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Posted On segunda-feira, 5 de agosto de 2013 at 18:07
meteorologia: friozinho chato (de novo)
pecado da gula: bem-casados
teor alcoolico: nada ainda
audio: the doors
video: o ano em que meus pais sairam de férias
(resenha publicada originalmente no Vórtex Cultural, em 28/07/2013)
The Bling Ring (2013) - The Bling Ring: A Gangue de Hollywood
roteiro e direção: Sofia Coppola
★ ★ ★ ★ ★
O artigo em que se baseia o roteiro - The Suspects Wore Louboutins - foi publicado na Vanity Fair, um misto de Caras e Marie Claire, ou seja, o tipo de revista que não tenho hábito (nem vontade) de ler, nem em salas de espera. Aliás, antes de assistir ao filme, eu nem sabia que Louboutin é uma marca, ou melhor, uma grife de sapatos - meu conhecimento desse assunto resume-se aos Manolo Blahnik usados pela Carrie de Sex and the city.
Resumindo, não conheço (praticamente) nada do universo retratado no filme. O que não me impediu de desfrutar de todo o resto. Certamente, quem conhece grifes, marcas e celebridades terá um divertimento a mais. Porém, o flime sustenta-se bem sem esse conhecimento prévio.
Não foi difícil comprar a ideia de um bando de patricinhas entediadas não achasse nada de mais invadir casas de celebridades para roubar. Até mesmo o fato de o endereço dos famosos se encontrar a apenas um clique no Google é aceitável. Se há algo que foi difícil acreditar é que essas mesmas celebridades - ao menos algumas delas - , ao sairem em viagem, deixassem suas casas, enormes por sinal, abandonadas, sem sequer um empregado e, pior, sem sistema de segurança, nem mesmo uma câmera com sensor de movimento.
E o que dizer de Paris Hilton deixar a chave da casa sob o capacho da entrada? Acredito que nem alguém cuja residência seja bem mais modesta, sem tantos objetos valiosos, seria tão idiota a ponto de confiar tanto na boa índole alheia. E não apenas isso. Qualquer um com um pouco de bom senso, depois de ter sua casa invadida duas ou três vezes, além de não deixar mais a chave no local de costume, certamente instalaria um sistema de segurança ou contrataria vigilantes. Não que Paris Hilton seja um exemplo de alguém de bom senso, mas mesmo assim. A situação toda que propiciou os arrombamentos parece bastante irreal quando analisada racionalmente.
Mas não há nada de racional numa cidade em que pessoas deixam carros destrancados na rua com carteiras cheias de dinheiro dentro; ou em que famílias saiam em viagem sem verificar se todas as portas e janelas da casa estão trancadas; ou em que adolescentes de famílias ricas achem moralmente aceitável abrir esses mesmos carros e arrombar essas mesmas casas para se apossar de algo que não lhes pertence, apenas por pertencerem a alguém famoso que elas admiram e, logicamente, invejam; e, em que, cometido o delito, ainda se vangloriem e se exibam pelas redes sociais sem qualquer remorso. E o roteiro consegue mostrar essa distorção na visão de mundo desses adolescentes e a corrosão da moral que ao menos a maioria de nós acredita ser inerente ao ser humano.
Os diálogos parecem artificiais. Mas basta assistir ao reality show que Alexis Neiers (no filme, Nicki, Emma Watson) apresenta - Pretty Wild, no canal E! - para perceber que aquele jeito artificial e grandiloquente é característico do modo de falar desse grupo de jovens. Neiers foi a principal “consultora” a respeito dos eventos, mesmo não sendo a chefe da gangue. Ganhou notoriedade por ser menos reservada que os demais ao comentar o assunto. E Emma Watson representa-a muito bem. O ar de mocinha de boa família que foi influenciada pelas más companhias fica bastante evidenciado em suas entrevistas à imprensa.
Enquanto as garotas não parecem sentir qualquer tipo de remorso, Nick Prugo (no filme, Marc, Israel Broussard) é o único que demonstra certo peso na consciência pelo atos cometidos. É interessante seu diálogo com a repórter em que se diz assustado com o fato de as pessoas valorizarem mais os atos de vandalismo cometidos por eles - inúmeros desconhecidos pedem para adicioná-lo no Facebook - do que valorizariam alguma atitude humanitária. Se tivessem feito algo bom e generoso, a notoriedade não seria tamanha. Essa atração do público pelo estereótipo de Bonnie & Clyde é doentia. Broussard, apesar de mais bem-apessoado que Prugo, convence bem como o rapaz deslocado que topa acompanhar Rachel Lee (no filme, Rebecca, Katie Chang) e as outras garotas apenas para ser aceito como parte de um grupo.
O roteiro não tem como ser muito criativo, já que se baseia em fatos reais. O que se vê então é uma sucessão de invasões, o deslumbramento com as posses dos famosos, fotos tiradas no meio de ambientes luxuosos, festas, drogas, bebidas, exibicionismo. Como retrato de um grupo sem restrições morais se divertido à custa dos bens alheios, o filme funciona muito bem. E apenas isso.

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Posted On quinta-feira, 1 de agosto de 2013 at 18:54
meteorologia: sol e céu azul
pecado da gula: omelete de queijo e bacon
teor alcoolico: nada ainda
audio: the doors
video: la piel que habito
Apesar de ter feito inscrição em duas das três edições da Golden Four, esta, de 2013, foi a primeira que corri. Em 2011, sequer me inscrevi pois estaria em um evento no dia da prova. Em 2012, fiz a inscrição, busquei o kit, mas amanheceu chovendo no dia da prova e, lógico (pra quem me conhece), eu não fui.
Esta não foi minha primeira meia maratona, já perdi a conta de quantas já fiz. Porém, a usei como prova-alvo no intuito de ter um objetivo a perseguir e conseguir recuperar a motivação perdida - a propósito, deu certo. Ter uma planilha a seguir, focando determinada prova, sempre funciona para mim. Ela, a planilha, foi seguida quase à risca. A meta seria completar em 1h50m. Contudo, tendo em vista que meu melhor tempo em meias ainda era acima de duas horas - 2h01m, se não me engano - baixar desse tempo já me deixaria satisfeita. Tinha consciência que baixar 11 minutos seria difícil. Criei um blog e uma página no facebook para postar os treinos diários - mais uma maneira de evitar que eu matasse muitos treinos, pois assumir um compromisso público gera uma certa vergonha de admitir não ter treinado por pura preguiça. Não atingi a meta, mas nem por isso deixei de curtir a prova. Uma dor na coxa me perseguiu nos últimos 5km, me obrigando a alternar corrida e caminhada até o final, fechando em 2h06m.
Mas o que me levou a escrever o post não foi o impulso de compartilhar minha frustração por não ter atingido minha meta. O motivo foi outro. Já há alguns meses - 3 para ser mais exata - que não participava de provas. E, diferente dos anos anteriores, corri apenas 4 provas este ano até agora. E a causa principal não é a falta de ânimo ou motivação, mas sim o valor alto das inscrições. Há dois anos que optei por me inscrever e correr apenas em provas de 15km ou mais - com raras exceções - simplesmente por me recusar a pagar entre 80 e 120 reais para correr a distância que eu comumente faço nos meus treinos quase diários, que variam de 8 a 12 km. Com o agravante de que, muitas vezes, além de alto o valor pago não é devidamente revertido em benefícios para os corredores.
Com relação a isso, a Golden Four fez valer o dinheiro gasto na inscrição. Senti-me totalmente satisfeita com o que foi “entregue” pela organização:
Antes da prova
O evento no dia da entrega do kit , ou expo como alguns chamam, foi bem interessante. Várias palestras com assuntos relativos ao esporte, com repórteres, atletas, entre outros. Kit bem montado: chip, número de peito, camiseta, viseira - tudo dentro de um gym sack estiloso, com dois bolsos internos. Além do kit, os participantes ainda recebiam um lanche - sanduíche, fruta e suco - e, quem tivesse paciência de encarar fila, poderia colocar seu nome na camiseta.
Durante a prova:
A largada atrasou um pouco, 7 minutos, mas isso não é nada perto de outras provas em que o atraso ultrapassou 20 minutos. O mais correto é cumprir o horário, mas enfim, dos males, o menor. Todos os postos de hidratação, a cada 3 km mais ou menos, distribuíam água e gatorade - e não faltou nem um nem outro. Havia pacers para ajudar os corredores que pretendiam fechar a prova em determinado tempo - eu, por exemplo. Contudo, apenas os vi no final da prova. Os marcadores para término em 2h passaram por mim no quilômetro 19. Não fosse a dor na coxa, eu os teria acompanhado até o fim.
Após a prova:
Teve lanche, massagem, fotos, enfim, mimos para quem madrugou em pleno domingo para correr 21km num frio de 10°. E não só isso, voltei para casa, e já havia um SMS informando meu tempo na prova. Ou seja, tratamento vip do início ao fim.
Não faço a menor ideia de como é calculado o valor da inscrição, mas se as corridas populares do SESC e SESI custam de R$ 20,00 a R$ 30,00 e conseguem ser tão bem organizadas quanto essas provas “de grife”, fico me perguntando por que eu deveria desembolsar R$ 100,00 para participar de provas que, por vezes, são piores. Algumas da Yescom perdem feio nesse quesito, por exemplo. Eu, particularmente, não faço questão das “frescuras” que têm feito parte tanto do kit quanto da prova em si. Fico plenamente satisfeita se receber chip, número de peito, camiseta e hidratação adequada durante o percurso. Sei que muita gente curte - se não houvesse tantos adeptos, as empresas organizadoras não investiriam tanto nisso. E já que há os que não fazem questão e os que gostam bastante, acredito que deveria se tornar padrão a disponibilização de várias opções de kits, do básico ao mais caprichado. Algumas provas já têm isso - fiz inscrição na Etapa III do Circuito Athenas e pude optar pelo kit simples - o que talvez me faça voltar a participar com mais frequência.
Independente disso tudo, eu continuo correndo. E que venha a próxima prova :-)
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Posted On sábado, 27 de julho de 2013 at 17:15
meteorologia:
pecado da gula:
teor alcoolico:
audio:
video:
(resenha publicada originalmente no Vórtex Cultural, em 20/07/2013)
Flawless (1999) - Ninguém é perfeito
roteiro e direção: Joel Schumacher
★ ★ ★ ★ ★
Um ex-policial ultraconservador, Walt Koontz (Robert De Niro), sofre um AVC enquanto tenta socorrer um vizinho. Com metade do corpo semi-paralisada, torna-se um recluso. Por indicação de sua médica, a fim de melhorar suas condições de fala, começa a ter aulas de canto com o vizinho do andar de cima, Rusty (Philip Seymour Hoffman) que, por acaso, é uma drag queen.
Walt Koontz:
I'm not as stupid as you think I am.
Rusty Zimmerman:
Honey, you could never be as stupid as I think you are.
A estrutura “dois personagens opostos que não se dão bem, vêem-se obrigados a conviver devido a alguma circunstância (aparentemente) imprevista e passam a enxergar o oposto com outros olhos” é bastante manjada, mas ainda funciona muito bem em estórias em que os personagens, e seu desenvolvimento, são o foco. Referente à forma como cada um encara o outro, é interessante reparar, logo no início do filme, quando Koontz discute com Rusty através do vão central do prédio, o ex-policial grita de dentro do apartamento e vê Rusty distorcido pelo vidro da janela. Se o espectador tem alguma dúvida sobre o preconceito de Koontz, essa cena mata qualquer incerteza.
Há algumas cenas externas, contudo a maior parte do filme passa-se dentro do prédio sujo e decadente. Os apartamentos minúsculos atulhados de memórias (Koontz) e de sonhos (Rusty) - acentuam a solidão de cada um deles. O espectador consegue sentir a claustrofobia do ambiente, mas Schumacher poderia não ter exagerado tanto nos ângulos holandeses e nos closes para obter esse efeito.
O filme poderia facilmente pender para o dramalhão, já que os diálogos são pouco inspirados e muitas vezes suscitarem aquela impressão de “Hmmm, acho que já ouvi isso em outro filme.” O que salva a trama desse destino são algumas tiradas cômicas - e bastante sarcásticas - que arrancam risos do espectador ao mesmo tempo que o deixam ligeiramente desconfortável por compartilhar da visão preconceituosa de um ou de outro.
Apesar de Schumacher não constar da minha lista de diretores/roteiristas prediletos (longe disso), há que se reconhecer um mérito dele neste filme: conseguiu não interferir na performance dos atores. Sim, pois mesmo considerando-se que os personagens - Koontz e Rusty - serem um tanto caricatos, De Niro e Hoffman têm atuações primorosas. Atuações que per se carregam o filme nas costas, já que o desenrolar da estória é bem previsível para qualquer um que já tenha assistido a muitos filmes. Ambos estão muito bem, mas Hoffman realmente se destaca como Rusty. Percebe-se isso nitidamente numa cena mais sóbria em que, mesmo vestindo um terno, ele ainda é uma drag queen. E ele obtém isso ‘apesar’ do exagero do punho desmunhecado e dos trejeitos clichês, está tudo em sua maneira pausada de falar e na entonação de sua voz.
É um daqueles filmes em que as atuações compensam o roteiro mediano e pouco envolvente.

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Posted On sexta-feira, 26 de julho de 2013 at 15:31
meteorologia: frio, frio, muito frio
pecado da gula: cocada
teor alcoolico: nada ainda
audio: moulin rouge
video: orange is the new black
(resenha publicada originalmente no Vórtex Cultural, em 19/07/2013)
Après Mai (2012) - Depois de Maio
roteiro e direção: Olivier Assayas
★ ★ ★ ★ ★
Retratando a efervecência política do início dos anos 70, o filme acompanha Gilles (Clément Métayer), estudante do ensino médio, e seus colegas de escola - Christine (Lola Créton), Alain (Felix Armand) e Jean-Pierre (Hugo Conzelmann) - que militam num grupo que defende ideias revolucionárias. Depois que uma “ação” dá errado, com desdobramentos imprevistos, os amigos se vêem forçados a sair dos arredores de Paris.
Gilles, apesar de engajado politicamente, está mais interessado em adquirir conhecimento para levar adiante sua arte - sua intenção é fazer cinema. E essa sua escolha causa discussões acaloradas com os amigos, que respiram política e não entendem como ele pode privilegiar a arte em detrimento da luta pela mudança da situação do país em que vive. E é interessante ver como ele defende seu ponto de vista, afirmando que a arte, a expressão artística deve acompanhar e dar vazão a essas ideias. Um dos diálogos que mais me agradou foi entre Gilles e Christine em que discutem sobre um filme de ideais revolucionários a que acabaram de assistir. Enquanto ele questiona que se a temática é revolucionária, a linguagem cinematográfica utilizada também deveria ser revolucionária; ela, já absorvendo o posicionamento dos autores do filme visto, afirma que o intuito é atingir as massas, e manter a linguagem “tradicional” é a única maneira de fazer essas ideias serem compreendidas. Fazer algo experimental não obteria o mesmo resultado.
Christine:
Ils ont des convictions, ils vont jusqu’au bout.
Et toi? tu fais mieux qu’eux?
Os personagens são rasos, e a atuação superficial do elenco também não colabora. Entendo que a maior parte do elenco é de não-atores, salvo por Lola Créton. Mas isso não é desculpa (vide Cidade de Deus). Exceto por algumas cenas, em que os atores parecem genuinamente envolvidos e imersos nos personagens e na trama, a maior parte do tempo tem-se a impressão de que todos estão entediados, posando para a câmera enquanto recitam seus diálogos.
Três elementos se destacam positivamente. A trilha sonora, simplesmente deliciosa de ouvir, composta em sua maioria de músicas menos conhecidas da época. Merece ser desfrutada independentemente do filme. A direção de arte, responsável por uma reconstrução de época bastante eficiente, com cenários e figurinos que remetem diretamente ao período retratado. E a fotografia de tirar do fôlego de Eric Gautier (On the road e Into the wild). Praticamente todos os fotogramas do filme merecem ser emoldurados e exibidos como obras de arte. Se o elenco não fez sua parte, conquistando o público, a fotografia compensou - e muito - fazendo o espectador mergulhar naqueles enquadramentos.
O filme não tem uma estória fechada, com começo, meio e fim. A trama é bem solta e não há as estruturas características da maioria dos filmes - pontos de virada, arcos dramáticos, etc. O espectador vai acompanhando cada um dos personagens em sua jornada de descobrimento e passagem para a vida adulta. O rumo que cada um deles toma, suas escolhas, suas amizades, seus interesses, seus amores. O diretor optou por não dar um fechamento ao arco dos personagens, já que a vida deles continua, não termina ali. Enfim, o filme acaba, mas a estória não.

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Posted On sábado, 20 de julho de 2013 at 14:29
meteorologia: sol e céu azul
pecado da gula: pão com ovo frito
teor alcoolico: nada ainda
audio: guilherme arantes
video: copper
(resenha publicada originalmente no Vórtex Cultural, em 12/07/2013)
Man of steel (2013) - O homem de aço
roteiro: David S. Goyer
direção: Zack Snyder
★ ★ ★ ★ ★
É fato que todos conhecem a estória do Superman, nem que seja apenas em linhas gerais. Bebê chega à Terra sozinho numa espaçonave oriunda de Krypton. Criado pelo casal Kent, Clark cresce tendo que aprender a lidar com suas habilidades sobre-humanas.
Apesar de ser mais um filme da franquia Superman, este não é uma continuação dos demais, mas sim, um filme de origem. E, sendo assim, é em torno do início da estória de Clark que gira a trama do filme. Claramente superior ao Superman de Bryan Singer (de 2006) - morno demais, entediante demais - , este investe suas fichas num personagem mais realista, mais sombrio e, contrariando o senso comum, mais alienígena que todos os anteriores. E por conta disso, pode-se arriscar dizer que este não é um filme de Superman, de um homem com superpoderes, mas sim de um herói - ou um deus - em construção.
O prólogo, interessante mas excessivamente longo no meu entender, nos mostra o conflito que causou a destruição de Krypton e que levou Jor-El (Russell Crowe), um cientista do alto-escalão, a enviar seu filho recém-nascido, Kal-El - que virá a ser Clark Kent (Henry Cavill) - numa espaçonave à Terra. Não conheço os quadrinhos - aliás, o personagem em si não me agrada muito - e, portanto não faço a menor ideia de como “deveria” ser retratado o planeta. Mas a direção de arte acertou ao optar por um aspecto biomecânico, lembrando um pouco os desenhos de H.R.Giger utilizados em Alien.
E, desde o início, já começam a aparecer os típicos buracos de roteiro, quase inevitáveis nesses filmes de super-heróis. Se, conforme é esclarecido tanto por Jor-El como pelo General Zod (Michael Shannon), todos os kriptonianos já nascem com papéis pré-definidos, o espectador um pouco mais observador certamente se pergunta como Jor-El, predestinado a ser um cientista, luta tão bem quanto (ou quase melhor que) Zod, um soldado nato. Isso e mais a cena “ironman style” em que Jor-El veste sua armadura, diminuem o impacto da sequência do confronto entre eles, enfraquecendo a imersão na trama. Mas ainda assim, esse primeiro terço do filme consegue prender o público o suficiente para querer assistir ao desenrolar da estória.
A opção de retratar a infância e adolescência de Clark através de flashbacks, ao invés de seguir uma narrativa linear, deu certa leveza e dinamismo à estória. Desse modo, o espectador vai, aos poucos, sendo apresentado ao personagem, conhecendo seu passado, seu convívio com os pais adotivos - Martha (Diane Lane) e Jonathan Kent (Kevin Costner), o modo como descobriu a aprendeu a controlar seus poderes. Algumas sequências poderiam ser mais curtas, mas não chegam a comprometer o ritmo. Porém há um especialmente que me irritou, não pela duração mas pelo excesso de dramalhão, e me fez soltar um “PQP! q idiotice!”. Evitando spoilers, é uma cena que envolve um furacão, uma estrada, vários carros, um cão e o pai de Clark - quem assistiu sabe a que me refiro. E em todos esses flashbacks enfatiza-se insistentemente a vocação escoteira do protagonista, que chega a ser chato de tão bom-moço.
Aproveitando a deixa, vale ressaltar que a tentativa de reafirmar o personagem como sendo o “homem que veio do céu para salvar a humanidade” é forçada e fora de contexto. O tom messiânico incomoda bastante em vários momentos. O discurso de Jor-El sobre o destino do filho, afirmando que seu papel é ser um “guia” para os humanos atingirem a paz e a felicidade eternas - algo como um nirvana - soa piegas e até meio ingênuo. Como se já não bastasse Clark falar, sem mais nem menos, que tem 33 anos, a cena em que ele aparece numa igreja conversando com um padre, que surgiu do nada na estória, é patética, além de totalmente desconectada da estória. Poderia ser cortada sem prejuízo algum, evitando inclusive que o espectador, mais uma vez, “saia” do filme e se pergunte: “Pra que isso?”.
Lógico que nem só de cenas intimistas e familiares é feito o filme. O que todo fã espera são as sequências de ação, que são inegavelmente muito boas. O problema é que, devido à escala megalomaníaca (justificável), as cenas lembram demais The Avengers - principalmente aquela em que Superman e Zod se confrontam em Metrópolis. E, assim como o prólogo, esta sequência acaba sendo cansativa pela duração muito extensa e pela falta de estretégia de Zod que, afinal, é um militar. E não apenas isso, tem-se a impressão de que toda a ação, a luta, a destruição está concentrada demais nesse momento da estória, quase saturando o espectador que, talvez chegue a pedir, em pensamento: “Finaliza logo o vilão, p%$#@!”.
Interessante reparar que, apesar de não haver semelhança física, em alguns momentos Cavill lembra um pouco “O” Superman, Christopher Reeve. Convenhamos, não é muito difícil ser mais expressivo que Brandon Routh, e Cavill consegue dar ao personagem tanto a insegurança de quem ainda não tem certeza do rumo a tomar quanto o carisma do herói que vai “salvar o dia”. Não é atuação digna de prêmio, e a quase bidimensionalidade do personagem não dá margem a isso, mas é convincente na medida certa. Costner e Lane estão ok como os pais adotivos de Clark. Amy Adams consegue tirar de Lois Lane aquele ar de mocinha indefesa em perigo. Mas quem se destaca é Shannon, construindo um vilão a seu modo incorruptível e ao mesmo tempo bastante ameaçador.
É natural que um reboot da franquia gere estranheza e divida opiniões. Se não agrada a gregos e troianos, é algo inerente a filmes desse gênero já que é difícil encontrar o ponto de equilíbrio entre tornar a estória palatável aos “leigos” e agradar aos fãs de carteirinha. E, apesar de alguns defeitos, é um filme que cumpre sua função de entreter.

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