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Kick-off Projeto 2013

coded by ctellier | tags: , , , , | Posted On sexta-feira, 4 de janeiro de 2013 at 18:49

meteorologia: nublado
pecado da gula: rabanadas
teor alcoolico: nada ainda
audio: nerdcast #344
video: ted ex

Até agora, não pensei em mudar nada aqui no blog. Ou melhor, até considerei mudar o layout. Mas... e a preguiça? #comofaz

Contudo, na onda dos projetos 365-alguma-coisa, iniciada pelo Nick Ellis ano passado, criei um novo blog:
365 Screenshots

Em parte para fazer comentários ligeiros sobre filmes e séries a que assisto - menores que os Drops aqui do blog. Em parte para criar o hábito de escrever algo todos os dias. Afinal, quem escreve sabe que o mais difícil é começar. Depois de desenvolver dois ou três parágrafos de texto sobre qualquer assunto, a inércia do primeiro impulso aliada à satisfação de estar criando algo espantam totalmente a preguiça inicial.

Bem, mais detalhes sobre o projeto lá no novo blog, no primeiro post.
Quem quiser acompanhar, agradeço a audiência :-)
Quem quiser copiar a ideia - assim como eu copiei - fique à vontade.

É isso.



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Eu corro, eu escrevo, eu me preparo

coded by ctellier | tags: , , | Posted On quarta-feira, 5 de setembro de 2012 at 18:34

meteorologia: sol e calor
pecado da gula: amêndoas nutty bavarian
teor alcoolico: nada ainda
audio: kid abelha
video: bones

Este post saiu meio assim, no improviso. Digo "meio" pois metade dele - a ideia - surgiu inesperadamente enquanto lia uma HQ. Mas a outra metade - a escrita - não foi improvisada, apesar de ter tido alguns insights inesperados enquanto anotava os tópicos.

Na minha opinião - sei que há quem discorde - sem planejamento, dificilmente obtem-se bons resultados, seja na escrita, seja na corrida. Obviamente, que nem sempre tudo corre conforme o planejado, há sempre imprevistos ou inspirações súbitas. Mas ter em mente, em linhas gerais, o que se pretende fazer dá-nos a liberdade de improvisar com mais segurança, minimizando riscos e/ou problemas. Aliás, o improviso faz parte. Acrescenta aquela pitada de "desconhecido", de desafio que é combustível para a maioria das ações humanas.

Não foi apenas uma, nem duas, mas muitas vezes que, ao escrever - seja post, crônica ou conto -, à medida que desenvolvo uma ideia, outra se apresente quase "do nada". Lógico que não veio do nada, meu cérebro fez o trabalho duro de juntar pontas soltas sobre o que eu estava pensando e trouxe à tona apenas o que interessava: a ideia consolidada. E, vejo-me escrevendo sobre algo que inicialmente eu sequer pensara, tendo que encaixar a nova ideia no texto que eu planejara tão cuidadosamente. Esse esforço fora do escopo inicial é ainda mais gratificante, justamente por ser sem premeditação.

E, na corrida, não é diferente. Podemos ter tudo planejado, esquematizado - pace de tanto até o quilômetro tal, gel a cada tantos quilômetros, bala de goma ou qualquer outro doce a cada posto de água, ritmo progressivo ou constante. Mas são tantas variáveis que, impreterivelmente, algo vai sair "da linha". E o ser humano é um bichinho que está sempre pronto para dar um jeitinho e fazer as coisas voltarem ao eixo. Dou até um exemplo recente. No meu penúltimo longão, de 22km, resolvi ir da minha casa (moro próximo ao autódromo) até o parque Ibirapuera. Antes de sair, planejei meu percurso, por ruas e avenidas já conhecidas. E, em alguns momentos, tive de fazer alterações inesperadas, tanto por conta de obras do metrô, como por alguma alteração nas vias (faróis de pedestre desativados, por exemplo).

E, tanto na escrita quanto na corrida, o preparo do escritor/atleta é parte essencial. Porque uma boa parcela do bom resultado frente a situações inesperadas é ter conhecimento e jogo de cintura suficiente para saber como encará-las. E voltamos ao planejamento. Planejar não é apenas esquematizar exatamente o que se pretende fazer em condições ideais. Planejar é "cercar o frango" o máximo possível. É tentar pensar nos imprevistos mais prováveis e ter uma solução de contorno para o que for possível. Por exemplo, na corrida, é ter a resposta para "Como recupero o tempo perdido se eu tiver de fazer um pit-stop?". Na escrita, "Como eu conecto uma nova cena (ou parágrafo) ao restante do texto?". Dando continuidade ao exemplo do parágrafo anterior: antevendo a possibilidade (grande, infelizmente) de o Garmin dar problema no meio do trajeto - o que de fato ocorreu - eu havia olhado no Google Maps para ter uma ideia da distância de casa até o parque. Fazendo isso, percebi que precisaria chegar ao parque e ainda dar uma volta lá dentro para completar os 22 km. E dito e feito! Antes de chegar ao quilômetro 16, o Garmin simplesmente apagou (maldito!). Porém, apesar da minha irritação com o fato - tive impulsos de jogá-lo no meio da rua e vê-lo espatifar-se sob as rodas dos carros -, terminei meu treino como previsto, já que a solução de contorno estava disponível.

Não estar preparado, em ambos, pode ser fatal. Eu sei, soa um pouco dramático demais, mas é quase isso. Ao improvisar na escrita, o óbvio acontece. Tem-se um texto mal-escrito, mal-emendado, com ideias soltas e desconexas. Na corrida, pode fazer o atleta passar mal durante a prova ou, na pior das hipóteses, levar a uma lesão. E a "culpa" não é do improviso, do imprevisto. É a falta de preparo que causa esses efeitos colaterais desagradáveis.

Falei sobre escrita e sobre corrida e vou finalizar falando sobre música. O jazz é um exemplo perfeito de que o improviso bem sucedido depende de um bom preparo. Meu avô por parte de mãe, que eu não cheguei a conhecer, era músico. Tocava clarinete e trompete. E, segundo me contaram, dizia que o jazz era para músicos de verdade. Dizia que, para tocar jazz (muito bem), o músico deveria ter total controle sobre a técnica, sobre o instrumento, pois sem isso seria impossível improvisar de modo satisfatório. Parece contraditório, mas não é. Aos que não conhecem, faz-se necessária uma rápida explicação sobre o "fazer jazz" - rápida e superficial, pois jazz é muito mais que isso. Um grupo de jazz, ao tocar, segue uma linha melódica principal. Depois de executarem o que está na partitura, começa a improvisação. Cada músico tem oito compassos, em geral, para improvisar livremente (ou quase) e, ao final, voltar ao tema principal. E fazer isso sem ter domínio total sobre o instrumento é, no mínimo, uma imprudência. Enfim, planejamento é importante, mas preparo é fundamental.

(A propósito, a ideia para o parágrafo de conclusão veio no improviso. Eu tinha outra coisa em mente. Mas fui pegar um copo de café e, nesse meio tempo, meu cérebro se encarregou de fazer piscar em letras garrafais a palavra “jazz” na minha cabeça.)

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Risque e rabisque

coded by ctellier | tags: , | Posted On quarta-feira, 28 de março de 2012 at 14:21

meteorologia: chovendo
pecado da gula: bolo de abacaxi
teor alcoolico: nada ainda
audio: afrocelts
video: hook

Há certos dias em que um assunto insiste em retornar à superfície do pensamento, por mais que se tente deixá-lo de lado. Talvez, justamente por tentar colocá-lo para escanteio, ele teime em voltar à baila. E não houve jeito, entreguei os pontos, rendi-me à sua insistência percebendo que só teria sossego quando expusesse minha opinião. (E ainda há gente que duvide que blogueiros são seres malucos por natureza).

Bom, antes de mais nada, o gatilho. Sou o tipo de internauta (a palavra é feia, mas não há outra denominação melhor) que tem o hábito de vaguear a esmo de um site a outro - menos do que gostaria e mais do que deveria. Diversão que por muitas vezes me levou a descobrir tanto sites muito interessantes quanto outros bem dispensáveis. No último final de semana, um clique me levou a um site - não vale a pena mencionar qual - e detive-me nele para ler alguns posts. Parei logo no primeiro, impossibilitada de continuar pela extrema má qualidade do texto. Conseguem imaginar um texto em que há dois ou mais erros em cada parágrafo? Alguns nitidamente refletiam pressa na digitação, mas outros... prefiro nem citar. Sinto náuseas só de lembrar - drama mode ON.

Comentei minha indignação e irritação com meu leitor/ouvidor de plantão. “Ah, mas são erros perdoáveis”, disse ele. E eu discordei, e continuo discordando. Eu escrevo e sei que erros acontecem, por mais cuidadosos que sejamos. Um ou outro erro perdido no texto é aceitável. Afinal, ninguém é prefeito - ops! perfeito. Mas uma sucessão deles não é falta de atenção ou pressa de escrever, é pura negligência.

Bem, deixei o assunto de lado, acreditando que de um dia para outro ele se esgotaria por si só. Lêdo engano. Dois textos lidos ontem, reavivaram o tema em minha mente. Primeiro, um post do Pablo Villaça no Diário de Bordo com pouca, ou nenhuma relação direta com o assunto - Prisioneiro de quem sou. Depois, um texto no Livros e afins que tinha tudo a ver com a minha indignação com aquele outro texto crivado de erros - Textos são cartões de visita. Pensei, por um momento, que tudo o que eu queria dizer sobre o assunto estava ali, mas não. Ainda faltava eu relacionar as ideias contidas nos dois textos. Um dos parágrafos no post do Villaça chamou-me a atenção, em especial, uma frase: “Tenho orgulho de meu intelecto, de minha cultura e do que escrevo”. Também me sinto assim, e não há como me orgulhar do que escrevo se não o fizer bem feito. O que me leva ao outro texto, pois o que eu escrevo me representa perante quem me lê: “(...) um texto que tem a nossa assinatura nos representa”.

Sei que o importante é conseguir comunicar as ideias, mas um texto repleto de erros certamente terá o efeito de afastar o leitor ao invés de aproximá-lo de quem o escreveu. Erros são aceitáveis... até certo ponto. Aliás, há inclusive os propositais, que servem ao contexto do que está sendo escrito. Porém, entendo que há uma linha em que o erro deixa de ser descuido, falta de atenção para se tornar desleixo. Dá a impressão de que quem escreveu foi totalmente negligente e nem se deu ao trabalho de reler antes de tornar público. Atitude que, no meu entender, demonstra um grande desrespeito com o público leitor. Fico pensando, ao ler um texto assim: “Se quem o escreveu sequer revisou, talvez signifique que não faz questão de ser lido, ou que pouco importa quem leia, ou que pouco importa a opinião de quem lê. Então, para que lê-lo?”.

Onde se escreve, ou melhor, em que situação o texto será lido faz diferença. Num bate-papo num chat, num email informal, naturalmente a tolerância é maior. Em um texto que será publicado e lido por várias pessoas, num email formal, nem tanto. Admito, sou maníaca no que diz respeito ao que escrevo. Sim, eu fico aflita ao escrever distraidamente algo incorreto - que é prontamente corrigido logo que o percebo. Mas, mesmo que não fosse assim, por respeito ao leitor e também, logicamente, para meu respaldo, eu faria a revisão antes de publicar o que quer que seja. Afinal, além de ser meu cartão de visitas, ninguém é obrigado a ler um texto “mau” escrito.

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“Seu texto é muito longo, ninguém lê”

coded by ctellier | tags: , | Posted On sexta-feira, 23 de dezembro de 2011 at 08:35

meteorologia: dia de sol
pecado da gula: pão na chapa
teor alcoolico: nada ainda
audio: alternativando #148
video: criminal minds


Não sou jornalista. Nem tenho pretensões de sê-lo. Nunca tive. Correr atrás da notícia, reportar e registrar não é nem nunca foi o meu intuito. Gosto de examiná-la, de tecer comentários, de falar sobre as referências que me vieram à mente ao lê-la. Enfim, gosto de analisar, questionar, decompor e recompor as ideias que foram suscitadas pela notícia. E, para isso, gosto de escrever sobre ela.

Mas não sou escritora. Não no sentido que Clarice Lispector também recusava-se a ser (veja entrevista em que ela fala sobre isso). Não tenho pretensão de fazer da escrita uma profissão. Sem querer, nem ousar, comparar-me a Clarice, escrevo porque me é preciso, porque gosto, porque me faz bem, porque me realiza. Não quero que se torne obrigação. Não tenho intenção de tornar-me uma profissional da escrita. Se o que escrevo me agrada, agrada a meu principal leitor, agrada à maioria das pessoas que me lêem, ótimo. Mas isso, no meu entender, não faz de mim uma escritora profissional.

Para mim, a escrita funciona como uma forma de organizar os pensamentos. Não necessariamente ordená-los, mas agrupá-los de forma a fazerem mais sentido do que se mantidos isolados. Muitas vezes, ao discorrer sobre um assunto, cheguei a conclusões que eu sequer aventara a possibilidade. Puxar o fio do pensamento ao escrever é algo tão agradável que é quase impossível furtar-me da escrita. E, assim como ler, escrever tem-se tornado um vício, ao qual me entrego diariamente. Várias vezes. Por breves momentos ou por longos períodos.

Há dias em que não há muito o que escrever. Ou melhor, até há. Mas as palavras parecem se recusar a sair de forma satisfatória. Saem aleatoriamente, negando-se a fazer qualquer sentido, por mais que tente dispô-las coerentemente. Quem escreve, sabe. Empacar num texto, feito uma mula teimosa é mais comum do que gostaríamos, mas faz parte do dia a dia do escrevinhador. Já me incomodei mais com esses incidentes. Atualmente, trato-os como parte “das atividades”. Se o texto que eu pretendia escrever não sai, eu simplesmente deixo-o de lado e vou escrever sobre outra coisa. Mesmo que essa outra coisa não seja algo que eu pretenda aproveitar para publicar no blog – ao menos, não imediatamente. Anotações aleatórias são sempre bem-vindas. Em algum momento serão aproveitadas. Fazendo referência a Clarice novamente, ela tinha o hábito de fazer anotações em qualquer fragmento de papel disponível. Desde guardanapos a margens de páginas de revistas, de folhas de cheque a listas de supermercado. É sabido que, em suas anotações, as frases estavam praticamente prontas. Mas ela era Clarice Lispector. As minhas anotações precisam ser recicladas e ruminadas várias vezes até se encaixarem num texto.

Há outros dias em que parece que os dedos não vão conseguir dar conta de digitar a enxurrada de frases que teimam em se acumular na nossa mente. E, como num frenesi, o texto parece moldar-se quase em seu formato definitivo. Não sei, talvez isso seja o que se chama comumente de inspiração. Mas em dias assim, é quase impossível parar de escrever. Enquanto todas as ideias não estiverem devidamente expostas, apresentadas, escritas aquele “comichão” que impele à escrita não se esvai.

E, nesses dias de produção prolífica, as ideias se sucedem e, quando dou por mim, já escrevi mais de uma página e ainda tenho coisas a dizer. Houve uma época em que me incomodei com o tamanho do texto. Assim como li num post do Brainstorm#9, por muitas vezes me peguei pensando que o texto era muito longo, ninguém iria lê-lo até o final. Mas há algum tempo, a Ana Carolina Silveira (@anacarolinars), do site Leitura Escrita, fez um comentário que teve em mim um efeito libertário: “Escreva o texto – a crítica, o post, a resenha – que você gostaria de ler. Esqueça o tamanho. “ E eu abracei a ideia. Desde então é o que tenho feito. Não me importo se ficou extenso demais, analítico demais, polêmico demais. Escrevo até que o assunto (em mim) se esgote.

É claro que, algumas vezes, ao revisar o texto percebo que consigo quebrá-lo em duas ou mais partes, sem prejuízo do conteúdo. E é o que faço. Apesar de não me pautar pela extensão do texto, sei que texto menores terão maior chance de ser lidos – e, consequentemente, apreciados – pela maioria dos leitores. Certamente boa parte do sucesso do Twitter deve-se a isso. E não desgosto dessa sua faceta. Acho incrível o poder de síntese de algumas pessoas, condensando pensamentos em 140 caracteres.
Mas eu, pessoalmente, tenho necessidade de ler (e escrever) textos que se estendam além desse limite. E, mesmo que o objetivo primordial da minha escrita não seja arrebanhar leitores, muitos apareceram e passaram a prestigiar o blog. E mais gente lendo significa mais gente comentando. E mais gente comentando significa a expressão de outros pontos de vista. Pontos de vista que talvez sejam o gatilho para uma nova leva de ideias e conceitos a serem descritos. E assim o ciclo recomeça.


“Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Quando essa não-palavra - a entrelinha - morde a isca, alguma coisa se escreveu. Uma vez que se pescou a entrelinha, poder-se-ia com alívio jogar a palavra fora. Mas aí cessa a analogia: A não-palavra, ao morder a isca, incorporou-a. O que salva então é escrever distraidamente.”
(Clarice Lispector in ‘Água viva’)

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