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Posted On quinta-feira, 16 de maio de 2013 at 11:53
meteorologia:
pecado da gula:
teor alcoolico:
audio:
video:
(resenha publicada originalmente no Vórtex Cultural, em 09/05/2013)
Killer Joe (2011) - Killer Joe: Matador de aluguel
roteiro: Tracy Letts
direção: William Friedkin
★ ★ ★ ★ ★
Dirigido por William Friedkin (Possuídos e O Exorcista) e estrelado por Matthew McConaughey, Emile Hirsch e Juno Temple, o filme foi exibido no Festival de Veneza de 2011. Chris Smith, 22 anos, é um traficante de drogas azarado, mas as coisas ficam ainda piores quando ele contrata o surpreendentemente charmoso matador de aluguel, Killer Joe, para matar sua própria mãe e pôr as mãos em sua apólice de seguro de vida de $50.000. Sem dinheiro algum, Chris concorda em oferecer sua irmã mais nova, Dottie, como garantia sexual em troca dos serviços de Joe até receber o dinheiro do seguro. Quer dizer, se ele realmente receber.
(sinopse oficial - fonte: www.californiafilmes.com.br)
Este é o tipo de filme que, ao seu término, deixa o espectador na dúvida. Não dá para dizer se gostou ou não, porém não dá para negar que causa uma impressão que custa a se dissipar. O humor negro que permeia todo o filme, a sensação de conhecer talvez a família mais estúpida e desajustada da história do cinema, a certeza de ver a melhor atuação de McConaughey até hoje e uma sequência final de tirar o fôlego são apenas alguns dos elementos que fazem deste um filme difícil de descrever em palavras.
Há nudez, violência física e verbal, falta de escrúpulos e de expectativas num universo obscuro e deprimente em que as pessoas moram em trailers, com um cão ladrando acorrentado durante toda a noite, com uma tv ligada todo o tempo passando aparentemente sempre a mesma programação. E Friedkin apresenta isso logo na sequência de abertura, à noite e sob a chuva, esfregando - quase literalmente - na cara do espectador a depravação do mundo em que vivem os personagens.
A trama em que os personagens estão enredados é praticamente uma tragédia anunciada. O público assiste sabendo que algo ruim irá acontecer. E acontece. Mas acontece muito mais do que era esperado. No último terço do filme, através da expressão truculenta e insana de Killer Joe, Friedkin parece se dirigir ao espectador: “Você estava esperando violência? estava aguardando a tragédia? Então, agora aguenta aí.” E o espectador não é poupado de cenas cada vez mais perturbadoras, daquelas que dão vontade de desviar o olhar.
A estória é bem estruturada, apesar de simples. Mas a força está mesmo nos personagens, complexos e bem desenvolvidos. Apesar do aparente exagero nas tintas, a ótima performance do elenco torna-os totalmente verossímeis. Há Chris Smith (Emile Hirsch), o jovem traficante, totalmente gauche na vida, que já foi expulso de casa pela mãe, por tê-la agredido. Seu pai, Ansel Smith (Thomas Haden Church), tão bronco e ignorante, cuja preocupação maior ao conversar com a atual esposa sobre a filha caçula é não esquecer o dinheiro para a cerveja. Sua irmã mais nova, Dottie (Juno Temple), ingênua e totalmente alienada da realidade ao redor, cujo corpo adolescente é um misto de inocência e sensualidade. Sua madrasta, Sharla (Gina Gershon), uma quarentona enxuta (?), habituada a usar o corpo e o sexo para conseguir o que quer. E, finalmente, há Joe Cooper (Matthew McConaughey), o assassino de aluguel, detentor de um código de ética próprio e muito, muito educado. Mas educado de um modo assustador. A própria Dottie lhe diz: “Your eyes hurt” (“teus olhos machucam). Contido, tem-se a impressão de que a qualquer momento ele irá surtar. E surta. E o mais assustador é que quando ele surta, apesar de parecer descontrolado, percebe-se que suas ações não são impulsivas, que ele ainda é senhor de seus atos. Enfim, uma atuação sem precedentes de McConaughey, que consegue revelar aos poucos a psicopatia do personagem.
E dessa mistura entre humor negro e insanidade, emerge uma comédia de erros de tons mórbidos que causa um estranhamento no espectador mas que valida toda a excentricidade do filme.

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Posted On terça-feira, 7 de maio de 2013 at 18:12
meteorologia: sol e vento frio
pecado da gula: arroz com bacon
teor alcoolico: nada ainda
audio: nina sinome
video: the dead zone
2 Coelhos (2012)
roteiro e direção: Afonso Poyart
★ ★ ★ ★ ★

Sinopse:
Edgar (Fernando Alves Pinto) encontra-se na mesma situação que a maioria dos brasileiros: espremido entre a criminalidade, que age impunemente, e a maioria do poder público, que só age com o auxilio da corrupção.
Cansado de ser vítima desta situação, ele resolve fazer justiça com as próprias mãos e elabora um plano que colocará os criminosos em rota de colisão com políticos gananciosos.
(fonte: filmow)
Apesar de Edgar estar realmente na situação descrita no primeiro parágrafo da sinopse, sua motivação não é bem aquela descrita no segundo parágrafo. Na verdade, sua intenção é tirar proveito da impunidade e da corrupção em benefício próprio, ou seja, aproveitar-se das brechas na justiça e da ganância de políticos corruptos a fim de garantir um bom pé de meia para ele e a namorada, Júlia (Alessandra Negrini). O que, no meu entender, faz muito mais sentido do que pensar em Edgar como um “vigilante” ou um “Robin Hood” que conclui que fazer justiça por conta própria irá efetivamente mudar de algum modo a situação atual do país.
Desde Tropa de Elite que o público percebeu que cinema nacional não se resume apenas a filmes-cabeça ou comédias made in Globo Filmes. Contudo, ainda assim há poucos que saem dessa linha. Este, diferente da maioria, tem nitidamente um tom de videoclipe. A mistura de cenas de ação, quadrinhos, videogames com o cenário cinzento de São Paulo deu um resultado muito bom, que prende a atenção do espectador do início ao fim. Tem-se a impressão que Poyart juntou todas as ideias que tinha para fazer um filme mais um monte de referências pop, colocou um saco, chacoalhou e depois usou o resultado da mistura como roteiro. Certamente por isso, em alguns momentos, há um certo exagero tanto nas referências quanto na utilização de efeitos visuais gráficos.
É irritante ouvir/ler pessoas comentando sobre o filme e soltando o eterno clichê: “É bom, mesmo sendo nacional.” . Que isso?! Há bons e ruins de qualquer nacionalidade. Essa falácia de que só o que vem de fora, a priori, tem qualidade já deveria ter saído da cabeça do público há tempos. Se há algo a ser dito, a ser destacado neste filme é que, mesmo sendo nacional, a estética dele é diferente de praticamente todos os filmes brasileiros a que assisti até hoje. E lembra filme americano, sim.
Aliás, lembra muito o estilo de um diretor especificamente - Guy Ritchie. A montagem veloz - às vezes, com cortes rápidos demais - remete imediatamente aos filmes de ação feitos em Hollywood. E, apesar de eu particularmente preferir planos mais longos, a quantidade de cortes casa muito bem com o ritmo da narrativa.
A estória é narrada, em off, pelo protagonista. Ágil e descontinuada, com idas e voltas no tempo, é essa (des)estrutura que segura o espectador na poltrona. É exatamente assim que alguém conta uma estória – vai contando, de repente lembra-se de um detalhe, volta, conta o que ficou faltando, apresenta um personagem que vai ser importante só mais tarde na estória, omite alguns detalhes sabendo que vão gerar suspense. A trama está bem amarrada, exceto por um ou outro “nó” que não chega a ser atado ao fim do filme, o que não chega a prejudicar o resultado final.
O elenco está bem, com uma ou outra ressalva. Fernando Alves Pinto encarna perfeitamente o cara que sabe o que quer e como conseguir. Até sua dicção falha malemolente casou bem com o personagem. Alessandra Negrini, sempre linda, consegue ir de moça apaixonada a femme fatale numa boa, apesar de em alguns momentos parecer estar atuando no automático. Caco Ciocler é o elo fraco. Além da motivação de seu personagem não ficar muito clara, sua atuação - no melhor estilo ‘cigano Igor’ - deixa bastante a desejar. Para compensar, os “bad guys” - Deputado Jader Kerteis (Roberto Marchese) e Maicon (Marat Descartes) - entregam performances bastante críveis, mesmo com o exagero de canastrice em algumas cenas.
Perdoados os escessos e falhas de um diretor principiante, é um filme que vai conquistando o público à medida que avança. Enfim, é difícil terminar de assistir e não pensar (às vezes em voz alta): “Yes, we can! Quem disse que brasileiro não pode fazer filme de ação?”.

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Posted On domingo, 5 de maio de 2013 at 09:30
meteorologia: ar seco e quente
pecado da gula: bolo formigueiro
teor alcoolico: 1 duvel
audio: nina simone
video: in the flesh
★ ★ ★ ★ ★
Mais uma produção exclusiva da Netflix, com lançamento simultâneo (19/04/2013) em todos os países em que a empresa está presente. E, mais uma vez, assim como com House of cards, toda a primeira temporada foi disponibilizada de uma só vez. Quem estiver a fim de aproveitar esse friozinho de início de outono, ajeitar-se no sofá com o kit edredom + pipoca + café e fazer uma maratona da série, não precisa esperar.
A premissa "garota assassinada em cidadezinha do interior onde todo mundo tem um segredo" é batida. Mas, ao começar a assistir, esperava que talvez os roteiristas consiguiriam sair do lugar-comum não apenas acrescentando doses maciças de violência e seres sobrenaturais.
Infelizmente, a série ficou muito aquém de House of cards. Talvez, devido a House of cards, a expectativa tenha ficado muito alta e difícil de ser atingida. A série é bem produzida, isso é inegável. Mas não conseguiu me prender. Diferente de House of cards, que eu certamente acompanharia mesmo que tivesse sido veiculada semanalmente, esta eu só cheguei ao final da temporada por ter sido liberada toda de uma vez. Se eu tivesse de aguardar pelo episódio da semana seguinte, provavelmente não acompanharia assiduamente. A falta de ritmo, de “pegada” mesmo da narrativa não deixa o espectador com muita vontade de continuar assistindo. Algumas subtramas se arrastam de maneira desnecessária. E o excesso de flashbacks compromete demais o fluxo narrativo.
Não é que a estória seja ruim. Contudo, fica-se com a impressão de que os roteiristas não conseguiram se decidir entre dar um tom de realismo fantástico - valendo-se de argumentos científicos - e mergulhar definitivamente na fantasia e partir da premissa que as criaturas existem sem necessidade de explicação. A série não é tão chata quanto algumas críticas fizeram parecer, mas mesmo assim está longe de se tornar a predileta de algum espectador.

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Posted On sexta-feira, 3 de maio de 2013 at 07:27
meteorologia: sol e vento frio
pecado da gula: pão com nutella
teor alcoolico: nada ainda
audio: u2
video: justified
Somos tão jovens (2013)
roteiro: Marcos Bernstein
direção: Antonio Carlos da Fontoura
★ ★ ★ ★ ★
(resenha publicada originalmente no Vórtex Cultural, em 26/04/2013)
Sinopse:
O jovem Renato Russo não tem tempo a perder: sonha ser um astro do rock. Mas ainda é cedo. Ele precisa estudar, dar aulas de inglês, tranquilizar os pais, curtir a turma, curar dores de amor e, principalmente, arrumar quem toque na sua banda. Do Aborto Elétrico à Legião Urbana, “Somos Tão Jovens” apresenta os primeiros acordes do mito Renato Russo e da turma do Rock Brasília, criadores de sucessos como “Que País é Este”, “Geração Coca-Cola”, “Eduardo e Mônica” e muitas outras músicas que marcam e transformam fãs geração após geração, iniciando a trajetória que a tornará a maior banda do Rock Brasil e Renato Russo o porta-voz da juventude urbana do país inteiro.
(fonte: www.somostaojovens.com.br)
Não há dúvida que o filme ganha muito por ter uma “trilha sonora” tão conhecida. E, segundo informações da própria produtora do filme, todo o som foi captado no momento das gravações, ou seja, ao vivo. O que confere a verossimilhança necessária para fazer o espectador mergulhar no filme e curtir o som e a estória. Mas nem tudo são flores. Apesar do roteiro ser bem amarrado, não ter “barrigas” e balancear bem trama e música, a tentativa canhestra de inserir frases das letras do Legião nos diálogos não caiu nada bem. As falas parecem forçadas, como se os atores estivessem recitando um soneto de Camões. À parte isso, quando não tentam ser líricos e artificialmente poéticos, os papos entre os adolescentes têm naturalidade e um bom ritmo.
Vale destacar a reconstrução da época, detalhada e bastante cuidadosa. Não só nos figurinos, penteados e cenários. Mas também os carros (placas inclusive), eletrodomésticos, bebidas, cigarros, até logomarcas de empresas que existem até hoje mas que tinham um layout diferente do atual - o caminhão de uma marca de sorvetes bem conhecida, cujo logo era amarelo, branco e azul marinho, despertou boas lembranças. Pode parecer pouco importante, mas o cuidado com esses pequenos detalhes garante que o espectador não se veja saindo do universo do filme ao perceber algo “mais moderno” que a época retratada.
A escolha do elenco também foi cuidadosa. Thiago Mendonça, de forma quase assustadora, lembra demais Renato Russo. Em certo momento do filme em que o ator está barbado, a semelhança é ainda mais impressionante. E não é apenas física. Os maneirismos, o jeito de andar, de mexer nos óculos, de falar - está tudo lá. Mas nem todos os atores são sósias de seus personagens, mas nem por isso menos identificáveis. Edu Moraes, por exemplo, está longe de parecer Herbert Vianna. Porém os óculos são inconfundíveis, e Moraes consegue reproduzir a maneira de falar e os trejeitos de Herbert de modo bastante fiel. O restante do elenco também tem boas atuações, com exceção de Sérgio Dalcin (como Petrus) que não consegue dar credibilidade ao personagem ao não se decidir o quão carregado deve ser seu sotaque gringo. Contudo, sua participação é curta, e não chega a prejudicar muito.
Mais que acertada a decisão de não retratar a vida de Renato Russo, mas sim a de Renato Manfredini Júnior. Acompanhar a gestação de uma das melhores bandas dos anos 80 é algo que prende a atenção do público, sendo ele fã ou não da banda. Afinal, gostando ou não, difícil algum espectador que não tenha ouvido, ao menos uma vez, alguma música do Legião Urbana. E, para os leigos, ou melhor, para os menos fanáticos, é interessante descobrir que os primeiros grandes sucessos da banda vieram dessa fase pré-Legião. E mais interessante ainda, perceber de onde veio o ímpeto criativo de Renato, a habilidade de contar estórias numa letra de música e, ao mesmo tempo, refletir os pensamentos e conflitos da sua geração.

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Posted On terça-feira, 30 de abril de 2013 at 18:30
meteorologia: vento de outono
pecado da gula: brigadeiro
teor alcoolico: nada ainda
audio: chico buarque
video: hannibal
Oblivion (2013)
roteiro: Joseph Kosinski, Karl Gajdusek, Michael Arndt
direção: Joseph Kosinski
★ ★ ★ ★ ★
(resenha publicada originalmente no Vórtex Cultural, em 23/04/2013)
Sinopse:
Num futuro em que a superfície da Terra foi destruída, os raros humanos restantes vivem sobre as nuvens, fugindo dos alienígenas que andam pelas ruínas. Mas quando Jack, especialista em reparar a superfície terrestre, descobre uma mulher misteriosa, ele dá origem a uma série de eventos que o forçarão a questionar tudo o que ele conhece.
(fonte: Cinemark)
Mesmo não sendo o suprassumo do gênero, este é um filme de sci-fi para fãs de sci-fi. Não só pela estória em si - felizmente não apenas um mundo pós-apocalíptico como pretexto para cenas de ação -, mas também pela infinidade de referências a outras obras de ficção científica que fãs mais aficcionados certamente se divertirão identificando. E a quantidade de referências chega a ser, ao mesmo tempo, qualidade e defeito, já que em vários momentos faz o espectador “sair” do filme ao tentar lembrar a qual obra se remete aquela cena, diálogo ou cenário. Numa contagem rápida e rasteira, há referências a oito filmes, sendo Wall-e e 2001 - A space odissey as mais óbvias - algumas das demais é preferível não citar pois configuraria spoiler.
(quem não se incomodar com spoilers, pode ver uma lista no final do post)
O roteiro foi baseado numa graphic novel homônima do próprio Joseph Kosinski, com desenhos de Arvid Nelson. E, assim como em seu filme anterior - Tron: o legado - Kosinski apresenta ao espectador um ambiente visualmente interessante, bem menos grandioso mas totalmente condizente com a realidade do futuro não muito distante em que se passa a estória. A “casa” acima das nuvens em que vivem Jack Harper (Tom Cruise) e sua parceira, Victoria (Andrea Riseborough), com seu visual clean e asséptico - em branco e prata, além de muitas transparências - faz o contraponto na medida com o ambiente inóspito da “superfície”.
Interessante notar que os personagens também refletem essa dicotomia. Enquanto Vika parece fazer parte da residência - tão arrumada e estéril, sem nenhum fio de cabelo fora do lugar - Harper parece deslocado ali dentro, menos à vontade do que quando exposto à poeira da superfície devastada. E, em vários momentos, o comportamento de Vika - condicionado, irredutível, robótico até - faz pairar uma dúvida sobre sua humanidade. Em contrapartida, apesar dos trejeitos de Ethan Hunt, Harper é nitidamente mais “gente como a gente”, saudoso do planeta que conhecia antes do ataque alienígena. Completam a galeria de personagens Beech (Morgan Freeman) e Sykes (Nikolaj Coster-Waldau, o Príncipe Jaime de Game of Thrones).
A primeira meia hora do filme é bastante lenta, com vários trechos que, se suprimidos, não fariam falta - inclusive a introdução inicial com narração em off, já que Harper repete toda a estória para Julia Kusakova (Olga Kurylenko) após resgatá-la. Além disso, várias cenas contemplativas, embora agradavelmente embaladas por Led Zeppelin, poderiam ser encurtadas sem prejuízo algum. Ao contrário, certamente o ritmo da narrativa se beneficiaria, evitando tantas “barrigas” durante o filme. É nítida a intenção do roteirista/diretor de apresentar detalhes do universo do filme e de seus personagens. Porém isso poderia ter sido feito não necessariamente de uma maneira mais dinâmica, mas certamente mais enxuta. O ritmo da trama parece se ajustar após esses 30 minutos iniciais, conseguindo mesclar bem as cenas de ação e as de questionamento e/ou explanação dos eventos. Infelizmente, as várias perguntas, tanto de Harper quanto do espectador, vão se acumulando no decorrer do filme e o roteiro tenta respondê-las nos 20 minutos finais. O clímax não fica bem resolvido, explicações são dadas às pressas e de forma explícita - o que de certa forma presume que o espectador seria incapaz de perceber certos detalhes - reafirmando a falta de consistência narrativa.
A premissa é boa, os personagens são bons, o filme é visualmente impressionante, os efeitos especiais são bem feitos, abundantes mas pouco invasivos, a trama tem alguma reviravoltas interessantes. Pena que o roteiro não consiga amarrar isso tudo de uma forma melhor. Tem-se a impressão de que há muitas boas ideias mas certa falta de maturidade ao organizá-las. Mas também há indícios de que Kosinski está no caminho certo, se continuar evoluindo desse modo.

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