Risque e rabisque

coded by ctellier | tags: , | Posted On quarta-feira, 28 de março de 2012 at 14:21

meteorologia: chovendo
pecado da gula: bolo de abacaxi
teor alcoolico: nada ainda
audio: afrocelts
video: hook

Há certos dias em que um assunto insiste em retornar à superfície do pensamento, por mais que se tente deixá-lo de lado. Talvez, justamente por tentar colocá-lo para escanteio, ele teime em voltar à baila. E não houve jeito, entreguei os pontos, rendi-me à sua insistência percebendo que só teria sossego quando expusesse minha opinião. (E ainda há gente que duvide que blogueiros são seres malucos por natureza).

Bom, antes de mais nada, o gatilho. Sou o tipo de internauta (a palavra é feia, mas não há outra denominação melhor) que tem o hábito de vaguear a esmo de um site a outro - menos do que gostaria e mais do que deveria. Diversão que por muitas vezes me levou a descobrir tanto sites muito interessantes quanto outros bem dispensáveis. No último final de semana, um clique me levou a um site - não vale a pena mencionar qual - e detive-me nele para ler alguns posts. Parei logo no primeiro, impossibilitada de continuar pela extrema má qualidade do texto. Conseguem imaginar um texto em que há dois ou mais erros em cada parágrafo? Alguns nitidamente refletiam pressa na digitação, mas outros... prefiro nem citar. Sinto náuseas só de lembrar - drama mode ON.

Comentei minha indignação e irritação com meu leitor/ouvidor de plantão. “Ah, mas são erros perdoáveis”, disse ele. E eu discordei, e continuo discordando. Eu escrevo e sei que erros acontecem, por mais cuidadosos que sejamos. Um ou outro erro perdido no texto é aceitável. Afinal, ninguém é prefeito - ops! perfeito. Mas uma sucessão deles não é falta de atenção ou pressa de escrever, é pura negligência.

Bem, deixei o assunto de lado, acreditando que de um dia para outro ele se esgotaria por si só. Lêdo engano. Dois textos lidos ontem, reavivaram o tema em minha mente. Primeiro, um post do Pablo Villaça no Diário de Bordo com pouca, ou nenhuma relação direta com o assunto - Prisioneiro de quem sou. Depois, um texto no Livros e afins que tinha tudo a ver com a minha indignação com aquele outro texto crivado de erros - Textos são cartões de visita. Pensei, por um momento, que tudo o que eu queria dizer sobre o assunto estava ali, mas não. Ainda faltava eu relacionar as ideias contidas nos dois textos. Um dos parágrafos no post do Villaça chamou-me a atenção, em especial, uma frase: “Tenho orgulho de meu intelecto, de minha cultura e do que escrevo”. Também me sinto assim, e não há como me orgulhar do que escrevo se não o fizer bem feito. O que me leva ao outro texto, pois o que eu escrevo me representa perante quem me lê: “(...) um texto que tem a nossa assinatura nos representa”.

Sei que o importante é conseguir comunicar as ideias, mas um texto repleto de erros certamente terá o efeito de afastar o leitor ao invés de aproximá-lo de quem o escreveu. Erros são aceitáveis... até certo ponto. Aliás, há inclusive os propositais, que servem ao contexto do que está sendo escrito. Porém, entendo que há uma linha em que o erro deixa de ser descuido, falta de atenção para se tornar desleixo. Dá a impressão de que quem escreveu foi totalmente negligente e nem se deu ao trabalho de reler antes de tornar público. Atitude que, no meu entender, demonstra um grande desrespeito com o público leitor. Fico pensando, ao ler um texto assim: “Se quem o escreveu sequer revisou, talvez signifique que não faz questão de ser lido, ou que pouco importa quem leia, ou que pouco importa a opinião de quem lê. Então, para que lê-lo?”.

Onde se escreve, ou melhor, em que situação o texto será lido faz diferença. Num bate-papo num chat, num email informal, naturalmente a tolerância é maior. Em um texto que será publicado e lido por várias pessoas, num email formal, nem tanto. Admito, sou maníaca no que diz respeito ao que escrevo. Sim, eu fico aflita ao escrever distraidamente algo incorreto - que é prontamente corrigido logo que o percebo. Mas, mesmo que não fosse assim, por respeito ao leitor e também, logicamente, para meu respaldo, eu faria a revisão antes de publicar o que quer que seja. Afinal, além de ser meu cartão de visitas, ninguém é obrigado a ler um texto “mau” escrito.

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Drops » Precious

coded by ctellier | tags: , , | Posted On domingo, 25 de março de 2012 at 09:18

meteorologia: nublado
pecado da gula: croissants no café-da'manhã
teor alcoolico: nada ainda
audio: into the wild ost
video: videocast pipoca e nanquim

Precious (Preciosa)
Direção: Lee Daniels
Roteiro: Geoffrey Fletcher


Baseado no livro "Push", de Sapphire, que já comentei num post anterior. Como escrevi nesse post, ainda não assistira ao filme. Até tinha baixado via torrent, mas entre tantas outras coisas para assistir, acabava ficando para depois. Ontem, aproveitei que estava passando no TC Touch e remediei essa falta.

São mídias diferentes e, logicamente, é humanamente impossível transpôr do papel para a película, todo o impacto do livro. Mas mesmo assim, o filme consegue ser bastante fiel ao espírito da narrativa. Perde-se um pouco no filme o quanto a evolução, a transição, a transformação de Precious deve-se ao seu aprendizado, ao seu contato cada vez mais íntimo com a leitura e a escrita.

Se há algo que transparece - tanto no livro quanto no filme - é que a esperança em algo melhor é o que move a personagem. Apesar de ser uma pária em todos os locais que frequenta - desde a escola comum até sua própria casa - a esperança de conseguir se tornar uma pessoa melhor, capaz de criar seus filhos, é a tábua de salvação de Preciosa.

O filme é tão, ou mais, chocante que o livro. Ver na tela a humilhação, a violência - verbal e física - a que a personagem é submetida é um lembrete amargo de que aquilo é real. E de que há mulheres que vivem essa realidade, nem sempre conseguindo sobreviver a ela.

A atuação de Gabourey Sidibe, como Precious, impressiona. Percebe-se nela, ao mesmo tempo, o "recolhimento" e a força reprimida da personagem.

Enfim, pra quem leu e pra quem ainda não leu o livro, é um filme que vale a pena ser visto.


"Toda folha de grama tem seu Anjo que se curva sobre ela e sussurra: 'Cresce, cresce'"
(Talmude)

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Incinerando películas » Into Thin Air: Death on Everest

coded by ctellier | tags: , , | Posted On quinta-feira, 22 de março de 2012 at 22:50

meteorologia: seco, ar muito seco
pecado da gula: pão de queijo
teor alcoolico: 1 stella artois
audio: jurassicast #24
video: dexter

Into Thin Air: Death on Everest (Morte no Everest)
Direção: Robert Markowitz
Roteiro: Robert J. Avrech

Pensem em um livro que tenham lido e gostado mais do que o esperado. Agora imaginem descobrir que existe uma versão cinematográfica dele. Então, foi com esse grau de expectativa que apertei o play no Netflix para assistir ao filme.

Torcia para que fosse tão bom quanto o livro. Lêdo engano. Infelizmente, não correspondeu à expectativa. E, além de não corresponder, foi uma decepção enorme. O filme é curto, mas tão, tão insuportavelmente chato que eu não via a hora de terminar. A todo momento verificava quanto faltava para o final. Ao contrário do livro, os personagens são apresentados de forma tão superficial e sem graça que não há como se identificar ou se solidarizar com suas tragédias. O descuido nesse quesito é tanto que em dado momento eu já estava confundindo os alpinistas. E, num filme de escalada na neve, diferenciar as pessoas é o mínimo necessário para conseguir - e querer - continuar a acompanhar os eventos. Some-se a isso a visão levianamente maniqueísta da postura dos líderes das duas equipes e a inacurácia das informações- 12 pessoas morreram, não apenas 5 como citado no filme. A atuação do elenco é praticamente inexistente. E a produção sequer se deu ao trabalho de utilizar imagens reais do everest - foi tudo filmado na Áustria. Enfim, totalmente dispensável. Em contrapartida, eu indico a leitura do livro.

Li "Into thin air" (No ar rarefeito) há 10 anos, mais ou menos. E, até lê-lo, não sabia que gostava tanto desse estilo literário - o relato de viagem. Neste post, ele é o top 1 da lista dos que já foram lidos.

Sinopse do livro (fonte: livcultura.com.br):
Um relato sobre a temporada mais trágica da história do Everest. Contratado pela revista 'Outside' para fazer uma reportagem a respeito da crescente comercialização da montanha, Krakauer, alpinista experiente, foi ao Himalaia como cliente de Rob Hall, o guia de alta montanha mais respeitado do mundo. Em 1996, subindo a montanha ao lado do grupo de Hall havia uma outra expedição guiada por Scott Fischer. Mas nem um nem outro sobreviveram à tempestade traiçoeira do dia 10 de maio. Krakauer conta a história e faz uma reflexão sobre o encanto avassalador que o Everest exerce sobre as pessoas, levando-as a arriscar a vida.

O interessante do livro é que Krakauer não se limita a seu papel de repórter. O texto é envolvente pois ele nos apresenta os "personagens" da tragédia um a um, expondo suas motivações para estarem ali enfrentando a montanha. Não nego que ele narra cada etapa da tragédia com bastante propriedade e de forma detalhada o suficiente para deixar qualquer um em suspense. Mas, no meu entender, o que faz o livro ser tão cativante e prender o leitor até o desfecho é ter dedicado tempo nos familiarizando com cada membro das expedições, fazendo com que o leitor torça pelo destino dos personagens.

O post não é sobre o livro, mas não poderia me furtar de comentar sobre ele. Mesmo porque, a qualidade do livro contribuiu para a minha decepção com o filme. Iludi-me pensando que o filme possivelmente tinha recebido o mesmo tratamento respeitoso e deferente dado ao segundo livro de Krakauer - "Into the wild" (Na natureza Selvagem). Dirigido e roteirizado por Sean Penn e estrelado por Emile Hirsch, guardadas as devidas proporções, o filme conseguiu captar a essência do livro e do personagem retratado por Krakauer - Chris McCandless, um jovem que larga tudo e sai numa jornada sem volta no Alasca.

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Dia do blogueiro

coded by ctellier | tags: , | Posted On terça-feira, 20 de março de 2012 at 22:43

meteorologia: outono dando as caras
pecado da gula: picolé de brigadeiro
teor alcoolico: 1 smirnoff ice
audio: braincast #8
video: anos incríveis

Hoje é dia do blogueiro. Logicamente, o primeiro impulso seria fazer uma lista de blogs super-ultra-megabogas. O que eu mais leio, o que eu mais gosto, o que eu acompanho há mais tempo, o que tem mais atualizações e assim por diante. Mas cheguei à conclusão que o melhor mesmo é divulgar o blog dos amigos(as) e colegas. Afinal, os blogs super-ultra-megabogas já têm uma quantidade de page views várias vezes maior que a dos nossos blogs "amadores" (ou quase).


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Review » Saucony Hattori

coded by ctellier | tags: , | Posted On terça-feira, 13 de março de 2012 at 18:47

meteorologia: nublado e calor
pecado da gula: espetinho de frango e provolone
teor alcoolico: nada ainda
audio: legião urbana
video: desperate housewives

Todo corredor sabe ou ao menos desconfia que o tênis nosso de cada dia tem vida útil limitada. Essa vida útil costuma variar entre 500 e 700km rodados, dependendo do modelo. Passada essa quilometragem, mesmo que o tênis pareça estar ainda em boas condições, provavelmente já perdeu as qualidades que fazem dele um bom calçado para correr, já que o sistema de amortecimento e a elasticidade dos tecidos ficam comprometidos. Talvez ainda dê um “bom caldo” como calçado para uso no dia-a-dia, mas para treinar, não.

A maioria dos corredores costuma ter, no mínimo, dois pares de tênis que são utilizados em dias alternados. Essa prática é recomendada não só para que o calçado seque entre um treino e outro, mas também para que “descanse” e restaure suas características. Os mais dedicados - ou poderia dizer também, viciados - costumam ter modelos diferentes para treinos e provas e para distâncias diversas.

Bom, um dos meus pares prediletos, um Mizuno ProRunner, estava próximo da aposentadoria e, já pensando no par seguinte a ser utilizado, comecei a pesquisar as opções disponíveis. Sei que a tendência natural é não mexer em time que está ganhando, mas corredores são uma raça estranha, estão sempre à caça de novidades. E era grande a vontade de experimentar um outro modelo, que talvez me deixasse ainda mais satisfeita e mais próxima de uma das minhas metas de corrida - 10km em 50min. ou menos. Sempre fui fiel às minhas marcas favoritas - Mizuno e Brooks - mas, saindo da minha zona de conforto, resolvi experimentar outras.

Já que o assunto mais em voga atualmente é “correr descalço ou não, eis a questão”, achei que seria interessante procurar um meio têrmo e optar por um tênis minimalista. Pra quem já se acostumou a correr descalça na esteira - ou na grama e na praia - ou calçando o FiveFingers na rua, pensei que essa seria uma boa opção. E não me enganei. Tinha visto o New Balance Minimus Trail, ao buscar o kit de uma prova. Lembrei-me dele ao procurar alternativas e pareceu-me uma boa escolha. Mas acabou não sendo o eleito. Fui a uma loja a fim de experimentar o modelo, mas não tinha meu número. O vendedor ofereceu-me o Saucony Hattori, que tinha acabado de chegar. Experimentei e gostei, mas ainda queria tirar a dúvida experimentando o Minimus. Consegui fazê-lo alguns dias depois. Não vou dizer que não é confortável, apenas não vestiu muito bem no meu pé, e acabei adquirindo o Hattori.

Primeiríssimas impressões, ao andar e dar um trotezinho pela loja - sim, eu sei, corredor sempre paga mico nessas horas:
Muito leve (menos de 190g) e bastante confortável. Os fechos de velcro garantem um bom ajuste aos pés. Extremamente flexível, dá a impressão de estar andando em casa de meias. O formato largo deixa o pé se movimentar livremente, sem apertos ou pontos de pressão.

Primeiras impressões, correndo na esteira:
No dia que comprei o tênis, tinha perdido a hora pela manhã e não tinha feito meu treino. Como estava ansiosa por fazer um test-drive, não deixei para o dia seguinte. Uma hora e meia de corrida e 14km depois, o resultado foi muito bom. Nenhuma dor, nenhum incômodo. Sem qualquer ponto do calçado “pegando” no pé. Sem bolhas. A sensação de conforto persistiu mesmo depois de tanto tempo correndo. E uma vantagem, o tecido quase todo respirável não deixa o pé “ferver” dentro do calçado. Não deu aquela vontade de tirar os tênis no finalzinho do treino, para dar um refresco.

Day after do primeiro treino:
Zerada. Certamente por já ter feito a transição de tênis com amortecimento para o Five Fingers, o pós-treino foi tranquilo. Sem dor na panturrilha nem na planta do pé. Nenhum cansaço além do normal.

Primeiro teste na rua:
Sempre vou e volto da academia correndo. Ontem, resolvi testar o Hattori na rua. E, assim como na esteira, o resultado foi mais do que satisfatório. Ele amortece bem apesar de parecer não ter qualquer tipo de sistema de amortecimento. Dá para sentir os desníveis da calçada, mas com a segurança de não ter de se preocupar se há alguma pedrinha ou vareta mal-intencionada.

Enfim, para quem procura um tênis minimalista, é uma opção muito boa. Uma dica: a fôrma do calçado é pequena, portanto para usar com meia é melhor pegar meio número acima do habitual.


Obs.: Em nenhuma loja tinha esse modelo da foto, tive de me contentar com um preto de solado verde-limão.



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