Pinterest ou não? Eis a questão.

coded by ctellier | tags: , | Posted On sábado, 28 de abril de 2012 at 16:54

meteorologia: nublado
pecado da gula: misto quente
teor alcoolico: 2 stella artois
audio: nerdcast #308
video: sympathy for mr.vengeance

Antes de mais nada, o que é o Pinterest?

É uma rede social - "ah não! mais uma?" - para compartilhamento de conteúdo, mais especificamente fotos e vídeos. Tendo uma certa semelhança com Tumblr e Del.icio.us permite capturar e organizar esse conteúdo em categorias - os boards.

Quando o usuário encontra algo interessante na web, pode "marcá-la" - Pin it - e adicioná-la a um board. E, além disso, pode compartilhar a url desse pin com os amigos. Assim como outras redes sociais - Instagram, Twitter, etc. - é possível seguir outros usuários, ou melhor, seus boards, já que não é obrigatório seguir as atualizações de todos os boards de um usuário. Além de acompanhar os boards alheios, é possível comentar, curtir e/ou "repinar" o pin.

Para facilitar a postagem, há a possibilidade de adicionar um botão no navegador para "pinar" os conteúdos. Também já existem add-ons, plugins, extensões para browsers que disponibilizam a funcionalidade. E alguns sites, além dos tradicionais botões de Like, Tweet, g+, já incluíram um botão Pin it.


Por que e para que usar o Pinterest?

Em última instância, o site não passa de um mural virtual. Basta pensar nele como uma versão digital para aqueles painéis de cortiça em que costumávamos "espetar" fotos, recados, recortes de jornais e revistas. As possibilidades são muitas e vou dizer aqui para que eu uso.

Quem nunca passou pela euforia de encontrar por acaso uma foto muito louca/diferente/bonita ou qualquer outro adjetivo superlativo e querer "guardá-la"? Eu tenho essa experiência várias vezes ao dia e uso o pinterest para marcar essas imagens e categorizá-las nos meus boards. Uso também para guardar imagens de coisas legais que achei pela web, coisas que eu curto, itens que eu gostaria de adquirir, lugares que eu pretendo visitar, sugestões legais para decorar a casa.


Para ficar mais fácil de entender, segue abaixo uma lista com um pin de cada um dos meus boards:

» animals | pets » art | drawing » books | hq » cool stuff
» dream house » food & drink » GoPro » lego
» moto » movies » music » nature | places
» origami » poker » running » science
» space » sports » tattoo » tv
» urban art » wish list

Gostou? Interessou? Bora se cadastrar e começar a usar: Pinterest.

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O desafio dos 100 livros - 2a.dezena

coded by ctellier | tags: , | Posted On sábado, 21 de abril de 2012 at 14:19

meteorologia: chuvoso, meio frio
pecado da gula: misto quente
teor alcoolico: nada ainda
audio: podcast cinema em cena #32
video: a game of shadows

Continuando a lista iniciada neste post, mais 10 livros:

11Um Livro baseado em fatos reais
D-Day - Stephen Ambrose
12Um livro complexo
O universo elegante - Brian Greene
13Um livro que virou novela de TV
A escrava Isaura - Bernardo Guimarães
14Um livro que possui "o protagonista" favorito
Um estudo em vermelho - Arthur Conan Doyle
15Um livro que possui "o vilão" favorito"
Drácula - Bram Stocker
16Um livro que não sossegou enquanto não terminou sua leitura
O caso dos dez negrinhos - Agatha Christie
17Um livro cuja a narração é intimista
As meninas - Lygia Fagundes Telles
18Um livro com forte abordagem realista
Memórias póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis
19Um livro que fale sobre preconceito
Push - Sapphire
20Um livro que narra fatos históricos
A viagem do descobrimento - Eduardo Bueno

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Violon magique

coded by ctellier | tags: , | Posted On quinta-feira, 19 de abril de 2012 at 23:22

meteorologia: sol e calor
pecado da gula: hot-dog
teor alcoolico: 1 smirnoff ice
audio: braincast #12

Le concert (O concerto) - 2010
Direção: Radu Mihăileanu
Roteiro: Radu Mihăileanu, Alan-Michel Blanc, Matthew Robbins

"Dans chaque note de musique, il y a la vie, Anne-Marie."
(Andreï Filipov)

Desconhecia a existência deste filme até alguns dias atrás. O autor deste post assistiu-o e recomendou-o veementemente. Confiando em sua indicação e movida pelo interesse em assistir a filmes fora do mainstream, fui à sua procura - “thanks, uncle Torrent!”. Enquanto o filme era transferido para o meu HD, comecei a procurar informações sobre ele. Produção francesa - “oba, vou assistir sem legendas!” - dirigida por um romeno, estrelada por um elenco formado por franceses e russos - “xii, vou precisar das legendas...”. Indicado ao Cesar em quatro categorias - ganhou as de Som e de Trilha Sonora. Ganhador do Globo de Ouro de Melhor Filme em língua não inglesa. Diferente do Oscar, esses são prêmios que se pode confiar que os indicados - e premiados - têm mérito por estarem ali.

Tinha receio de que os comentários empolgados que ouvi gerassem uma expectativa acima do que o filme conseguiria satisfazer. E, infelizmente, foi o que aconteceu (em certa medida). Gostei do filme. É bom, não chega a ser uma obra-prima. Mas se me perguntarem, sem receio direi que vale a pena assistir, porém... que esteja preparado para um filme de ritmo bem irregular, com altos e baixos, que demora a “engrenar”, mas cujo final arrebatador compensa - aliás, compensa muito - as pequenas imperfeições. O gran finale é tão recompensador e emocionante que o espectador termina de assistir já esquecido do que o desagradou no início.

Antes de mais nada, a sinopse. O filme conta a estória de Andreï Simonovich Filipov, conhecido como “O Maestro”, regente da célebre Orquestra Bolshoi que, durante o governo Brejnev, é coagido a renegar os seus músicos judeus e, negando-se a fazê-lo, vê-se condenado a um destino menor como faxineiro na própria sala de concertos do Bolshoi. Muitos anos mais tarde, surge uma oportunidade de juntar os antigos músicos, reviver e finalizar a execução de um concerto interrompido há mais de três décadas.

Agora, os detalhes incômodos. O caráter picaresco de algumas cenas, assim como certa histeria em alguns diálogos tornam-se rapidamente cansativos e repetitivos. Os personagens são estereotipados, quase caricatos - o russo beberrão, o judeu pão-duro, o comunista fanático, o cigano oportunista - o que atrapalha na hora de “comprar” a estória. Sobre isso, há ainda o agravante de que, além dos muitos clichês, vários detalhes da trama soam improváveis, incoerentes, quase beirando o inverossímil. Apesar de o espectador perceber desde o início do tom de “brincadeira” que será usado, o humor deslocado, o exagero no caráter farsesco acabam dificultando a suspensão de descrença e, não chegam a impedir, mas atrapalham a imersão no universo da narrativa.

O espectador persistente que segue assistindo, apesar das pequenas falhas, é largamente recompensado nos dois terços finais do filme. Como comentado acima, a estória demora a engrenar, se arrastando durante o primeiro terço e somente ganhando ritmo, densidade e intensidade a partir daí. O filme prossegue num crescendo, culminando numa coda brillante que, assim como o concerto de Tschaikovski, enleva a quem assiste.

E essa mudança significativa deve-se principalmente à presença e à atuação de Mélanie Laurent. Para quem (assim como eu) não conseguiu logo de cara identificar o rosto a que esse nome pertence, basta lembrar-se de Inglourious Basterds. Mélanie é a atriz que personifica Shoshanna Dreyfus / Emmanuelle Mimieux (a proprietária do cinema parisiense), papel pelo qual foi premiada como melhor atriz pela Online Film Critics Society e pela Austin Film Critics Association. Mélanie é Anne-Marie Jacquet, uma violinista francesa, jovem e famosa internacionalmente, convidada a ser solista na execução do concerto de Tschaikovski que a orquestra regida por Filipov irá tocar - Concerto para violino e orquestra, em Ré Maior, op.35 (escute completo aqui). As cenas em que ela aparece são luminosas de uma maneira impossível de não reparar. O talento da atriz transparece, mesmo num personagem não tão complexo quanto Shoshanna. Detalhe interessante: para interpretar Anne-Marie, Mélanie teve aulas durante dois meses para (parecer) saber tocar como uma instrumentista daquele nível e conseguir acompanhar o ritmo do concerto numa cena que dura pouco mais de 12 minutos.

Contudo, não é apenas Mélanie Laurent que está bem no filme. Todo o elenco tem uma atuação digna de nota. Mesmo estereotipados, os personagens são cativantes e isso deve-se sem dúvida ao talento dos atores. Destaque, obviamente, para os que têm mais tempo em cena, Filipov (Alexei Guskov) e seu amigo Sasha Grosman (Dimitri Nazarov). A interação entre os dois rende boas cenas. Algumas exageradamente burlescas, mas nem por isso desmerecendo a performance da dupla. Mesmo não tendo reconhecido os nomes na lista do elenco, mais dois atores, além de Laurent, eram “figurinhas” conhecidas para mim:
Guylène de La Rivière, a empresária de Anne-Marie: interpretada por Miou-Miou, de quem eu me recordo em Germinal e alguns telefilmes dos quais não vou lembrar o nome;
e Olivier Morne Duplessis, o diretor do Théâtre du Châtelet: interpretado por François Berléand, que é presença constante nos filmes da série The transporter (Inspetor Tarconi).

Finalmente, o concerto. Bem, o concerto é um capítulo à parte. Aliás, o concerto é mais um personagem do filme. É o que move a trama na maior parte da estória. Mesmo sendo ouvido apenas na sequência final, é tão presente durante todo o filme que tudo que o espectador quer é conseguir ouvi-lo integralmente. E quase consegue. Antes de assistir ao filme, procurei a música por pura curiosidade. Afinal, apesar de ter boa memória musical, tenho dificuldade em juntar o som ao nome das músicas, principalmente as clássicas. Queria saber se conhecia o tal concerto. E sim, eu conhecia. Escutei o suficiente apenas para reconhecer o tema. Reparei que durava cerca de 35min. e me perguntei como o diretor o encaixaria no filme sem mutilar demais a obra. E o resultado foi muito além do imaginado. Os prêmios recebidos pelo som do filme são mais que merecidos. A mixagem ficou excepcional. Mesmo “cortando” praticamente todo o segundo movimento do concerto, o produto final guardou toda a força e a potência da melodia. Achei bastante corajosa a opção do diretor de deixar a música tocando ininterruptamente durante os quase 13 minutos da cena do concerto. Conseguiu manter a atenção do público alternando a execução da orquestra com cenas do passado e do futuro dos músicos, além de uma narração em off esclarecendo alguns “mistérios” da estória. Admito, costumo não gostar muito de peças compostas para violino, mas esse concerto é fenomenal. Aliás, é difícil achar adjetivos à altura. É tão arrebatador que o impulso de quem assiste, ao seu término, é levantar do sofá e aplaudir junto com a plateia do teatro.


Se você, leitor, chegou até aqui tendo a impressão de que eu comecei não gostando do filme e terminei empolgada o suficiente para “voltar a fita” a assistir novamente os últimos 20 minutos, foi exatamente isso que aconteceu. Os primeiros 40 minutos foram abaixo da expectativa. Porém, dali em diante o filme foi ficando cada vez mais cativante, me ganhando definitivamente na cena em que Anne-Marie e Filipov conversam. Quem quer que tenha qualquer relação com música vai se deliciar com o diálogo entre eles.

Enfim... se você se interessou, assista, persista, encante-se e não deixe de aplaudir no final.

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O desafio dos 100 livros

coded by ctellier | tags: , | Posted On terça-feira, 17 de abril de 2012 at 08:01

meteorologia: nublado ainda
pecado da gula: pão com nutella
teor alcoolico: nada ainda
audio: beatles
video: la minute #1092

Qualquer coisa ligada a livros sempre me interessa. Encontrei há algumas semanas no Facebook este desafio. A ideia, interessante para quem gosta muito de livros como eu, é postar diariamente o nome de um livro que se encaixe no "critério do dia". Curti bastante por dois motivos: pelo desafio de lembrar de livros que se ajustem ao critério e por encontrar, nas listas alheias, mais sugestões de leitura.

Comecei a postar em 30/03/2012 e até agora não falhei nem um dia. Inicialmente, havia pensado em postar minha lista completa aqui no blog, somente após o término. Mas cheguei à conclusão de que ficaria longa demais e, consequentemente, poucos a leriam até o final. Achei melhor, então, postar aos poucos.
Hoje, são os 10 primeiros:

1Seu livro preferido
O nome da rosa - Umberto Eco
2Um livro que vc odiou
O guarani - José de Alencar
3Um livro que você já leu mais de uma vez
Perto do coração selvagem - Clarice Lispector
4O livro que a cada leitura que faz traz uma visão diferente da história
O estrangeiro - Albert Camus
5Um livro do seu autor favorito
A Legião Estrangeira - Clarice Lispector
6Um livro que teve uma boa adaptação cinematográfica
O senhor dos aneis - J.R.R.Tolkien
7Uma ótima biografia
Clarice, - Benjamin Moser
8Um bom livro Juvenil
O mistério do cinco estrelas - Marcos Rey
9Um livro com citações filosóficas
O mundo de Sofia - Jostein Gaardner
10Um Livro de Romance Romântico
O morro dos ventos uivantes - Emile Brönte

Veja também:

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O chamado de Cthulhu

coded by ctellier | tags: | Posted On segunda-feira, 9 de abril de 2012 at 21:08

meteorologia: calor
pecado da gula: beringela à parmigiana
teor alcoolico: 1 smirnoff ice
audio: papo pirata #35
video: numb3rs

O chamado de Cthulhu e outros contos
H.P.Lovecraft

O livro não fazia parte do Desafio literário, mas H.P.Lovecraft é um escritor que já há algum tempo me sentia em dívida por não ter lido nada de sua autoria - mea culpa. Mas a oportunidade de lê-lo apresentou-se inesperadamente e não hesitei em aproveitá-la.

Meu interesse por Lovecraft foi despertado quando começaram a vazar algumas notas informando que Guillermo Del Toro produziria um filme baseado em “Nas montanhas da loucura”. Aparentemente, a produção foi cancelada, porém minha curiosidade acerca de sua obra permaneceu. Principalmente depois de aprender que ele foi um discípulo confesso de Edgar Allan Poe. E, dos gêneros ficcionais da literatura, o realismo fantástico é um dos meus prediletos, perdendo apenas para a ficção científica. Aliás, preciso admitir que devo a Poe meu gosto por esse estilo narrativo, sendo os “Os crimes da rua Morgue” e “O poço e o pêndulo” minhas primeiras incursões em seu universo - assunto para outro post.

Minhas impressões iniciais, ao ler os dois primeiros contos do livro, foram de imediata familiariadade. Explico-me. Apesar de nunca ter lido qualquer texto de Lovecraft, tive a impressão de conhecer bem o mundo em que ele ambienta suas estórias. E isso se deve ao fato de muitas outras obras terem bebido de sua fonte. Veio-me à mente uma grande quantidade de referências e citações em filmes e livros de ficção científica (ou não) posteriores às suas publicações. E, como já comentei em outros posts, é isso que faz um clássico literário, a perenidade da obra - mantidas as devidas proporções, a narrativa permanece atual mesmo dois ou três séculos depois. Pode não ser tão assustadora ou aterrorizante quanto na época em que foi produzida, já que os tempos são outros, mas a qualidade do texto, o teor da narrativa, o carisma dos personagens são inegáveis. Possivelmente, o estilo pesado e bastante adjetivado de Lovecraft espante alguns leitores habituados demais com a leveza da literatura mais contemporânea. Mas é perfeitamente contornável.

É inevitável a comparação com Poe. Gostei muito do que li, mas Poe ainda permanece meu predileto. Um dos motivos é que Poe não escreveu apenas textos de terror/horror, seu universo é bem mais abrangente. Aliás, alguns estudiosos o apontam como, talvez não o criador mas, o responsável pela popularização do gênero ficção policial - as populares estórias de detetives. Certamente Sherlock Holmes não existiria, do modo como o conhecemos, se Poe não brindasse os leitores com “Os crimes da rua Morgue”. Talvez em outras obras de Lovecraft seja diferente, mas pareceu-me que, diferente de Poe, seu terror, sua fantasia voltam-se mais para o lado mítico, não necessariamente místico, já que monstros e criaturas de origem desconhecida são presenças constantes e bastante memoráveis em seus textos. Por outro lado, Poe segue mais para o lado do terror psicológico, com estórias calcadas no cientificismo que era moda na sua época.

Sobre o livro em si, gostei bastante dessa edição da Editora Hedra. A introdução rica em detalhes sobre os interesses do autor, suas ideias sobre o estilo literário a que se dedica é bastante esclarecedora e ajuda muito a contextualizar a obra. E o apêndice, que contem uma carta escrita pelo autor e originalmente publicada no apêndice de “O chamado de Cthulhu”, agrega bastante aos leitores interessados em se aprofundar na obra de Lovecraft. Os contos de que mais gostei, além do que dá título ao livro, foram “Vento frio” e “O modelo de Pickman”.

Sem dúvida, qualquer fã de ficção científica e/ou literatura fantástica tem quase a obrigação de ler Lovecraft. Na minha opinião, não pode se denominar fã desses gêneros quem não leu Lovecraft. Assim como Poe, é leitura obrigatória para quem gosta de boa literatura e de boas estórias.


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