimido o fator whodunit enfraqueceu bastante a trama, tornando-a simples a ponto de parecer ingênua e burlesca em alguns momentos. Apresentando ao leitor, desde o início, o autor dos crimes, resta apenas um “mistério” a ser solucionado - como e quando ele será descoberto e capturado. Há trechos em que parece bastante improvável que a equipe encarregada de identificar o assassino seja inapta a ponto de deixar passar detalhes essenciais que levantariam suspeitas sobre ele. E o excesso de citações do investigador lusitano e o exagero de detalhes da culinária portuguesa por vezes chegam a incomodar e “empacar” o andamento da narrativa.

O que salva o livro e o que segura o leitor do começo ao fim é principalmente a capacidade do autor em criar personagens e tipos, encaixando-os em situações que despertam o interesse do leitor, fazendo-o continuar a leitura para descobrir seu desfecho. Tive a nítida impressão de estar lendo uma sucessão de esquetes bem resolvidos em si mesmos, mas que em boa parte do texto careciam de unicidade com a trama central.

Mas não apenas isso. Assim como nos livros anteriores, a ambientação em determinado momento histórico é algo que o autor faz muito bem. A inserção de propagandas de rádio - os reclames -, notícias, narrações de jogos da copa, entre outros detalhes, conseguem imergir o leitor no período em que se passa a estória sendo, também, elementos que despertam e mantêm o interesse no decorrer da narrativa. Porém, mesmo assim, o leitor chega ao final da leitura com a impressão de que tudo poderia ter sido melhor explorado.

É um livro rápido e de fácil leitura. Não é ruim, é bom mesmo com as ressalvas. Mas se alguém me pedisse indicação de um livro do Jô, certamente não seria esse o escolhido. O Xangô de Baker Street sem dúvida é uma opção bem melhor para conhecer a obra do autor.


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Drops » Hatari!

coded by ctellier | tags: , | Posted On domingo, 16 de setembro de 2012 at 11:52

meteorologia: sol e calor
pecado da gula: pão com nutella
teor alcoolico: nada ainda
audio: dark one podtrash #106
video: dexter

Hatari! (1962)
roteiro: Harry Kurnitz, Leigh Brackett
direção: Howard Hawks

Apesar dos elementos (hoje) politicamente incorretos, este filme ainda faz parte daquela lista de filmes que não me canso de assistir. Abstraindo esses elementos - a captura de animais para zoológicos e o fato de praticamente todos os personagens serem fumantes - é uma “sessão da tarde” de muita qualidade. E é preciso destacar que faz parte da trilha sonora a deliciosa Baby Elephant Walk (“O passo do elefantinho), do gênio musical Henri Mancini. Inesquecível.

A estória é bastante simples, como em boa parte dos filmes dessa época. Um grupo de “caçadores” de vários países reúne-se numa fazenda da África - locações em Tanganica -, durante os três meses em que a caça é liberada, para capturar animais para zoológicos. Um dos zôos que ficará com alguns dos animais quer fotos das capturas e envia um fotógrafo, na verdade, uma fotógrafa italiana - Anna Maria D'Allessandro, “Dallas” (Elsa Martinelli).


O filme transcorre alternando cenas de perseguições na savana e do convívio entre essas pessoas: o inconveniente de ter uma mulher no grupo; dois dos rapazes disputando a atenção da dona da fazenda; os riscos a que os caçadores estão expostos; a química entre a fotógrafa e o irlandês ranzinza que chefia o grupo - Sean Mercer (John Wayne); o motorista que tem medo de animais - “Pockets” (Red Buttons) - responsável pela maioria dos momentos cômicos.

O filme é longo, quase 2 horas e 40 minutos de duração, mas que passam sem a gente perceber. O humor leve e aparentemente ingênuo somado a algumas gags visuais muito bem resolvidas prendem o espectador do início ao fim. As cenas com os elefantinhos são simplesmente impagáveis e a música de Mancini é o complemento perfeito.


Obs.: O título significa "Perigo!" em Swahili.


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Drops » Imaginários

coded by ctellier | tags: , , , | Posted On domingo, 26 de agosto de 2012 at 19:20

meteorologia: sol, calor e ar seco
pecado da gula: misto quente
teor alcoolico: 1 east indian pale ale
audio: dannycast #112
video: bones

"Imaginários"
Organizado por Tibor Moricz, Saint‑Clair Stockler e Eric Novello

Quem acompanha o blog já deve ter percebido que o Desafio Literário (quase) foi pras cucuias - seja lá qual for a origem desse termo. Digo quase, pois ainda tenho um fiozinho de esperança de retomá-lo antes do ano acabar.

O que aconteceu foi que minha fila de leitura foi totalmente subvertida. Não terminei de ler o livro de maio, "Os irmãos Karamazov". Iniciei o segundo volume, mas fui "atraída" para a leitura de um livro de física de um autor já meu conhecido - "A realidade oculta", de Brian Greene. Depois disso, o que se viu foi uma sucessão de livros cortando a fila. "Geração Subzero", "Granta" e "Alice: Edição comentada" - que ainda não terminei (nem um nem outro), "A Captura de Cérbero" e "O Incidente da Bola de Cachorro" - que li durante a espera numa fila da bienal (post aqui) e, finalmente, "Imaginários".

Este último é uma coletânea de "contos de fantasia, ficção científica e terror" (conforme a capa), todos de autores brasileiros.

  • "Coleira do amor", de Gerson Lodi-Ribeiro
    ficção científica
  • "Eu, a sogra", de Giulia Moon
    fantasia urbana
  • "Veio... novamente", de Jorge Luiz Calife
    ficção científica
  • "A encruzilhada", de Ana Lúcia Merege
    fantasia medieval
  • "Por toda a eternidade", de Carlos Orsi
    ficção científica
  • "Twist in my sobriety", de Flávio Medeiros
    ficção científica
  • "Um toque do real: óleo sobre tela", de Roberto de Sousa Causo
    fantasia
  • "Alma", de Osíris Reis
    ficção científica
  • "Contingência, ou Tô pouco ligando", de Martha Argel
    ficção científica
  • "Tensão Superficial", de Davi M. Gonzales
    fantasia
  • "Planeta Incorruptível", de Richard Diegues
    ficção científica

Apesar de me lembrar de ter lido algo a respeito em algum blog literário (não lembro qual), não estava na minha "lista de compras". Vi-o, aliás, vi toda a coleção exposta no estande da Vermelho Marinho. Gosto muito de coleções, assim como gosto muito de contos e ficção científica - "all in one". Mas resisti à tentação e comprei apenas o volume 1, para um test-drive - queria ver se o tom e o estilo das estórias eram do meu agrado antes de levar todos pra casa. Bem, antes mesmo de ter lido todos os contos, já estava decidida a ler os outros volumes (cinco no total).

Não é minha intenção resenhar todos os contos. Para quem se interessar, há duas boas resenhas no Aguarrás e no Leitora Viciada. Não concordo 100%, mas ambas dão uma boa ideia sobre o conteúdo do livro. Os textos de que mais gostei foram: "Coleira do amor", "Eu, a sogra", "Twist in my sobriety" e "Por toda a eternidade". Os demais são bons também, mas havia algo na forma, na estrutura ou na ideia em si que deixavam a desejar.

Enfim, vale a leitura. Pretendo ler os demais, mas não agora, pois minha fila continua gigante.

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Drops » On the road

coded by ctellier | tags: , , | Posted On domingo, 5 de agosto de 2012 at 16:20

meteorologia: nublado
pecado da gula: esfihas
teor alcoolico: 1 flensburger pilsener
audio: quadrimcast #26
video: london 2012 - maratona feminina

On the road (Na estrada) - 2012
Roteiro: Jose Rivera
Direção: Walter Salles

Sinopse:
A vida do jovem escritor Sal Paradise é sacudida pela chegada de Dean Moriarty, um jovem libertário e contagiante, a Nova York. Juntos, Sal e Dean cruzam os EUA.
Fonte: Guia da Folha - Cinema

Minha segunda incursão não programada ao cinema foi bem mais satisfatória.
"On the road" é baseado no livro homônimo de Jack Kerouac que, durante muito tempo, foi considerado "infilmável". E, indo assistir a este filme, contrariei duplamente meus princípios: fui ao cinema totalmente sem planejamento prévio e assisti ao filme antes de ler o livro - mesmo sabendo que este (o livro) está no meu desafio literário. Contudo, não me arrependi.

Já que, como acabei de falar, ainda não li o livro, não tenho como saber se foi uma boa adaptação da obra. Sei que o protagonista, Sal, é o alter-ego do autor, assim como alguns personagens são referências a amigos do escritor. Sei que a estória é praticamente autobiográfica, narrando as andanças do autor e sua vivência da geração beat. E sei que o texto é escrito sem parágrafos e quase sem pontuação, num fluxo de pensamento que refletiria o modo como a estória seria narrada verbalmente pelo personagem - há uma referência a isso numa das cenas finais do filme. O pouco que sei está no filme, mas certamente há muito mais.

Não ficou muito claro no filme - e não sei se fica no livro - qual a relevância da geração beat. Aliás, a menos que se saiba que aquela é a geração beat, não há como identificar que houvesse uma "corrente cultural" em que aqueles jovens estivessem imersos. O que parece - e espero que no livro não seja assim - é que são apenas um bando de moças e rapazes que passeiam de carro pelo país, buscando aventuras e diversão, bebendo (muito), se drogando (muito) e praticando sexo (muito). "Sexo, drogas e jazz, muito jazz". Tem-se a impressão de que são totalmente inconsequentes, principalmente Dean Moriarty.

E há que se destacar a atuação de Garrett Hedlund, como Dean. A atuação é tão convincente que dá vontade de expressar verbalmente a irritação com o fato de ele ser um "fanfarrão", que faz uso do seu charme para conseguir tudo o que quer de todos. Mas em alguns instantes, a expressão do personagem dá a entender que ele não está assim tão satisfeito com seu modo de levar a vida. Que há mais por trás daquele olhar cafajeste. Sam Riley (não sei por quê, mas eu o acho parecido com o DiCaprio mais novo), como Sal, também está bem, mas fica meio apagado ao contracenar com Hedlund ou Viggo Mortensen. E mesmo Kristen Stewart, consegue nos fazer esquecer da atuação insípida na série Crepúsculo.

Achei o filme longo, fiquei impaciente na última meia hora de exibição. Achei que algumas das subtramas, estorietas dos personagens que Sal encontra em suas viagens, poderiam não ter sido tão extensas. Mas, provavelmente, se tivesse lido o livro, não incomodaria. Apesar disso, saí do cinema satisfeita e pretendo rever o filme depois de ler o livro.


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Drops » TDKR

coded by ctellier | tags: , | Posted On domingo, 29 de julho de 2012 at 16:43

meteorologia: ensolarado
pecado da gula: calzone de calabresa
teor alcoolico: 2 stella artois
audio: nerdcast #321
video: bones

The dark knight rises (Batman - O cavaleiro das trevas ressurge) - 2012
Roteiro: Jonathan Nolan, Christopher Nolan
Direção: Christopher Nolan

Antes de mais nada, gostaria de deixar claro que eu não conheço o Batman dos quadrinhos, ou seja, não tenho como julgar se personagens e eventos são coerentes com "o original" (ou não). Sendo assim, mesmo sabendo da insatisfação de alguns batmaníacos com algumas liberdades criativas tomadas pelos roteiristas, a fidelidade com a mídia original não foi critério para minha análise do filme.

Bem que eu gostaria de ter saído do cinema com a mesma sensação de quando fui assistir "The dark knight". Com aquela vontade de voltar e assistir novamente - o que eu fiz - e com aquele impulso incontrolável de comentar com todos os conhecidos e falar "Filmaço! Vai assistir que vale muito a pena. O vilão é excepcional - pena que o ator morreu e não vai poder repetir o papel."

Preciso ser honesta, o filme é bom, mas não causou o mesmo o entusiasmo. Considero-o inferior aos antecessores. Não apenas por não ter um vilão tão carismático quanto o Coringa de Heath Ledger - fato que certamente elevou as expectativas acima do aceitável para este último filme. Mas também por que, além das falhas comuns nos filmes anteriores - uma certa confusão na localização espacial dos eventos e na montagem das cenas de ação - acredito que o excesso de personagens e tramas paralelas atrapalhou bastante o desenrolar da estória como um todo. A falta de tempo hábil para desenvolver os personagens e alguns acontecimentos que ocorrem aparentemente sem motivo certamente dificultam a imersão do público. Como dois personagens (Gordon e Blake) fazem questão de frisar em certo momento - e quase tive a impressão de que se dirigiam ao espectador - "as detectives we are told not to believe in coincidences". Há coincidências demais favorecendo os mocinhos, prejudicando a suspensão de descrença.

É inegável que é um encerramento bem eficiente para a trilogia, fazendo várias referências a acontecimentos e diálogos dos outros dois filmes. Apesar de poder ser assistido e "degustado" como uma obra independente dos demais, ele certamente faz mais sentido e ganha em qualidade quando analisado em conjunto com os anteriores. Enfim, vale a pena assistir para ver o fechamento de um ciclo, mas eu certamente não irei revê-lo tantas vezes quanto revi (e ainda revejo) "The dark knight".


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Drops » Extremely loud and incredibly close

coded by ctellier | tags: , , | Posted On quarta-feira, 25 de julho de 2012 at 06:30

meteorologia: friozinho pela manhã
pecado da gula: pão na chapa com manteiga
teor alcoolico: nada ainda
audio: máquina do tempo #111
video: videocast cinema em cena: batman - TDKR

Extremely loud and incredibly close (Tão forte e tão perto) - 2011
Direção: Stephen Daldry
Roteiro: Eric Roth

Esse era um dos indicados ao Oscar de melhor filme este ano e que eu ainda não havia assistido. Honestamente, a indicação de Max von Sydow ao prêmio de melhor ator coadjuvante, no meu entender, tinha muito mais sentido. Acredito que a indicação do filme deva-se mais à sua temática do que à qualidade da obra.

Oskar Schell (Thomas Horn) é um garoto de 9 anos cujo pai, Thomas (Tom Hanks), morre durante os ataques ao World Trade Center, no 11/09. Ao encontrar uma chave pertencente ao pai, sai numa jornada por toda Nova York. E, em busca da fechadura a que a chave pertence, encontra pessoas de todos os tipos, todas elas sobreviventes à sua maneira.

É um filme mediano. Não é ruim a ponto de eu achar que foi uma perda de tempo assistir. Mas também nao é assim tão bom a ponto de eu me lembrar dele depois de algumas semanas.
Cheio de clichês e muito dependente da suspensão de descrença em vários momentos. Bastante previsível, exceto por uma pequena reviravolta perto do fim que deixa a estória um pouco mais verossímil.
O ator-mirim é muito bom, tanto que a melhor cena do filme é dele, um monólogo contando sua estória ao Locatário (von Sydow) de modo bastante visceral.

Assistível e perfeitamente esquecível.

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