Drops » Intouchables

coded by ctellier | tags: , | Posted On terça-feira, 13 de novembro de 2012 at 09:15

meteorologia: chuva chata
pecado da gula: um cone de nutty bavarian
teor alcoolico: uma stella artois
audio: spinoff podcast s06e07
video: numb3rs

Intouchables (2012)
roteiro e direção: Olivier Nakache, Eric Toledano

Sinopse:
Philippe (François Cluzet) é um aristocrata rico que, após sofrer um grave acidente, fica tetraplégico. Precisando de um assistente, ele decide contratar Driss (Omar Sy), um jovem problemático. De início, eles enfrentam vários problemas, já que ambos têm temperamento forte, mas aos poucos passam a aprender um com o outro.
(fonte: site Playarte Cinema)

Pela temática, pode parecer que se trata de um drama, daqueles que arrancam lágrimas do espectador a cada dez minutos. Mas não é o caso. É lógico que há um pouco de drama, tanto pela condição física de Philippe quanto pela condição social de Driss. Contudo, o que mais se sobressai no filme é o humor leve que permeia toda a estória. A interação entre os personagens garante boas risadas, daquelas que nos deixam com a sensação de que não importa o tamanho do problema, sempre há uma brecha para o humor.

O elenco é responsável por boa parte da empatia. Cluzet - cada vez mais parecido com Dustin Hoffman - constrói um personagem bastante emblemático, mesmo tendo como "instrumentos" apenas sua face e sua voz. Com um pouco mais de recursos, fez-me lembrar bastante de Mathieu Amalric em O escafandro e a borboleta (post aqui). E Omar Sy faz o contraponto perfeito, sendo expansivo e debochado.

Enfim, vale assistir.

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Motivação, cadê você?

coded by ctellier | tags: , , | Posted On sexta-feira, 2 de novembro de 2012 at 10:42

meteorologia: nublado
pecado da gula: bolo formigueiro
teor alcoolico: nada ainda
audio: papo de gordo #100
video: breakout kings

Tem dias que tudo o que a gente quer é que o mundo acabe em barranco para morrermos encostados. Acordamos, e o primeiro pensamento é "Precisa mesmo?" - precisa mesmo levantar? precisa mesmo treinar? precisa mesmo trabalhar?

Já comentei sobre a falta de motivação em um outro post. Complementando as sugestões dadas, segue uma lista de vídeos que dão "aquela" forcinha na hora que a motivação insiste em se esconder.

Há aqueles que dão o empurrãozinho necessário para calçar o tênis e ir pra rua.

Há os que comprovam que o resultado compensa o eventual esforço.

Aqueles que dão um puxão de orelha na nossa preguiça, mostrando que pessoas com mais problemas ou dificuldades que nós estão aí fazendo o que estamos dando desculpas mil para não fazer.

Há outros para lembrar e se motivar durante o treino - seja de corrida, bike, ou qualquer outro esporte -, dando uma injeção de ânimo, fazendo-nos lembrar que sempre tem uma reservinha de energia para a aquele sprint final.

Há os que se aplicam para tudo, não só para o esporte.

Os que mostram que começar, dar o primeiro passo é o mais importante. Feito isso, continuar é (quase) sempre mais fácil.

Há os que nos lembram que força de vontade é essencial, e que, parafraseando o Locke de Lost, não se deve permitir que alguém diga o que não podemos fazer.

E há aqueles que mostram que, por maior que seja o desafio, o que importa é acreditar que seja possível. Já dizia o mestre Yoda: "Do, or do not. There is no 'try'."

É isso aí, bons treinos!























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Não vi, mas preciso...

coded by ctellier | tags: , , | Posted On domingo, 28 de outubro de 2012 at 19:55

meteorologia: chuvas de verão (na primavera)
pecado da gula: esfihas
teor alcoolico: 2 stella artois
audio: nerdcast #334
video: fringe

Inspirada pelo episódio 303 do Rapaduracast, NUNCA vi, mas TENHO que ver, em que Jurandir Filho (@jurandirfilho), Thiago Siqueira (@thiagosiqueiraf), Fábio Barreto (@soshollywood) e Raphael Draccon (@raphaeldraccon) assumem publicamente alguns dos filmes que todo mundo viu (ou quase todo mundo) mas eles ainda não, segue a minha lista de "débitos" cinematográficos:

(já assisti a trechos de alguns deles, mas nunca o filme todo)


  • Taxi driver - 1976
    roteiro: Paul Schrader
    direção: Martin Scorsese
  • Raging Bull (Touro indomável) - 1980
    roteiro: Paul Schrader, Mardik Martin
    direção: Martin Scorcese
  • Det sjunde inseglet (O sétimo selo) - 1957
    roteiro e direção: Ingmar Bergman
  • True grit (Bravura indômita) - 1969
    roteiro: Marguerite Roberts
    direção: Henry Hathaway
  • Apocalipse now - 1979
    roteiro: John Milius,
    direção: Francis Ford Coppola
  • The Tree of Life (A árvore da vida) - 2011
    roteiro e direção: Terrence Malick
  • Das Leben der Anderen (A vida dos outros) - 2006
    roteiro e direção: Florian Henckel von Donnersmarck
  • Midnight in Paris (Meia-noite em Paris) - 2011
    roteiro e direção: Woody Allen
  • Oldeuboi (Oldboy)- 2003
    roteiro: Jo-yun Hwang, Chun-hyeong Lim, Chan-wook Park
    direção: Chan-wook Park
  • Les invasions barbares (As invasões barbaras) - 2003
    roteiro e direção: Denys Arcand


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Muito além das resenhas

coded by ctellier | tags: , | Posted On quarta-feira, 24 de outubro de 2012 at 10:28

meteorologia: sol tímido
pecado da gula: pudim de chocolate
teor alcoolico: nada ainda
audio: rapaduracast #303
video: numb3rs

Com meu recém-adquirido hábito de acompanhar canais literários no YouTube (post aqui), pude perceber que há temáticas comuns a quase todos. Boa parte dos vlogueiros, além de resenhar os livros lidos, incluem vídeos de:
  • Inbox ou Caixa de Correio: para mostrar os livros comprados;
  • Livros do mês: livros lidos ou a ser lidos naquele mês;
  • Bookshelf Tour: mostrando o conteúdo de sua estante e/ou prateleira de livros;
  • e Tags (que é o foco deste post): algum vlogueiro cria algo similar a uma pesquisa, incluindo uma série de perguntas ou solicitando uma lista sobre determinado tema. Por exemplo, "As 10 capas de livros preferidas". O vlogueiro "criador" repassa o convite aos demais, solicitando que respondam a Tag.

A que está rolando atualmente entre os canais nacionais é sobre livros para ler antes do fim do mundo. Veio originalmente de um canal gringo, I Eat Words Channel (assista aqui). O primeiro canal nacional a que assisti respondendo a Tag foi aViviu, e ela informa que quem "trouxe" a Tag para os canais brasileiros foi a Giu Fernandes.

A Tag pede 5 livros para ler antes do fim do mundo, nas seguintes condições:
  • deve ser um livro que o leitor possua;
  • não pode ser uma releitura.

Deu vontade de responder a Tag. Contudo, não mantenho um canal literário - e nem pretendo -, então respondo aqui no blog mesmo. E assim como a Vitória, vou trapacear um tiquinho e fazer duas listas: uma com livros que comprei e não li ainda e outra com livros que não tenho e gostaria de ler.

Tenho e não li:
  • Contato, Carl Sagan
  • Sherlock Holmes - Coleção completa, Arthur Conan Doyle
  • Ulisses, James Joyce
  • O lobo da estepe, Herman Hesse
  • Nas montanhas da loucura, H.P.Lovecraft

Não tenho e gostaria de ler:
  • Os diários secretos de Agatha Christie, John Curran
  • Neuromancer, William Gibson
  • O som e a fúria, William Faulkner
  • O jogo da amarelinha, Julio Cortázar
  • Os detetives selvagens, Roberto Bolaño

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Clube do suicídio

coded by ctellier | tags: | Posted On segunda-feira, 22 de outubro de 2012 at 17:46

meteorologia: sol e calor
pecado da gula: pudim de chocolate
teor alcoolico: nada ainda
audio: braincast #37
video: lost

O clube do suicídio
Robert Louis Stevenson

Este livro, que é uma coleção de contos e novelas, não constava da minha lista de desejos. Aliás, admito que não sabia de sua existência. Conheci-o ao ver um post divulgando o Clube de Prosa Cosac Naify, cujo tema seria esta obra. Como para um leitor compulsivo qualquer motivo é um bom motivo para incluir mais um livro na coleção, obviamente minha reação foi ligar para a Cultura e reservar o item. Quanto ao clube, achei que, tendo lido um dos contos - o mais famoso, O estranho caso de Dr.Jekyll e Mr.Hyde - e iniciando a leitura daquele que dá nome do livro seria o bastante para não parecer um peixe fora d’água. E, a fim de mergulhar logo nas estórias, “pulei” a introdução, o que se mostrou ter sido uma decisão acertada pois, conforme comentou a mediadora do clube, a introdução contém alguns spoilers.

A coletânea é composta por:
  • O clube do suicídio
  • O estranho caso de Dr.Jekyll e Mr.Hyde
  • Markheim
  • O demônio da garrafa
  • O ladrão de cadáveres
  • O vestíbulo

O texto que dá título ao livro é, na verdade, uma novela composta por três contos, interligados entre si. O elo entre eles é a dupla de personagens central, o príncipe Florizel e seu "fiel escudeiro" Mr.Geraldine. Na primeira estória, a dupla é apresentada ao clube do suicídio. Trata-se de um clube de cavalheiros cujo interesse comum é, logicamente, o suicídio. Pois, apesar de terem decidido dar cabo da própria vida, não têm coragem suficiente para fazê-lo. Todas as noites, é feito um sorteio - utilizando-se um baralho - a fim de escolher quem será a vítima e o algoz daquela data. O presidente do clube engarrega-se dos detalhes a fim de que o “evento” não pareça um ato criminoso. As outras duas estórias são decorrentes desta.

O estranho caso de Dr.Jekyll e Mr.Hyde dispensa apresentações. Apesar de que, conforme orienta Nabokov no ensaio que está no apêndice, “por favor, trate completamente de esquecer, deslembrar, apagar, desaprender, jogar no lixo qualquer noção que você possa ter de que Jekyll e Hyde seja uma espécie de história ou filme de mistério ou de detetive.” Pensar nisso ao ler é essencial, pois a trama é muito mais do que o imaginário coletivo conhece dela. Já comentei sobre ele neste post.

Em Markheim, um jovem entra numa loja de penhores e, depois da ocorrência de um evento inesperado (aparentemente), a trama deriva para algo semelhante a Crime e castigo.

O demônio da garrafa é uma variante da conhecida estória do gênio da lâmpada, com a diferença que não há limite para o número de pedidos e que o dono da garrafa não pode ser livra dela a não ser que a venda.

O ladrão de cadáveres, talvez a mais sombria e mórbida de todas, conta em flashback a estória de um médico que, em sua época de estudante, junto com um colega, prestava serviços a um doutor, Sr.K, famoso por técnicas de dissecação por ele desenvolvidas.

E O vestíbulo, o conto mais curto - e talvez o mais fraco -, narra o ódio de um nobre por outro e a maneira inventiva que o primeiro encontra para se livrar do segundo.

Conheci a obra de Stevenson lendo A ilha do tesouro, que mais tarde aprendi ter sido escrito para entretenimento do enteado do autor. Parafraseando o locutor que anuncia os filmes da Sessão da Tarde, é sobre “uma turminha do barulho, encarando grandes aventuras”. Clássico da literatura infanto-juvenil, é uma aventura deliciosa com direito a mapa do tesouro, piratas, motim, cozinheiro de uma perna só e que teve inúmeras adaptações em outras mídias - cinema, teatro, HQ. E, ao ler O estranho caso de Dr.Jekyll e Mr.Hyde, surpreendi-me ao descobrir que era do mesmo autor pois, exceto pela qualidade do texto, não há nada em comum nas estórias.

Aproveitando a deixa, acredito que um dos méritos de O clube do suicídio é, além de confirmar Stevenson como um autor essencial, demonstrar sua versatilidade ao transitar com naturalidade entre vários estilos narrativos, indo desde a aventura detetivesca até o terror psicológico, passando pelo suspense e pelo realismo fantástico. E há algo mais em sua prosa que notei enquanto completava a leitura. Por ter participado do clube, pude ouvir o resumo das estórias feitos pelos demais participantes. E constatei, enquanto lia, o imenso poder de sugestão de Stevenson. Apesar de seu texto ser bastante descritivo em muitos trechos - o que dá a impressão de excesso de detalhes -, ao mesmo tempo ele deixa muito a cargo do leitor, às vezes explicitamente, mas na maioria das vezes nem tanto. Muitos dos detalhes narrados pelos leitores no clube não estavam escritos, eram apenas sutilmente sugeridos.

Outro detalhe comum a todos os textos é a condução do leitor. O texto de Stevenson flui de tal maneira que é difícil interromper a leitura. Não me refiro a cliffhangers presentes ao final de uma cena ou capítulo, recurso extensamente utilizado na maioria dos livros policiais. Stevenson conduz a trama de modo a envolver o leitor, despertando seu interesse no destino dos personagens e no desenlace das situações. Por várias vezes, iniciava a leitura disposta a ler 4 ou 5 páginas e quando me dava conta já estava chegando ao final da estória.

Estes são, no meu entender, os pontos fortes das narrativas. E não é por ser um clássico que eu deva ter obrigação de achar tudo “lindo e maravilhoso”. Na minha modesta opinião, há um ponto fraco em três contos: o final. Por razões diversas, os desfechos das estórias não me agradaram. Em Markheim, esperava uma solução menos trivial, mais dramática; algo que seguisse o clima fantástico do conto. Em O demônio na garrafa, o final poderia ser menos simplista, menos previsível; enfim, menos preguiçoso. E em O vestíbulo, tem-se a nítida impressão de que não há um final. O conto termina tão abruptamente que é inevitável o leitor se perguntar: “Ué! já acabou?!”. Talvez alguns leitores também não gostem muito do final “em aberto” de O ladrão de cadáveres pois, apesar de ter uma conclusão bem surpreendente, muitas questões são deixadas sem explicação. Eu gostei, achei que deixar as suposições e hipóteses para o leitor tinha tudo a ver com o desenrolar da trama.

Essa edição da Cosac Naify é bastante caprichada, incluindo, além dos textos de Stevenson, dois ensaios comentando sobre sua obra - um de Henry James e outro de Vladimir Nabokov - , que também valem ser lidos.
Enfim, leitura mais que recomendada.

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