Mostrando postagens com marcador running. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador running. Mostrar todas as postagens

Review » Skechers Go Bionic

coded by ctellier | tags: , | Posted On terça-feira, 24 de setembro de 2013 at 20:07

meteorologia: chega de chuva!!
pecado da gula: batata sauté
teor alcoolico: nada ainda
audio: carmina burana
video: american horror story

Todo corredor, ao perceber que a vida útil de um dos seus (vários) pares de tênis estão perto do fim, começa a pensar no próximo a ser usado. Foi-se o tempo em que eu era fiel a apenas uma marca/modelo, adepta da máxima “Em time que está vencendo, não se mexe.”. Nos últimos anos, principalmente depois de aderir à corrida minimalista, sempre estou experimentando novos modelos desse estilo, já que percebi que o importante mesmo é a mecânica da passada, mais que o próprio calçado.

Sendo assim, quando chegou o momento de aposentar meu Brooks Ghost, depois de alguma pesquisa, optei pelo Skechers Go Bionic. Foi o escolhido, entre outros motivos, pois já o tinha visto “pessoalmente” - no workshop de corrida natural ministrado pelo Sérgio Rocha - e constatado o quanto era leve e flexível. Além disso, munida de um cupom de desconto de uma loja online, o preço estava dentro do que acho o máximo aceitável - ainda que não exatamente adequado - pagar num tênis: R$ 299,00 (já com o desconto de R$ 50,00).



Um parênteses aqui: além da vantagem evidente na corrida em si, passar a praticar corrida natural/minimalista traz também uma vantagem econômica, já que o preço dos tênis cai praticamente pela metade - para quem costuma comprar os “da moda”, que custam entre R$ 600,00 e R$ 700,00. Nem levo em conta o Wave Prophecy que é, no meu entender, um ponto fora da curva que deveria ser boicotado pelos consumidores devido ao preço abusivo. Convenhamos, pagar 900 reais num tênis é quase como queimar dinheiro :-P

Bom, já comentei sobre um dos aspectos do tênis: o preço. Não é dos mais baratos, mas cabe no orçamento, considerando que provavelmente irei substituí-lo apenas daqui a um ano. Vamos aos demais.

Confesso que ao receber a embalagem das mãos do carteiro, duvidei que fosse mesmo o tênis. Leve demais. Mesmo. Muito mais leve que as embalagens com livros que costumam ser entregues aqui em casa. Abri logo a caixa e o tênis estava lá. Ufa! Não cheguei ao cúmulo de colocá-los na balança, mas conforme o Corrida Natural, o tamanho 42 pesa 169g. Ou seja, o meu - tamanho 38 - deve pesar um pouco menos. Para facilitar a “visualização”, imagine 8 fatias de mussarela de espessura média. Imaginou? É o que pesa o tênis.

Por causa da forma larga e do peso reduzido, a sensação ao calçá-lo é a mesma de vestir uma meia grossa. E mesmo andando, essa sensação persiste. Vantagem sobre o Five Fingers que, por mais confortável que seja, gera um certo estranhamento por conta dos dedos separados. O pé fica esparramado, sem “pegar” em nenhuma costura. Ao menos com meias. Sem elas, eu não testei ainda.

A espessura da sola é de 11mm, ou seja, amortecimento quase nulo - apesar de não parecer. Mas para quem está acostumado a correr descalço, de huaraches ou de Five Fingers não há qualquer desconforto. Para quem optar pelo Go Bionic como seu primeiro tênis minimalista, vale lembrar da fase de adaptação que não deve ser desconsiderada na transição de tênis mais estruturados para modelos como este.

Somando-se essas características, mais o drop zero, pode-se afirmar que é um modelo minimalista. É uma ótima opção para quem quer ter a mesma sensação experimentada ao usar um Five Fingers mas sem pagar o mico de parecer estar usando “pés de hobbit” (apelido carinhoso que meu namorado deu ao meu KSO).

Testei-o tanto na esteira quanto na rua (treino e prova), tanto em tiros quanto em longos e não tenho qualquer reclamação. Li alguns reviews reclamando das palmilhas que se deslocam. Comigo não aconteceu. Troquei o cadarço original apenas por comodidade - não gosto de ficar amarrando/desamarrando os tênis - mas o original não apresentou qualquer inconveniente. Enfim, fiquei super satisfeita com a aquisição.

O vídeo abaixo foi o melhor que encontrei para demonstrar o quanto o modelo é flexível, justificando a sensação de extremo conforto ao correr com ele:



.

.

Golden Four Asics: Custo x benefício

coded by ctellier | tags: | Posted On quinta-feira, 1 de agosto de 2013 at 18:54

meteorologia: sol e céu azul
pecado da gula: omelete de queijo e bacon
teor alcoolico: nada ainda
audio: the doors
video: la piel que habito

Apesar de ter feito inscrição em duas das três edições da Golden Four, esta, de 2013, foi a primeira que corri. Em 2011, sequer me inscrevi pois estaria em um evento no dia da prova. Em 2012, fiz a inscrição, busquei o kit, mas amanheceu chovendo no dia da prova e, lógico (pra quem me conhece), eu não fui.

Esta não foi minha primeira meia maratona, já perdi a conta de quantas já fiz. Porém, a usei como prova-alvo no intuito de ter um objetivo a perseguir e conseguir recuperar a motivação perdida - a propósito, deu certo. Ter uma planilha a seguir, focando determinada prova, sempre funciona para mim. Ela, a planilha, foi seguida quase à risca. A meta seria completar em 1h50m. Contudo, tendo em vista que meu melhor tempo em meias ainda era acima de duas horas - 2h01m, se não me engano - baixar desse tempo já me deixaria satisfeita. Tinha consciência que baixar 11 minutos seria difícil. Criei um blog e uma página no facebook para postar os treinos diários - mais uma maneira de evitar que eu matasse muitos treinos, pois assumir um compromisso público gera uma certa vergonha de admitir não ter treinado por pura preguiça. Não atingi a meta, mas nem por isso deixei de curtir a prova. Uma dor na coxa me perseguiu nos últimos 5km, me obrigando a alternar corrida e caminhada até o final, fechando em 2h06m.

Mas o que me levou a escrever o post não foi o impulso de compartilhar minha frustração por não ter atingido minha meta. O motivo foi outro. Já há alguns meses - 3 para ser mais exata - que não participava de provas. E, diferente dos anos anteriores, corri apenas 4 provas este ano até agora. E a causa principal não é a falta de ânimo ou motivação, mas sim o valor alto das inscrições. Há dois anos que optei por me inscrever e correr apenas em provas de 15km ou mais - com raras exceções - simplesmente por me recusar a pagar entre 80 e 120 reais para correr a distância que eu comumente faço nos meus treinos quase diários, que variam de 8 a 12 km. Com o agravante de que, muitas vezes, além de alto o valor pago não é devidamente revertido em benefícios para os corredores.

Com relação a isso, a Golden Four fez valer o dinheiro gasto na inscrição. Senti-me totalmente satisfeita com o que foi “entregue” pela organização:

  • Antes da prova

  • O evento no dia da entrega do kit , ou expo como alguns chamam, foi bem interessante. Várias palestras com assuntos relativos ao esporte, com repórteres, atletas, entre outros. Kit bem montado: chip, número de peito, camiseta, viseira - tudo dentro de um gym sack estiloso, com dois bolsos internos. Além do kit, os participantes ainda recebiam um lanche - sanduíche, fruta e suco - e, quem tivesse paciência de encarar fila, poderia colocar seu nome na camiseta.

  • Durante a prova:

  • A largada atrasou um pouco, 7 minutos, mas isso não é nada perto de outras provas em que o atraso ultrapassou 20 minutos. O mais correto é cumprir o horário, mas enfim, dos males, o menor. Todos os postos de hidratação, a cada 3 km mais ou menos, distribuíam água e gatorade - e não faltou nem um nem outro. Havia pacers para ajudar os corredores que pretendiam fechar a prova em determinado tempo - eu, por exemplo. Contudo, apenas os vi no final da prova. Os marcadores para término em 2h passaram por mim no quilômetro 19. Não fosse a dor na coxa, eu os teria acompanhado até o fim.

  • Após a prova:

  • Teve lanche, massagem, fotos, enfim, mimos para quem madrugou em pleno domingo para correr 21km num frio de 10°. E não só isso, voltei para casa, e já havia um SMS informando meu tempo na prova. Ou seja, tratamento vip do início ao fim.

    Não faço a menor ideia de como é calculado o valor da inscrição, mas se as corridas populares do SESC e SESI custam de R$ 20,00 a R$ 30,00 e conseguem ser tão bem organizadas quanto essas provas “de grife”, fico me perguntando por que eu deveria desembolsar R$ 100,00 para participar de provas que, por vezes, são piores. Algumas da Yescom perdem feio nesse quesito, por exemplo. Eu, particularmente, não faço questão das “frescuras” que têm feito parte tanto do kit quanto da prova em si. Fico plenamente satisfeita se receber chip, número de peito, camiseta e hidratação adequada durante o percurso. Sei que muita gente curte - se não houvesse tantos adeptos, as empresas organizadoras não investiriam tanto nisso. E já que há os que não fazem questão e os que gostam bastante, acredito que deveria se tornar padrão a disponibilização de várias opções de kits, do básico ao mais caprichado. Algumas provas já têm isso - fiz inscrição na Etapa III do Circuito Athenas e pude optar pelo kit simples - o que talvez me faça voltar a participar com mais frequência.

    Independente disso tudo, eu continuo correndo. E que venha a próxima prova :-)

    .

    .

    Review » Mizuno Wave EVO Cursoris

    coded by ctellier | tags: , , | Posted On domingo, 21 de abril de 2013 at 19:38

    meteorologia: falta muito pro verão voltar?
    pecado da gula: bolo de coco
    teor alcoolico: nada ainda
    audio: literatuscast #21
    video: hannibal

    Bastante a contragosto aposentei meu segundo par de Brooks Glycerin 8. Já bem acostumada aos meus tênis minimalistas - Saucony Hattori e New Balance Minimus Trail - e ao meu Five Finger, o Brooks de uns tempos para cá estava me fazendo sentir uma fisgada incômoda na planta do pé, logo nos primeiros quilômetros de corrida. Para uso no dia a dia ainda estava apto, mas para correr, sem chance. E assim, eu, que há algum tempo procurava uma boa desculpa (para mim mesma) para comprar mais um par de tênis, fui às compras munida de um vale-desconto que acompanhou o kit da Meia Maratona Netshoes. Fiquei em dúvida entre os dois novos modelos da Mizuno, os primeiros minimalistas da marca - Mizuno Wave EVO Cursoris e Mizuno Wave EVO Levitas . Os dois me agradaram e a escolha final ficou mesmo por conta da cor do calçado, já que o EVO Levitas preto com solado azul não constava do catálogo da loja.

    obs.: Diferente dos dois outros tênis minimalistas citados, não fui a uma loja física a fim de experimentar o calçado e descobrir qual a numeração mais adequada. Já tive diversos pares de Mizunos e já sabia qual tamanho pedir.

    A primeira impressão foi antes mesmo de abrir a embalagem. Ao pegar o pacote das mãos do carteiro, mesmo tendo certeza de que se tratava do meu tênis novo, fiquei impressionada com o peso, ou melhor, pouco peso do pacote.

    Ao tirar da caixa, a comprovação. Os 175g do calçado estão muito bem distribuídos num modelo super bem cuidado visualmente. É isso mesmo, 175g, apesar da entressola um pouco mais espessa que meus outros dois, com 12mm mas com drop zero (essencial). Calcei logo, tanto para ajustar os cadarços quanto para sentir o tênis no pé. Tão leve e tão confortável que a impressão é de estar quase andando de meias. Praticamente não se percebe o calçado ao redor do pé. Calcei-os sem meias para identificar qualquer costura ou curva que pudesse “pegar” em qualquer ponto do pé. Nada.

    Impaciente, não esperei pelo treino do dia seguinte para testá-lo, lógico. Uma corrida leve de meia hora não faria mal algum. Uma garoinha chata me fez ficar em casa e correr na esteira - não, eu não gosto de correr na chuva, me julguem! (rs). Quarenta minutos depois - lógico, acabei assistindo um episódio todo de Dexter - estava com aquela sensação ótima de ter feito uma boa escolha. Apesar de não ter amortecimento, tanto a espessura da sola quanto o material de que é composta dão a impressão de que há algum amortecimento. Nenhum ponto de atrito foi identificado. Apenas tive de soltar um pouco mais os cadarços, mas feito isso a sensação foi de conforto total. Bem ventilado, os pés não cozinharam mesmo com o calor da esteira. Tirei-os do pé no último quilômetro apenas por hábito, não por desconforto ou calor.

    Dois dias depois, fui para a academia correndo e fiz o teste na rua. Sensação de amortecimento similar à esteira. Achei que talvez não sentisse tão bem as irregularidades do chão devido à espessura da entressola, mas me enganei. Lógico que pedriscos e “trocinhos” muito pequenos não são percebidos, mas o feedback do solo não ficou prejudicado. A sola é bem flexível e tem boa aderência, não derrapou em nenhum momento.

    O teste final foi num longo de 16km que terminei de boa, sem bolhas, sem dores, sem calor demais nos pés. Aprovado com louvor. Agora só falta estrear com ele numa prova.

    .

    .

    Retrospectiva 2012

    coded by ctellier | tags: , , , , , , | Posted On domingo, 30 de dezembro de 2012 at 22:04

    meteorologia: chuva sem fim
    pecado da gula: rabanadas
    teor alcoolico: 2 desperados
    audio: queen
    video: once upon a time

    Última lista do ano: os 10 posts mais visitados (por ordem de publicação)

    ♦ 05/02/12 Movimento #DubladoSemOpçãoNão! 123 visualizações
    ♦ 13/03/12 Review » Saucony Hattori 294 visualizações
    ♦ 30/03/12 "Go on. Shoot!" 110 visualizações
    ♦ 09/04/12 O chamado de Cthulhu 110 visualizações
    ♦ 21/04/12 O desafio dos 100 livros - 2a.dezena 132 visualizações
    ♦ 24/06/12 Prometheus 119 visualizações
    ♦ 01/07/12 Pinterest... dinovu?! 126 visualizações
    ♦ 01/07/12 "I smile, and I smile, and I smile." 171 visualizações
    ♦ 24/07/12 Pipocando 102 visualizações
    ♦ 23/09/12 Review » MOTOACTV 111 visualizações



    .

    .

    Ao natural

    coded by ctellier | tags: , | Posted On domingo, 23 de dezembro de 2012 at 19:34

    meteorologia: chuva esparsa
    pecado da gula: esfihas
    teor alcoolico: 1 stella artois
    audio: 89fm
    video: numb3rs

    Para quem acompanha o blog há algum tempo, não é novidade o meu interesse por tênis minimalistas e corrida natural. A aquisição mais recente referente a isso foi um New Balance Minimus Trail (review aqui), que eu estou curtindo demais. Não faço parte dos corredores que se interessaram pelo assunto após a leitura de Born to run (Nascido para correr), de Christopher McDougall. Aliás, shame on me, eu ainda não o li. Mas li vários artigos escritos a respeito em jornais, revistas, sites e blogs voltados para corredores. (o Natal está aí... ainda dá tempo se alguém estiver a fim de fazer um “mimo” me presenteando com o livro :-) )

    Na verdade, não houve um fator ou uma leitura específica que tenha despertado meu interesse em deixar de lado os tênis mais estruturados (conto aqui meus primeiros dias). Acho que mais provavelmente a curiosidade para entender se a tal polêmica ao redor do assunto fazia sentido. Enfim, comecei a praticar e, embora a maioria das revistas especializadas dê boas dicas a respeito, fica sempre uma sensação de algo poderia ser melhorado. E nada melhor do que aprender e pegar algumas dicas com alguém que já pratica há bem mais tempo que eu. E foi o que fiz. Fiquei bastante empolgada ao saber que o Sério Rocha, jornalista da Contra Relógio, iria ministrar uma Clínica de Corrida Natural dia 8 de dezembro, na Velocità Moema. Mais detalhes sobre o evento no site Corrida Natural, também concebido pelo Sérgio.

    Posso afirmar sem dúvida que valeu a pena. Uma coisa é ler sobre o assunto, outra bem diferente é ver a demonstração ao vivo e a cores. Como eu imaginava, a parte teórica da aula trouxe muitos conceitos que eu já conhecia das minhas leituras e tentava, na medida do possível, aplicar durante corrida. Mas o melhor mesmo foi a parte prática. Tirar os calçados e, pés no chão, com a ajuda do professor, “experimentar” a teoria: flexão dos joelhos, relaxamento e cadência. Esta última, eu já havia testado depois de ler um artigo do Sérgio no site. Pode não parecer, mas faz diferença. Por aumentar a frequência da passada, temos a impressão equivocada de que cansará mais. Mas é justamente o inverso, a sensação de cansaço é menor. Bem, e depois dos educativos, desafio lançado: dar uma volta no quarteirão... descalços. Desafio aceito. Já estávamos ali mesmo e, apesar do receio inicial de todos, foi a parte mais divertida da Clínica.

    (abaixo, a filmagem feita durante a Clínica)


    Se restava ainda alguma dúvida para mim de que a técnica funcionava, todas foram sumariamente eliminadas no dia seguinte, domingo, numa prova de 10km no centro de São Paulo. Com os conceitos ainda frescos na memória, coloquei tudo em prática durante a prova. E para minha satisfação, fiz meu melhor tempo em 10km do último ano: 00:51:30. Ainda longe da minha meta de sub50, mas ainda assim muito melhor que os 54 ou 55 min. das provas anteriores. Manter a cadência e a flexão dos joelhos ainda demanda atenção. Porém, tenho certeza que isso passa, assim como quando começamos a dirigir e temos de pensar cada gesto, com o tempo passamos a fazer tudo “no automático”. É um período de adaptação necessário, mas que compensa.

    Enfim, a experiência superou muito a expectativa. Recomendo.





    .

    .

    Motivação, cadê você?

    coded by ctellier | tags: , , | Posted On sexta-feira, 2 de novembro de 2012 at 10:42

    meteorologia: nublado
    pecado da gula: bolo formigueiro
    teor alcoolico: nada ainda
    audio: papo de gordo #100
    video: breakout kings

    Tem dias que tudo o que a gente quer é que o mundo acabe em barranco para morrermos encostados. Acordamos, e o primeiro pensamento é "Precisa mesmo?" - precisa mesmo levantar? precisa mesmo treinar? precisa mesmo trabalhar?

    Já comentei sobre a falta de motivação em um outro post. Complementando as sugestões dadas, segue uma lista de vídeos que dão "aquela" forcinha na hora que a motivação insiste em se esconder.

    Há aqueles que dão o empurrãozinho necessário para calçar o tênis e ir pra rua.

    Há os que comprovam que o resultado compensa o eventual esforço.

    Aqueles que dão um puxão de orelha na nossa preguiça, mostrando que pessoas com mais problemas ou dificuldades que nós estão aí fazendo o que estamos dando desculpas mil para não fazer.

    Há outros para lembrar e se motivar durante o treino - seja de corrida, bike, ou qualquer outro esporte -, dando uma injeção de ânimo, fazendo-nos lembrar que sempre tem uma reservinha de energia para a aquele sprint final.

    Há os que se aplicam para tudo, não só para o esporte.

    Os que mostram que começar, dar o primeiro passo é o mais importante. Feito isso, continuar é (quase) sempre mais fácil.

    Há os que nos lembram que força de vontade é essencial, e que, parafraseando o Locke de Lost, não se deve permitir que alguém diga o que não podemos fazer.

    E há aqueles que mostram que, por maior que seja o desafio, o que importa é acreditar que seja possível. Já dizia o mestre Yoda: "Do, or do not. There is no 'try'."

    É isso aí, bons treinos!























    .

    .

    Review » New Balance Minimus Trail

    coded by ctellier | tags: , | Posted On sábado, 20 de outubro de 2012 at 22:49

    meteorologia: meio nublado, nem frio nem calor
    pecado da gula: pão na chapa com manteiga
    teor alcoolico: nada ainda
    audio: nerdcast #333
    video: bones

    "Like barefoot, only better"

    Quem acompanha, mesmo que apenas eventualmente, meus relatos de treino de corrida sabe - e para quem não acompanha eu conto agora - que há algum tempo eu aderi à utilização de tênis minimalistas. Não de forma radical, substituindo totalmente o uso dos tênis convencionais, mas como forma de variar os treinos. Até o início do mês, a proporção entre meus tênis estava assim:
    • 3 pares convencionais: 2 Brooks e 1 Mizuno
    • 1 par minimalista: Saucony (review aqui)
    Depois da maratona de Floripa, em que utilizei meu Mizuno Prorunner, tive de aposentá-lo pelo tempo de uso e achei que seria um bom momento para igualar a proporção convencionais x minimalistas.

    Minha ideia inicial foi adquirir outro Saucony Hattori. E com essa intenção fui a uma loja especializada. Como a lei de Murphy é onipresente, a máxima "tem, mas acabou" foi o que ouvi de quem me atendeu. Tinha meu número, mas não da cor que eu queria. E, depois de uns vinte minutos testando outros modelos, saí da loja com um Minimus Trail. Não tenho o hábito de experimentar outras marcas ou modelos, mas o fato deste tênis ter sido desenvolvido com a consultoria do ultramaratonista Anton Kupricka, mestre yoda da corrida minimalista, era aval suficiente para mim.



    Primeiras impressões (ainda na loja)
    Depois do mico clássico que todo corredor passa na loja, dando aquela corridinha básica, pude perceber o quanto ele é leve e confortável. Tão leve quanto o Hattori, pesa menos de 200g. Apesar do fechamento com cadarço, veste bem o pé. A forma é larga, não aperta os dedos. É muito, muito flexível mesmo. Tão confortável que a sensação é de estar de chinelos e não de tênis.

    Teste na rua
    E já que hoje era dia de treino - um longão, não tão longo assim, 14 km - nada mais natural que estrear o "brinquedo" novo. Metade da distância em grama/terra, metade em calçadas. Desempenho bastante satisfatório em ambos. Ótima "aderência" em terrenos desnivelados e baixa sensação de impacto no cimento. A sola em Vibram garante a percepção da superfície do terreno ao mesmo tempo que protege de objetos pontiagudos, pedras, lascas de madeira, etc. Assim como o Hattori, não possui qualquer sistema de amortecimento mas o solado amortece o suficiente para manter a passada bem confortável. O tecido telado mantém os pés aerados, auxiliando na evaporação do suor. O tênis não "pegou" em nenhum ponto do pé, nem criou nenhuma nova bolha. Manteve-se ajustado no pé, que não ficou "sambando" dentro do calçado em qualquer momento. E, apesar de eu ter enfrentado várias ladeiras durante o treino, nem os pés nem as panturrilhas sofreram os efeitos mais que o habitual.

    Gostaria de estreá-lo numa prova amanhã, na SP Run. Mas todo corredor sabe que o ideal é alternar os tênis utilizados, então, domingo será dia de calçar o Hattori. Afinal, 8 km pedem tênis bem leves, para tentar bater o RP*.

    Concluindo, para quem procura um tênis minimalista, o New Balance Minimus Trail é mais uma boa opção.



    (*) Recorde Pessoal

    .

    .

    Review » MOTOACTV

    coded by ctellier | tags: , | Posted On domingo, 23 de setembro de 2012 at 15:33

    meteorologia: vento frio e sol
    pecado da gula: misto quente
    teor alcoolico: 1 hoegaarden
    audio: podcast cinema em cena #54
    video: polisse

    Desde que fiquei sabendo do lançamento desse “aparelhinho” da Motorola, há quase um ano (leia aqui), ele está no topo da minha wish list de artigos para corrida. A perspectiva de ter um relógio com GPS, mp3 player, rádio FM e sistema operacional Android para substituir meu Garmin era muito, muito interessante. Já comentei, tanto no Twitter quanto aqui no blog, sobre os percalços no uso do Garmin. Troquei meu Polar RS300 com sensor inercial por um Garmin 405 no intuito de acompanhar melhor meus treinos, mas o resultado deixou (muito) a desejar. Por várias vezes, me arrependi da troca, já que, ao contrário do Polar, o Garmin com frequência travava e se recusava a iniciar o treino ou então, apagava, sem mais nem menos, no meio de um treino, além do touch enlouquecer com suor e chuva. Da última vez que ele “me sacaneou”, tive ganas de jogá-lo no meio da rua e vê-lo ser esmagado sob a roda de um carro.

    Finalmente, chegou a oportunidade de adquirir o MotoActv, que foi entregue ontem. O ‘unpacking’ do produto está abaixo e, enquanto abria a embalagem, eu pensava: “A primeira impressão é a que fica, se usar o aparelho causar essa mesma impressão, já estou no lucro.”.


    Conteúdo:
    - aparelho;
    - cabo USB (conector mini);
    - fones de ouvido + “borrachinhas” auriculares de vários tamanhos e modelos;
    - pulseira;
    - clip.


    O aparelho tem tela touchscreen de 1,6 polegadas, e, assim como um celular, tem alguns botões físicos que facilitam o uso:
    - topo: botões Start (iniciar e interrompe o registo de treino) e Music (acesso ao player);
    - direita: botões de controle de volume e liga/desliga;
    - embaixo: entrada para o fone;
    - esquerda: entrada para o cabo USB.
    Complementando, também como nos celulares, há na tela um “botão” de Back. A sensibilidade da tela é muito boa - melhor até que do meu celular - e, importante, é Gorilla Glass.

    Depois de desempacotar tudo, liguei o aparelho, torcendo para ter um restinho de bateria. E tinha. O suficiente para conseguir navegar por todos os menus e configurar o básico para uso. Nesse momento, o maior receio era a dificuldade de leitura devido ao tamanho da tela do dispositivo. Sim, é pequeno, mas os itens de menu são bem legíveis e a navegação é bastante intuitiva. Apenas conferi depois o manual que o acompanhava para verificar se não tinha deixado de ver algum recurso. Assim que é ligado, solicita a configuração de itens básicos: data/hora, fuso horário, idioma. Feito isso, é só sair usando.

    Há cinco telas principais: Configurações, Treino, Relógio, Música, Avisos.

    Configurações:
    - Treino
    - Sensores
    - Sem fio
    - Função economizar bateria
    - Perfil pessoal
    - Música
    - Exibir
    - Avisos
    - Geral

    Apesar de estar interessada em adquirir o dispositivo, não me informei muito sobre todas as suas funcionalidades. Para mim, já bastava o fato de ter o GPS, o player e o rádio. Porém, ao percorrer o menu de configurações, descobri que os recursos iam muito além do que eu esperava. Em Sensores, é possível configurar um frequencímetro Ant+ ou BLE - testei hoje e funcionou perfeitamente, encontrou, identificou e conectou-se ao sensor em poucos segundos. Em Sem fio, além do Bluetooth (que eu já esperava), há também a possibilidade de configurar uma conexão Wi-fi. Testei o Bluetooth hoje também e pareou com meu fone rapidamente, sem complicações. E o wi-fi também. O aparelho localizou a rede aqui de casa, conectou e fez a transferência de dados após a corridinha de hoje - test-drive de pouco mais de 3 km.

    Ainda no quesito conectividade, quem tem um celular Motorola com Android - como eu - pode usufruir de mais um recurso. Basta instalar a app do MotoActv - disponível no Market -, para parear os dispositivos e passar a receber avisos de ligações recados, ler SMS e, com a ajuda de alguns plug-ins, receber notificações do Facebook e do Twitter também. É útil, apesar de eu não achar essencial, além de aumentar o gasto da bateria por deixar o Bluetooth ativado.

    Aproveitando a deixa para falar da bateria. Ainda não testei a duração. Mas num dos menus de configuração, há a possibilidade de configurar o aparelho para um “modo economia”, em que a sincronia do GPS é feita em intervalos maiores - a cada três segundos ao invés de um. Fiz um treininho de 20 minutos que consumiu pouco mais de 10% da carga. Porém deve-se levar em conta que fui usando o fone bluetooth, o que aumenta consideravelmente o consumo. Diferente do Garmin, há a possibilidade de ligá-lo apenas na hora do treino, economizando ainda mais. Mas acredito que deve durar entre 3 e 4 dias.

    Na segunda tela, Treino, mais uma descoberta: a possibilidade de usar o dispositivo tanto para treinos na rua como indoor. Na rua, obviamente com o GPS que, na primeira vez que liguei, demorou menos de 2 minutos para localizar os satélites; e depois o fez em pouco mais de 15 segundos. E na esteira, em que é preciso calibrar o hodômetro interno, o que eu ainda não testei. Um dos meus receios, ao sair na rua para correr, era que as informações na tela ficariam difíceis de ler devido à luminosidade externa. Nada disso. Fica tudo perfeitamente legível e rápido de ler. As informações disponíveis são selecionada pelo próprio usuário. Há cerca de 20 possibilidades, entre gasto calórico (médio ou total), ritmo, distância, altimetria, quantidade de passos, etc. Além dos dados exibidos, é possível ativar o “companheiro de treino” e configurar o que será informado via fone. Não costumo utilizar, mas ativei apenas para testar e não me desgradou. Configurei para informar quando se completa uma volta (1 km) e qual o ritmo. Mas é possível configurá-lo também para informar quebra de RP, melhor pace, maior distância percorrida, entre outros. E não funciona apenas para corrida, há outra modalidades que podem ser configuradas.

    Ao final do treino, veio a parte mais legal. O relatório é bastante completo, incluindo até um mapinha do percurso, além do que se espera normalmente: distância total, ritmo (média e máximo), frequência cardíaca (mínima, média e máxima), altimetria, etc. Lógico que a telinha do MotoActv não é o local mais indicado para analisar o relatório. Sendo assim, assim que o dispositivo se conecta à rede wi-fi e transmite o treino para o site do MotoActv (http://motoactv.com), é possível ver tudo em detalhes e, querendo, compartilhar o treino nas redes sociais também - assim como o Endomondo.

    A tela do Relógio tem as funcionalidades default de um relógio digital. É possível alterar a “cara” do mostrador - digital ou analógico. Há um cronômetro e um temporizador - dá para usar no treino de musculação ou qualquer outro em que se tenha treino intervalado.

    O player é bastante completo e ao mesmo tempo simples de usar. Para quem curte (como eu), há uma opção específica para podcasts. E para quem usa (eu não) é possível sincronizá-lo ao iTunes. Transferir arquivos é uma operação do tipo ‘arrasta e solta’, sem complicações. A qualidade do som é muito boa. Os fones que acompanham são daqueles com suporte auricular, para não caírem durante a corrida, com aquelas “borrachinhas” que encaixam super bem em qualquer tamanho de orelha. O comprimento do fio é suficiente - ao menos para mim, que sou baixinha - para não atrapalhar os movimentos do braço caso o aparelho esteja no pulso. No fio, há ainda um pequeno controle que permite trocar as faixas. Mas, em caso de muito suor, é possível desativé-lo para evitar mudanças indesejadas.


    Outro ponto positivo é a atualização do software. Ao conectar o aparelho via usb a um computador pela primeira vez, é instalado o MotoCast que, entre outras coisas, gerencia os updates. Após a instalação, o meu fez download de dois upgrades, baixou e instalou tudo rapidinho.

    Conforme o fabricante, o aparelho é à prova de suor e respingos, o que não quer dizer que seja à prova d’água. Ou seja, melhor não tomar banho com ele. Mas como não tenho esse hábito, para mim não chega a ser um ponto negativo.

    Além dos acessórios que vieram com o meu aparelho, há outros disponíveis: braçadeira, clip para bike e headset bluetooth. E, com tamanha quantidade de recursos, em comparação com alguns modelos de Garmin e mesmo Polar, acho que o preço é bem razoável - R$ 799,90 na Netshoes.

    Enfim, foi o gadget cuja compra me deixou mais satisfeita nos últimos tempos. Ainda não testei tudo, mas até agora estou bastante satisfeita. E espero que continue assim. Falta ainda um teste casca-grossa com um treino bem longo e bem suado, mas a maratona de Floripa está quase aí pra me ajudar nisso. Pra quem se interessar, tem um podcast da Bia Kunze, comentando sobre ele: Podsemfio n.117 – MotoACTV.

    Bye Garmin 405. NÃO foi bom enquanto durou :-P




    .

    .

    Águaaaaaaa!!!

    coded by ctellier | tags: , | Posted On domingo, 9 de setembro de 2012 at 14:46

    meteorologia: sol e calor
    pecado da gula: cachorro quente
    teor alcoolico: nada ainda
    audio: add_0875
    video: cabine literária 68

    Não tenho a intenção de discutir a importância da hidratação durante a atividade física. Todo corredor sabe o quanto é importante. Também não pretendo discutir sobre qual é a frequência ideal de ingestão de líquidos - se é preciso beber antes da sede ou apenas quando ela aparece. E nem afirmar nada sobre o que é melhor ingerir - água ou isotônicos. Meu intuito é falar sobre o aspecto prático da hidratação: como levar a água, ou o que quer que o corredor pretende beber.

    Para quem treina indoor, isso simplesmente não é um problema. Toda esteira tem um porta-squeeze e, mesmo que não tivesse, bastaria deixar a garrafinha ao lado dela e beber a qualquer momento ou interromper o treino por alguns minutos e ir até o bebedouro.

    Mas para quem treina na rua na maior parte das vezes - e eu me incluo - isso costuma ser um problema. Em treinos curtos, não sinto muita falta. Até uns 8 km, faço numa boa. A partir disso, sem condições. Sei de corredores que aguentam correr uma distância maior sem hidratar, mas não sei se pode-se considerar uma atitude muito saudável.

    As opções são variadas. Para quem treina com uma assessoria, é possível ir ao parque ou à USP aos sábados e fazer uso dos "postos de hidratação" estrategicamente colocados. Mesmo para quem não treina com assessoria, há sempre a opção dos bebedouros. Eu treino com uma assessoria, mas, ultimamente, não estou com muita paciência para ficar dando voltas e mais voltas num parque ou mesmo na USP. Acabei optando por correr na rua mesmo, usando o Garmin para contabilizar a distância - e torcendo para que ele não trave ou desligue no meio do caminho.






    Fazendo isso, não só eu mas outros corredores também nos vemos frente a uma decisão a ser tomada: como hidratar-se? Basicamente, acho que há quatro maneiras:
    • usar um cinto de hidratação;
    • usar uma mochila de hidratação;
    • levar um squeeze;
    • não levar nada para beber, mas levar dinheiro e ir parando para comprar água e/ou isotônico no meio do percurso.






    Não tenho a pretensão de afirmar que um outro método seja melhor. Vou falar sobre o que funciona para mim. Vamos às minhas considerações sobre cada uma das alternativas:
    • cinto de hidratação
      Já havia tentado usar um daqueles com uma garrafinha de 750ml. Não gostei, chacoalhava demais e a garrafinha, que deveria permanacer para trás, vinha sacolejando e volta-e-meia já estava na frente. Pensei depois num daqueles com várias garrafinhas pequenas, até 200ml. Testei numa loja e também não gostei. Não chacoalhava tanto quanto o outro modelo, mas ainda assim me incomodava.
      Descartado.
    • mochila de hidratação
      Nunca foi realmente uma opção para mim. Porém, já que havia ganho uma no WBT (World Bike Tour), pensei que não faria mal algum experimentar. Testei e também não gostei. Eu não sou muito alta e não consegui ajustar a mochila de modo que ficasse bem justa ao corpo, sem ficar chacoalhando muito. E tem o agravante de que, por eu correr sempre usando regatas, as alças ficavam incomodando.
      Descartada.
    • dinheiro
      Aparentemente, o mais prático. Mas tem o inconveniente de que é necessário planejar o percurso a fim de passar por padarias, botecos e similares e fazer o pit-stop de hidratação. Além disso, há quem não goste de fazer essas paradinhas no meio do treino,mas eu não me incomodo.
    • squeeze
      Sempre me pareceu a melhor opção. Eu tinha um porta-garrafa da Asics, que eu não usava com a garrafinha que acompanha, mas com uma da Reebok. Ela é mais estreita e mais confortável de segurar, já que não tenho mãos grandes. E eis que vejo, por acaso, a garrafinha Fuel Belt com suporte pra mão anunciada no Mercado Livre (a de bolso laranjinha na foto). Pelas fotos, parecia bem mais "anatômica" do que a que eu vinha usando até agora. E já que o preço não era uma exorbitância - R$ 49,00 -, comprei. Chegou no meio da semana e estreei ontem no longão.
      Aprovada 100%. Ótimo encaixe. Na minha mão, que é pequena, ficou super bem ajustado. Como o suporte tem regulagem, acredito que para mãos maiores o ajuste também fique bom. O formato da garrafa beira a perfeição, já que a mão fica numa posição bem natural ao segurá-la. E, muito importante, não é preciso "fazer força" para carregar a garrafa, pois o suporte a prende à mão quase como uma extensão do nosso corpo. O suporte tem um bolso maior com zíper e um outro menor com velcro. No primeiro cabem dinheiro, chaves, documentos e similares. E o segunto foi projetado possivelmente para moedas - mas eu usei para levar uma pastilha de Suum.

    Finalizando, nas minhas corridas longas na rua, optei por uma combinação dinheiro + squeeze (o da Fuel Belt). Ontem, por exemplo, levei-o preenchido com Enduroxx. Quando esvaziou, parei numa padaria e comprei uma garrafa d'água de 500ml. Bebi metade na hora e enchi o squeeze. Cheguei ao Ibirapuera, tomei uma água de côco, enchi novamente o squeeze num bebedouro e coloquei a pastilha de Suum. Deu certinho, não fiquei com o tanque seco em nenhum momento.


    .

    .

    Eu corro, eu escrevo, eu me preparo

    coded by ctellier | tags: , , | Posted On quarta-feira, 5 de setembro de 2012 at 18:34

    meteorologia: sol e calor
    pecado da gula: amêndoas nutty bavarian
    teor alcoolico: nada ainda
    audio: kid abelha
    video: bones

    Este post saiu meio assim, no improviso. Digo "meio" pois metade dele - a ideia - surgiu inesperadamente enquanto lia uma HQ. Mas a outra metade - a escrita - não foi improvisada, apesar de ter tido alguns insights inesperados enquanto anotava os tópicos.

    Na minha opinião - sei que há quem discorde - sem planejamento, dificilmente obtem-se bons resultados, seja na escrita, seja na corrida. Obviamente, que nem sempre tudo corre conforme o planejado, há sempre imprevistos ou inspirações súbitas. Mas ter em mente, em linhas gerais, o que se pretende fazer dá-nos a liberdade de improvisar com mais segurança, minimizando riscos e/ou problemas. Aliás, o improviso faz parte. Acrescenta aquela pitada de "desconhecido", de desafio que é combustível para a maioria das ações humanas.

    Não foi apenas uma, nem duas, mas muitas vezes que, ao escrever - seja post, crônica ou conto -, à medida que desenvolvo uma ideia, outra se apresente quase "do nada". Lógico que não veio do nada, meu cérebro fez o trabalho duro de juntar pontas soltas sobre o que eu estava pensando e trouxe à tona apenas o que interessava: a ideia consolidada. E, vejo-me escrevendo sobre algo que inicialmente eu sequer pensara, tendo que encaixar a nova ideia no texto que eu planejara tão cuidadosamente. Esse esforço fora do escopo inicial é ainda mais gratificante, justamente por ser sem premeditação.

    E, na corrida, não é diferente. Podemos ter tudo planejado, esquematizado - pace de tanto até o quilômetro tal, gel a cada tantos quilômetros, bala de goma ou qualquer outro doce a cada posto de água, ritmo progressivo ou constante. Mas são tantas variáveis que, impreterivelmente, algo vai sair "da linha". E o ser humano é um bichinho que está sempre pronto para dar um jeitinho e fazer as coisas voltarem ao eixo. Dou até um exemplo recente. No meu penúltimo longão, de 22km, resolvi ir da minha casa (moro próximo ao autódromo) até o parque Ibirapuera. Antes de sair, planejei meu percurso, por ruas e avenidas já conhecidas. E, em alguns momentos, tive de fazer alterações inesperadas, tanto por conta de obras do metrô, como por alguma alteração nas vias (faróis de pedestre desativados, por exemplo).

    E, tanto na escrita quanto na corrida, o preparo do escritor/atleta é parte essencial. Porque uma boa parcela do bom resultado frente a situações inesperadas é ter conhecimento e jogo de cintura suficiente para saber como encará-las. E voltamos ao planejamento. Planejar não é apenas esquematizar exatamente o que se pretende fazer em condições ideais. Planejar é "cercar o frango" o máximo possível. É tentar pensar nos imprevistos mais prováveis e ter uma solução de contorno para o que for possível. Por exemplo, na corrida, é ter a resposta para "Como recupero o tempo perdido se eu tiver de fazer um pit-stop?". Na escrita, "Como eu conecto uma nova cena (ou parágrafo) ao restante do texto?". Dando continuidade ao exemplo do parágrafo anterior: antevendo a possibilidade (grande, infelizmente) de o Garmin dar problema no meio do trajeto - o que de fato ocorreu - eu havia olhado no Google Maps para ter uma ideia da distância de casa até o parque. Fazendo isso, percebi que precisaria chegar ao parque e ainda dar uma volta lá dentro para completar os 22 km. E dito e feito! Antes de chegar ao quilômetro 16, o Garmin simplesmente apagou (maldito!). Porém, apesar da minha irritação com o fato - tive impulsos de jogá-lo no meio da rua e vê-lo espatifar-se sob as rodas dos carros -, terminei meu treino como previsto, já que a solução de contorno estava disponível.

    Não estar preparado, em ambos, pode ser fatal. Eu sei, soa um pouco dramático demais, mas é quase isso. Ao improvisar na escrita, o óbvio acontece. Tem-se um texto mal-escrito, mal-emendado, com ideias soltas e desconexas. Na corrida, pode fazer o atleta passar mal durante a prova ou, na pior das hipóteses, levar a uma lesão. E a "culpa" não é do improviso, do imprevisto. É a falta de preparo que causa esses efeitos colaterais desagradáveis.

    Falei sobre escrita e sobre corrida e vou finalizar falando sobre música. O jazz é um exemplo perfeito de que o improviso bem sucedido depende de um bom preparo. Meu avô por parte de mãe, que eu não cheguei a conhecer, era músico. Tocava clarinete e trompete. E, segundo me contaram, dizia que o jazz era para músicos de verdade. Dizia que, para tocar jazz (muito bem), o músico deveria ter total controle sobre a técnica, sobre o instrumento, pois sem isso seria impossível improvisar de modo satisfatório. Parece contraditório, mas não é. Aos que não conhecem, faz-se necessária uma rápida explicação sobre o "fazer jazz" - rápida e superficial, pois jazz é muito mais que isso. Um grupo de jazz, ao tocar, segue uma linha melódica principal. Depois de executarem o que está na partitura, começa a improvisação. Cada músico tem oito compassos, em geral, para improvisar livremente (ou quase) e, ao final, voltar ao tema principal. E fazer isso sem ter domínio total sobre o instrumento é, no mínimo, uma imprudência. Enfim, planejamento é importante, mas preparo é fundamental.

    (A propósito, a ideia para o parágrafo de conclusão veio no improviso. Eu tinha outra coisa em mente. Mas fui pegar um copo de café e, nesse meio tempo, meu cérebro se encarregou de fazer piscar em letras garrafais a palavra “jazz” na minha cabeça.)

    .

    .

    Pipocando

    coded by ctellier | tags: | Posted On terça-feira, 24 de julho de 2012 at 12:00

    meteorologia: nublado
    pecado da gula: nada ainda
    teor alcoolico: nada ainda
    audio: ligado em série #010
    video: extremely loud and incredibly close

    Peço desculpas aos leitores não-corredores, mas este é mais um post sobre corrida. Vai ser curtinho, pois sei que nem todos compartilham minha paixão por correr.

    Apesar de o título do post fazer referência ao ato de "pipocar" numa prova - correr sem estar inscrito - não é minha intenção discutir sobre a validade disso (ou não). O que eu gostaria de compartilhar é a satisfação que senti ao pipocar na segunda etapa do Circuito Athenas.

    Como meu foco é a maratona, atualmente tenho procurado e dado preferência a provas mais longas, meias maratonas principalmente. Apesar de 10 milhas ser uma distância boa para correr, eu não tinha feito inscrição para essa prova. Aliás, nem me lembrava que ocorreria no último domingo.

    Coincidentemente, o email do Training Peaks com meu treino de sábado chegou quase ao mesmo tempo que um outro falando do Circuito Athenas. E, coincidentemente, meu longão do fim de semana era de 16km. Imediatamente pensei em usar a prova para treinar. Mas acordei no sábado com vontade de correr e assim o fiz. Já que não havia feito inscrição, a probabilidade de a preguiça me atacar no domingo de manhã era bem grande. Assim, achei melhor fazer logo meu longão.

    Ainda no sábado, alguns #twittersrun perguntavam se eu estaria na prova. @abreutax e @leviluis deram o empurrãozinho que faltava. Depois de responder afirmativamente eu tinha de ir, afinal sou uma mulher de palavra.

    E fui. Corri totalmente descompromissada com tempo ou performance, já que o longão do dia anterior justificaria o cansaço. Contudo, o resultado foi melhor que qualquer expectativa. Como é possível notar nas fotos, corri com uma disposição que há muito não sentia em provas. E fechei em 1h29m, apenas um minuto acima do meu melhor tempo nessa distância.

    Independente de ser correto ou não pipocar, pra mim, participar dessa prova foi bom demais. Recuperei o entusiasmo que há muito eu não tinha. E tomara que dure bastante. É isso.

    Ah, em tempo. O novo percurso da prova, sem o trecho do acesso à Ponte Transamérica, ficou muito, muito melhor pra quem quer melhorar seu tempo. Definitivamente, essa deve ser a prova mais rápida do calendário.

    .

    .

    #meiadesampa

    coded by ctellier | tags: | Posted On segunda-feira, 16 de julho de 2012 at 09:19

    meteorologia: chuvinha chata
    pecado da gula: nada ainda
    teor alcoolico: nada ainda
    audio: argcast #95
    video: bones


    Alguns comentários sobre a prova de ontem (15/07):

    Saí de casa antes das 6 da manhã, escuro ainda. Não gosto de fazer isso, mas não tinha outra maneira, já que o horário de entrega do chip iria apenas até as 6:30.

    Durante o trajeto pela Marginal Pinheiros, fui pensando: "Na rua, neste horário só tem noiado voltando da balada, crentes indo pra missa do padre Marcelo e malucos atletas indo correr uma meia maratona.

    Para quem não viu quando dei check-in Jockey ontem cedo, a foto ao lado mostra como estava o dia - meio noite ainda - na hora que cheguei para retirar o chip.

    Devido a frio intenso, tive de tomar duas atitudes diferentes do habitual:
    1. Correr vestindo uma camiseta com mangas - curtas, não longas. Sempre corro de regata, sou calorenta demais, mas ontem não tive alternativa.
    2. Deixei para colocar a mochila no guarda-volumes bem próximo do horário da largada. Habitualmente, chego à arena da prova e já fico pronta pra correr. Ontem, não foi possível, fiquei de calça e blusa até 10 minutos antes da prova.

    Apesar de tentar manter a temperatura corporal, movimentando as pernas, enquanto aguardava a largada, devido ao atraso comecei a ficar com ainda mais frio. Só consegui realmente me sentir de volta à temperatura normal, por volta do terceiro quilômetro. Mas apenas voltei a sentir meus dedos do pé, depois do quinto. Sinceramente, não me lembro de ter passado tanto frio numa prova. A propósito, o primeiro termômetro de rua pelo qual passamos no trajeto marcava 7º...

    O primeiro quilômetro foi bastante sofrido. Respirar aquele ar gelado da manhã não estava sendo muito fácil. Sensação de que, a qualquer momento, iria faltar oxigênio - no pulmão e no cérebro. Realmente desconfortável. Assim como eu, vários outros corredores deveriam estar pensando: "Eu poderia estar aconchegante na minha cama, debaixo das cobertas... O que eu estou fazendo aqui?"

    Depois de recobrar a sensacão de calor corporal, tudo ficou mais agradável. A prova é bem gostosa. O horário - apesar do frio - é o ideal. A hidratação estava OK - gatorade inclusive. O trajeto é quase todo plano, favorecendo quebras de RP (recordes pessoais). Única ressalva ao trajeto foram os 2 quilômetros finais dentro do Jockey. Gosto muito de correr na areia, mas ontem o piso, ali próximo ao muro, estava demasiadamente irregular, atrapalhando bastante a manutenção do ritmo.

    Cheguei ao final em melhores condições que no percurso de 25km da Maratona de São Paulo. O Garmin indicava que eu havia passado pelos 21km com 1h59m, tendo totalizado 21,2km de prova. Pelo resultado oficial, fechei em 2h01m. Enfim, 2h na média, 12º lugar por categoria está de bom tamanho.
    Conversando com outra atleta, soube que não apenas o meu Garmin havia marcado um total maior, mas isso é apenas um detalhe. Sou diletante, atleta amadora, não serão 200m que farão tanta diferença nos meus resultados.

    Para finalizar, as duas estreias na prova de ontem:
    1. Fiz a prova calçando meu Saucony Hattori (post aqui). Ao mesmo tempo em que estava animada - ultimamente é o tênis que mais me agrada usar - estava apreensiva em utilizá-lo numa distância tão longa. Mas não houve surpresas desagradáveis. Aliás, ao contrário, foi agradável terminar a prova sem qualquer dor na planta do pé, como vinha ocorrendo ao fazer uso de outros modelos de tênis "mais parrudos". E o "day after" está normal, apenas o cansaço muscular usual do dia seguinte de uma meia maratona.
    2. Eu costumava levar um daqueles tubinhos de M&M's cheio de castanhas e passas, para ir comendo durante o percurso de provas longas. Como tudo que se repete exaustivamente, eu enjoei. E resolvi testar uma alternativa que se revelou bastante eficiente, além de gostosa. (Não é propaganda!) Já era adepta dos waffles Stinger nos meus rolês de bike ou depois dos longões. Conheci, há pouco tempo, as balinhas de goma energéticas da mesma marca: bouchées énérgetiques biologiques (organic energy chews). Sou suspeita para falar, pois adoro bala de goma. E essas são bem saborosas. Meus sabores prediletos são Laranja e Limão, mas os demais também são gostosos. Levei um pacotinho e fui comendo uma ou duas a cada posto de hidratação. Não tive qualquer desconforto estomacal e mantiveram meu pique até o final. Aprovadas.

    Enfim, a prova foi boa, apesar do frio. Detesto frio. Ainda falta muito para o verão voltar?

    .

    .

    Olha a fila!

    coded by ctellier | tags: , | Posted On domingo, 17 de junho de 2012 at 20:13

    meteorologia: ensolarado
    pecado da gula: esfihas
    teor alcoolico: 1 colorado caium
    audio: cabulosocast #25
    video: criminal minds

    Corri hoje o percurso de 25km na XVIII Maratona Internacional de São Paulo. Mas o assunto deste post não é a prova. É sobre algo que já comentei aqui no blog quando participei do World Bike Tour 2011. A lei de Gerson, cuja premissa é levar vantagem em tudo.

    Deixei para buscar o kit da prova ontem após o almoço. Eu sempre busco no sábado pela manhã, mas ia a um evento às 16:00 ali perto e quis “aproveitar a viagem”. Cheguei ao local de entrega e a fila estava quilométrica - literalmente. Apesar de longa, a fila até que andava bem e, 40 minutos depois estava saindo dali. Não, não tenho o que reclamar da organização. A fila devia-se à enorme quantidade de pessoas que deixou para pegar o kit no sábado à tarde - na maioria, corredores de fora de São Paulo que estavam chegando à cidade. E, chegada a sua vez, todo o processo era bem rápido e eficiente.

    O post é sobre a “arte” de cortar filas e como se dar bem à custa da boa vontade alheia. Antes de mais nada, deixe-me explanar uma das muitas técnicas - ou seria melhor dizer “táticas” - disponíveis:
    1. Aproxime-se da fila como se estivesse procurando alguém, pedindo licença com extrema educação.
    2. Encontre uma pessoa, ou duas, com cara de trouxa (sei que a definição atualmente remete ao universo de Harry Potter, não consegui pensar num adjetivo mais específico, mas acredito que a maioria dos leitores entendeu o sentido).
    3. Comece a falar como se não se dirigisse a ninguém especificamente e espere o(s) trouxa(s) responder(em), mesmo que seja apenas com um aceno de cabeça.
    4. Conte uma estória que inspire a compaixão e a solidariedade do trouxa, frisando sua dificuldade em estar ali naquele momento.
    5. Neste passo, o trouxa já estará dando respostas verbais. Aproveite, então, para se aproximar ainda mais e simular uma intimidade que apenas o furador de fila e o trouxa sabem que não existe.
    6. Continue acompanhando a fila e conversando amenidades com o trouxa.
    Pronto! Objetivo atingido!

    Foi exatamente isso que presenciei ontem na fila para pegar o kit, quando estava quase entrando no local da distribuição.
    No ginásio do Ibirapuera estava ocorrendo um outro evento, o “Disney on ice”. Um homem, de uns 30 e poucos anos, com três ingressos para o espetáculo em mãos, além do comprovante para a retirada do kit, veio pedindo licença até chegar à porta. Ali, perguntou a um casal, dois lugares à minha frente na fila, sobre o horário em que terminaria a entrega de kits (era às 16:00). Recebendo a resposta, que eu desconfio que ele já soubesse, começou a se lamuriar, dizendo que o espetáculo começava às 15:00 e não terminaria antes do encerramento da entrega. Lamentava ter gasto 180 reais por ingresso e ter de ficar ali na fila apenas por que os horários coincidiam. Enquanto isso a fila andava, e ele ia junto, puxando assunto com um rapaz, logo atrás daquele casal na fila. E assim foi. Em menos de 5 minutos, o homem se infiltrou na fila na maior cara-de-pau.

    Admito, eu poderia ter reclamado, porém não estava a fim de me estressar. As pessoas à minha frente não repararam, ou fingiram que não repararam e também não falaram nada. Mas o que me deixou admirada foi a fleuma do indivíduo. Agia como se tivesse o direito de fazer aquilo, já que precisava estar no espetáculo cujos ingressos segurava e fazia questão de exibir. São pessoas assim que deturpam o sentido do “jeitinho brasileiro”. O nosso jeitinho tem de ser reconhecido pela nossa habilidade em encontrar soluções para problemas aparentemente insolúveis e contornar situações com criatividade aliada a tenacidade. É lógico que cada um acha que seu problema é mais importante que o dos demais, isso é intrinsecamente humano. A falha de caráter está em pensar que isso é motivo suficiente para levar vantagem sobre outrém sempre que a oportunidade se apresentar (ou for criada propositalmente). Que exemplo um homem assim dá para os filhos?

    .

    .

    Em ritmo de corrida

    coded by ctellier | tags: | Posted On sexta-feira, 15 de junho de 2012 at 14:46

    meteorologia: meio nublado
    pecado da gula: pão na chapa com manteiga
    teor alcoolico: nada ainda
    audio: nerdcast #315
    video: true blood

    Dias atrás, lendo este post no blog "Diário de uma corredora", peguei a indicação de um site que foi direto pra minha lista de favoritos: jog.fm. Um conceito super simples: o usuário digita o pace desejado e o sistema do site lista várias músicas, de vários estilos, que se encaixam nesse ritmo. Conforme o site, serve para andar, correr ou pedalar.

    Tenho instalado no meu notebook, um software que mede o BPM (batimento por minuto) das músicas. Porém, convenhamos, é bem cansativo - para não dizer "chato" - selecionar as músicas uma a uma e fazê-las passar pelo software. Com uma dificuldade a mais: preciso saber que 165 bpm corresponde a um pace de mais ou menos 5:20/km. Lógico que depois de algum tempo de uso, acabamos decorando a tabelinha de conversão. Mas mesmo assim, simplesmente digitar o pace e dar OK, é muito mais rápido e eficiente. Sobra tempo para ouvir e escolher (ou não) músicas que não temos o hábito de incluir nas playlists. E, como já escrevi em outro post, variar a playlist é uma das muitas maneiras de manter a motivação nos treinos.

    Explorei o site, digitando paces variados e observando o resultado. E duas descobertas agradáveis ocorreram:
    • Várias músicas que eu usualmente colocava no meu mp3 player apareciam nas listas (comprovando minha noção de ritmo).
    • A possibilidade de filtrar por gênero musical abriu novas perspectivas e não sosseguei enquanto não montei minha playlist para a prova do próximo domingo - veja/ouça aqui.

    Para os mais preguiçosos, há a possibilidade de pesquisar playlists prontas. Mas eu preferi montar a minha a partir do zero.

    Lógico que não é possível o site englobar todas as opções musicais do mercado. Mas é uma ajuda e tanto na hora de variar a playlist. Acredito que, assim como eu, a maioria dos corredores que ouve música enquanto treina enjoa das playlists em algum momento. Este site foi feito sob medida para acabar com isso.





    .

    .

    Review » Saucony Hattori

    coded by ctellier | tags: , | Posted On terça-feira, 13 de março de 2012 at 18:47

    meteorologia: nublado e calor
    pecado da gula: espetinho de frango e provolone
    teor alcoolico: nada ainda
    audio: legião urbana
    video: desperate housewives

    Todo corredor sabe ou ao menos desconfia que o tênis nosso de cada dia tem vida útil limitada. Essa vida útil costuma variar entre 500 e 700km rodados, dependendo do modelo. Passada essa quilometragem, mesmo que o tênis pareça estar ainda em boas condições, provavelmente já perdeu as qualidades que fazem dele um bom calçado para correr, já que o sistema de amortecimento e a elasticidade dos tecidos ficam comprometidos. Talvez ainda dê um “bom caldo” como calçado para uso no dia-a-dia, mas para treinar, não.

    A maioria dos corredores costuma ter, no mínimo, dois pares de tênis que são utilizados em dias alternados. Essa prática é recomendada não só para que o calçado seque entre um treino e outro, mas também para que “descanse” e restaure suas características. Os mais dedicados - ou poderia dizer também, viciados - costumam ter modelos diferentes para treinos e provas e para distâncias diversas.

    Bom, um dos meus pares prediletos, um Mizuno ProRunner, estava próximo da aposentadoria e, já pensando no par seguinte a ser utilizado, comecei a pesquisar as opções disponíveis. Sei que a tendência natural é não mexer em time que está ganhando, mas corredores são uma raça estranha, estão sempre à caça de novidades. E era grande a vontade de experimentar um outro modelo, que talvez me deixasse ainda mais satisfeita e mais próxima de uma das minhas metas de corrida - 10km em 50min. ou menos. Sempre fui fiel às minhas marcas favoritas - Mizuno e Brooks - mas, saindo da minha zona de conforto, resolvi experimentar outras.

    Já que o assunto mais em voga atualmente é “correr descalço ou não, eis a questão”, achei que seria interessante procurar um meio têrmo e optar por um tênis minimalista. Pra quem já se acostumou a correr descalça na esteira - ou na grama e na praia - ou calçando o FiveFingers na rua, pensei que essa seria uma boa opção. E não me enganei. Tinha visto o New Balance Minimus Trail, ao buscar o kit de uma prova. Lembrei-me dele ao procurar alternativas e pareceu-me uma boa escolha. Mas acabou não sendo o eleito. Fui a uma loja a fim de experimentar o modelo, mas não tinha meu número. O vendedor ofereceu-me o Saucony Hattori, que tinha acabado de chegar. Experimentei e gostei, mas ainda queria tirar a dúvida experimentando o Minimus. Consegui fazê-lo alguns dias depois. Não vou dizer que não é confortável, apenas não vestiu muito bem no meu pé, e acabei adquirindo o Hattori.

    Primeiríssimas impressões, ao andar e dar um trotezinho pela loja - sim, eu sei, corredor sempre paga mico nessas horas:
    Muito leve (menos de 190g) e bastante confortável. Os fechos de velcro garantem um bom ajuste aos pés. Extremamente flexível, dá a impressão de estar andando em casa de meias. O formato largo deixa o pé se movimentar livremente, sem apertos ou pontos de pressão.

    Primeiras impressões, correndo na esteira:
    No dia que comprei o tênis, tinha perdido a hora pela manhã e não tinha feito meu treino. Como estava ansiosa por fazer um test-drive, não deixei para o dia seguinte. Uma hora e meia de corrida e 14km depois, o resultado foi muito bom. Nenhuma dor, nenhum incômodo. Sem qualquer ponto do calçado “pegando” no pé. Sem bolhas. A sensação de conforto persistiu mesmo depois de tanto tempo correndo. E uma vantagem, o tecido quase todo respirável não deixa o pé “ferver” dentro do calçado. Não deu aquela vontade de tirar os tênis no finalzinho do treino, para dar um refresco.

    Day after do primeiro treino:
    Zerada. Certamente por já ter feito a transição de tênis com amortecimento para o Five Fingers, o pós-treino foi tranquilo. Sem dor na panturrilha nem na planta do pé. Nenhum cansaço além do normal.

    Primeiro teste na rua:
    Sempre vou e volto da academia correndo. Ontem, resolvi testar o Hattori na rua. E, assim como na esteira, o resultado foi mais do que satisfatório. Ele amortece bem apesar de parecer não ter qualquer tipo de sistema de amortecimento. Dá para sentir os desníveis da calçada, mas com a segurança de não ter de se preocupar se há alguma pedrinha ou vareta mal-intencionada.

    Enfim, para quem procura um tênis minimalista, é uma opção muito boa. Uma dica: a fôrma do calçado é pequena, portanto para usar com meia é melhor pegar meio número acima do habitual.


    Obs.: Em nenhuma loja tinha esse modelo da foto, tive de me contentar com um preto de solado verde-limão.



    .

    .

    Drops » Children of heaven

    coded by ctellier | tags: , , | Posted On quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012 at 16:00

    meteorologia: sol e calor
    pecado da gula: filet moutarde
    teor alcoolico: nada ainda
    audio: trailercast #10
    video: videocast pipoca e nanquim

    Children of heaven (Bacheha-Ye aseman)
    roteiro e direção Majid Majidi

    É realmente uma pena que produções cinematográficas que não sejam faladas em inglês cheguem em tão pouca quantidade aos cinemas. Há muita coisa de boa sendo feita por aí, sem o glamour das megaproduções hollywoodianas. E, talvez, por isso, a qualidade dessas produções deva-se à soma de boas estórias e bons personagens. Penso nisso sempre que assisto a um filme “fora do mainstream”. Vez ou outra, alguma produção européia, asiática, africana, sul-americana ou do Oriente Médio recebe um pouco mais de divulgação por ter estourado em outros mercados ou, em geral, por ter sido extensivamente premiada - ou indicada ao Oscar. Mas poderia ser pior. Poderíamos nem tomar conhecimento dessas produções.

    Esse filme iraniano é um desses casos. Ao pensar em cinema iraniano, imediatamente vem-me à cabeça o nome de Abbas Kiarostami - e apenas ele. Possivelmente, se esta produção não tivesse sido indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro - no mesmo ano da indicação de “Central do Brasil - não chegaria ao conhecimento de muita gente, eu inclusive. Para ser honesta, apenas fiquei sabendo da sua existência ao ler uma matéria na revista O2 de fev/2012, A corrida no cinema, que listou “os melhores filmes que têm a competição esportiva como tema”. Achei o filme, por acaso, no acervo do Netflix e acabei assistindo enquanto corria na esteira.

    A estória é cativante por sua singeleza e simplicidade. Ali, um garoto de 9 anos, inadvertidamente perde o único par de sapatos de sua irmã mais nova, Zahra. Sabendo que o pai não teria condições de comprar outro par, devido à condição de pobreza da família e, querendo evitar que ambos apanhem por causa do ocorrido, Ali sugere a Zahra que revezem seu único calçado, um par de tênis gastos. Depois de alguns contratempos envolvendo as trocas de calçado e os sapatos perdidos, Ali visualiza a possibilidade de resolver o problema participando de uma competição local de corrida.

    Nitidamente é um filme para crianças. Apesar de ser falado em persa, apesar de ser legendado. A linguagem é simples e a legenda pode ser lida com facilidade pela maioria das crianças entre 9 e 10 anos. Mas muito pode ser apreendido visualmente, pois as cenas são bastante expressivas, muitas vezes dispensando os diálogos - como em alguns ótimos desenhos animados em que há apenas a trilha sonora. E mesmo sendo um filme para crianças, não há dúvidas de que cativa também aos adultos. A inocência e a alegria intrínseca dos personagens gera uma empatia que enternece. É um daqueles filmes que terminamos de assistir com um sorrisinho no canto dos lábios e a sensação de que nem tudo está perdido.


    .

    .

    Vamos a la playa

    coded by ctellier | tags: | Posted On domingo, 27 de novembro de 2011 at 13:51

    meteorologia: dia de sol
    pecado da gula:
    pão de queijo
    teor alcoolico: 2 smirnoff ice
    audio: papovirtua 5x19
    video: damages

    Já li em vários textos científicos (ou não) que, quanto à “disposição”, as pessoas dividem-se entre matutinas, vespertinas e noturnas. Rendem melhor em determinado horário do dia. Falando especificamente sobre prática de exercícios - o que, no meu caso, inclui corrida, bike, musculação e boxe - sou indubitavelmente matutina. Prefiro mil vezes madrugar pra ir correr, do que ter de fazê-lo ao final do dia, depois do expediente de trabalho, quase sempre cansativo. Some-se a isso o fato de que treinar descansada, depois de uma boa noite de sono é bem mais prazeroso. E mais, o dia parece render, já que a endorfina dá um gás extra para encarar tudo o que temos a fazer.

    Isso posto, é bastante lógico que eu evite provas noturnas de corrida. Além do que já foi dito, acho difícil dar o meu melhor depois de um dia todo em atividades domésticas comuns: faxina, feira, mercado, etc. Mas, regras são feitas para que façamos exceções a elas. Assim, eventualmente, eu corro à noite.

    Foi o que aconteceu ontem. Participei da “98 Beach Running”, evento promovido pela Rádio 98 FM e organizado pela Prefeitura de Santos (percurso aqui). É isso mesmo, desci a serra para correr. Convidada a participar por um antigo colega de trabalho que mora em Santos, achei que variar um pouco seria, no mínimo, interessante. E, no caso, a variação foi grande. Corrida fora de São Paulo, à noite, na praia. Não satisfeita, para sair totalmente do padrão, adicionei mais uma variação: resolvi estrear meu Five Fingers numa prova (um KSO, veja aqui).

    O colega que fez o convite, Renato Sabino, tinha alertado (não exatamente com estas palavras): “É a primeira edição da prova, não sei como é a organização, portanto, venham munidos de paciência.” Sábio e valioso lembrete. Foi o que fiz. Estava resolvida a não deixar pequenas “turbulências na Força” me deixarem irritada. E olha que motivos não faltaram: choveu um pouco aqui na Zona Sul no início da tarde; o táxi para a rodoviária atrasou; apesar das dicas do Sabino, peguei o ônibus errado e, em consequência, desci no ponto errado da praia; tive de esperar pelo “resgate” em local desconhecido (o problema nem era o desconhecido, mas eu detesto esperar). Enfim, apesar de tudo estava orgulhosa de mim por conseguir me manter zen durante a sucessão de pequenos desastres. Porém devo admitir que tive um certo auxílio. Ter aproveitado o tempo da viagem para fazer algo que eu adoro - ler - fez toda a diferença. Passar uma hora direto mergulhada na leitura tem em mim um efeito calmante e, ao mesmo tempo, revigorante. Desci do ônibus disposta. Pronta para qualquer desafio, inclusive encarar eventos adversos.

    Bom, agora sobre a prova. Os kits para “estrangeiros” seriam entregues das 19:00 às 19:30. Chegamos atrasados, por volta das 20:00. Mas devido à (falta de) organização, os kits ainda estavam sendo distribuídos. Kit em mãos, seguimos para a tenda da assessoria que o Sabino utiliza. Hora de colocar o número de peito, ajustar o mp3 player com a playlist escolhida, ligar o Garmin pra ver se o GPS estava “pegando”, passar vaselina nos pontos de atrito e, lógico, trocar minha sandália pelo Five Fingers. Apesar da sugestão do Joel Leitão (@joelleitao) - bastante tentadora até - de correr descalça, acabei optando pelo meu carinhosamente apelidado “pé de hobbit”. Explico. Correríamos boa tarde do tempo na faixa de areia dura e úmida da praia. E, em ocasiões anteriores, essa prática já tinha me presenteado com duas bolhas gigantes, uma embaixo de cada dedão do pé. Não quis arriscar e fui estrear meu KSO na areia. Muita vaselina sobre, sob e entre os dedos, pés de hobbit calçados e a deliciosa sensação de estar descalça, mesmo não estando.

    Fiquei um pouco preocupada ao caminhar na areia fofa até a largada. Mas o temor foi totalmente infundado. Apesar da cobertura telada do KSO, nenhum grão de areia adentrou o calçado para me incomodar durante a corrida. Ponto positivo.

    Já que a minha ideia era apenas curtir a corrida e ver como me saía numa prova com o Five Fingers, não estava muito encanada com o tempo. Mas seria hipocrisia afirmar que não importava o meu pace. Lógico que importava. Pouco, mas não o suficiente para me deixar frustrada caso não conseguisse me manter ao menos em ritmo de treino. Acostumando ainda com o terreno e ajustando aos poucos a passada, fiz os dois primeiros quilômetros a 5:40min/km (o registro do percurso está aqui). Depois disso, achei meu ritmo e fui até o final variando ligeiramente entre 5:25 e 5:30. Pace mantido, sem sacrifício, em ritmo de treino de rodagem. Mais um ponto positivo.

    Quem já correu na areia sabe, é uma delícia. Quem não correu, tem de experimentar, pois a sensação é ótima. E com o KSO não foi diferente. Aliás, foi muito melhor, mais agradável do que calçando tênis. Descalça também é muito bom, mas o pé de hobbit dá aquela tranquilidade de correr sem ter de se preocupar onde pisa. Eu detesto ter de correr olhando para o chão, para evitar pedras, varetas, buracos e, infelizmente, até lixo. E, mesmo com a iluminação da praia, à noite é sempre maior a probabilidade de deixar passar despercebido algum “desnível” do solo. Corrida tranquila, foco no movimento e não no chão à frente. Mais um ponto a favor.

    Terminei a corrida bem. Aliás, melhor do que o esperado, já que tinha disposição - e pernas - para correr tudo de de novo. Como já tinha comentado no post citado acima, correr com o Five Fingers faz a gente não ter vontade de parar. E confirmei isso mais uma vez.

    Agora, o pós-prova. Meu pé sua demais. Muito mesmo. Então, apesar da vaselina, vez ou outra, termino uma prova com pequenas bolhas. Mas não desta vez. Apesar de não estar sentindo nada de diferente enquanto caminhava de volta à casa do Sabino, havia a possibilidade de elas terem se formado. Descalcei o pé de hobbit e não havia nada, nem areia dentro deles, nem bolhas nos pés. Mais um ponto positivo.

    Day after. Cansaço natural, afinal fiz tudo diferente do que estou habituada. Mas nenhuma dor anormal. Aliás, dor alguma. Achei que talvez fosse sentir as panturrilhas, mas nem isso. Acho que minha adaptação ao Five Fingers está quase completa. Agora, só falta o asfalto. Mas isso fica para o próximo ano (acho).

    Saldo da experiência: definitivamente, calçado minimalista - no caso, o Five Fingers - é uma ótima opção para corrida. Eu duvidava disso antes de comprar e fazer o test-drive. Agora tenho certeza. Mas nem tanto ao mar nem tanto à terra. Não sou do tipo que vai largar os tênis de uma vez por todas e adotar o bare footing. Assim como variamos os treinos - tiro, fartlek, intervalado, rodagem -, acredito que variar o calçado também faz parte da “brincadeira”. Posso afirmar sem sombra de dúvida que, para mim, fazer parte dos treinos de corrida com meu pé de hobbit é muito, muito bom. Recomendo ao menos experimentar um vez. É isso.

    .

    .