Drops » 127 hours

coded by ctellier | tags: , , | Posted On sábado, 2 de julho de 2011 at 13:44

meteorologia: agora nublou de vez
pecado da gula: yakisoba
teor alcoolico: nada ainda
audio: radiofobia #60

127 hours, direção Danny Boyle, roteiro Danny Boyle & Simon Beaufoy

Boa atuação de James Franco, mas não o suficiente para me fazer achar o filme muito bom.

Excesso de sequências de delírio e divagações tiram o ritmo do filme e o uso indiscriminado de planos fora do comum e cortes também não ajudam. A justaposição de imagens de multidões no início e no final do filme parece não ter propósito, já que em momento algum o contraste entre a situação de Aron e essas cenas é realmente explorado e discutido.

Vale por testemunhar a determinação de Aron, mas é só.

Não é que seja ruim, apenas não é bom o bastante para sugerir que alguém assista. Na verdade, sugiro ler o livro "Between a rock and a hard place", de Aron Ralston, o protagonista da estória. Pela quantidade maior de detalhes sobre as horas que passou preso, é interessante e bem mais assustador e, ainda assim, muito empolgante.

Recomendo. O livro, não o filme.

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Drops » Em chamas

coded by ctellier | tags: , | Posted On at 10:42

meteorologia: indefinido, nublado com o sol querendo aparecer
pecado da gula: bolo de chocolate
teor alcoolico: nada ainda
audio: pauta livre news #34
video: tour de france

Em chamas, de Suzanne Collins

Segundo livro da trilogia "Jogos vorazes", infelizmente não conseguiu ser tão empolgante quanto o anterior. Talvez por ter lido o primeiro livro sem qualquer expectativa e ele ter sido uma grata surpresa. Mas também certamente porque todo segundo volume de uma trilogia (seja livro ou filme) costuma ser o mais fraco dos três. Isso ocorre possivelmente por ser um entracte, uma ponte entre o início impactante - que tem por obrigação prender o leitor à narrativa e fazê-lo identificar-se com os personagens - e o clímax do epílogo.

Algo que já tinha me incomodado no anterior, mas que neste é ainda mais perceptível, violência extrema pode, mas sexo não. Difícil comprar a ideia de que a tensão sexual entre os personagens não se consuma. Lembrando que são adolescentes com os hormônios em ebulição.

Não estou dizendo que o livro não seja bom, é bom sim e eu gostei bastante. Apenas não senti a mesma empolgação que tive ao ler o primeiro.

Enfim, que venha o terceiro volume (logo!).

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"What would you do if you knew you only had one minute to live?"

coded by ctellier | tags: | Posted On domingo, 26 de junho de 2011 at 23:54

meteorologia: e chove, e chove...
pecado da gula: torradas com nutella
teor alcoolico: 2 stella artois
audio: pó de cash #33
video: true blood

Source code, direção Duncan Jones

Há muito tempo não assistia a um filme recém-lançado sobre o qual não tinha ouvido/lido absolutamente nada. Aliás, não sabia sequer da existência dele. Encontrei-o, por acaso, ao procurar “The adjustment bureau” no Filmes Com Legenda ( @FilmeComLegenda ). Conferi o elenco - pareceu promissor; o diretor - desconhecido (para mim); passei os olhos rapidamente pela resenha - sci-fi sempre merece atenção. Num feriadão preguiçoso, pareceu uma boa pedida. Parei a pesquisa por ali e resolvi assisti-lo sem qualquer outro dado adicional. Não me arrependi. Em tempos de globalizacão, internet e excesso de informação, conseguir reviver aquela sensação (de décadas atrás) de descobrir o filme ao vê-lo pela primeira vez foi mesmo muito bom. Quando terminei de assistir, achei que talvez parte do meu entusiamo com o filme fosse devido a isso. Mas não, o filme é realmente bom.

É um thriller de ficção científica bastante engenhoso. Conta a estória de um soldado, Colter Stevens (Jack Gyllenhaal), que um dia acorda no corpo de um desconhecido. Ele é obrigado a (re)viver os minutos que antecedem a um acidente de trem causado por uma explosão, até que consiga localizar o autor do atentado.

Um aparte sobre sites/blogs sobre cinema e as “fichas” dos filmes. Entendo por ficha, aquele resumo da estória do filme, acompanhado da lista de elenco, diretor, etc. Incrível como vários autores dessas fichas pouco se importam em estragar algumas surpresas do filme. Como disse há pouco, sorte não ter lido quase nada sobre o filme, senão parte da imersão no universo da estória teria se perdido. Alguns dos textos que li depois, para saber mais sobre o filme, simplesmente entregavam as respostas a alguns questionamentos feitos durante a narrativa. Na ânsia de contar a estória, parecem esquecer que descobrir alguns fatos junto com o personagem faz parte da experiência do filme.

Aliás, esse é um recurso que foi muito bem utilizado. O roteiro de Ben Ripley faz uso bastante eficiente desse artifício. Deixar o espectador tão perdido quanto o personagem no início do filme, permitindo que descubra os fatos junto com o personagem, é algo que causa identificação quase imediata com ele. Colocar o espectador na mesma situação que ele, nos prende à estória desde o início. E, depois de sermos “pêgos”, dificilmente abandonaremos o filme antes do fim, afinal, nós também queremos ser esclarecidos. Apesar do início ser exageradamente dramático, principalmente devido à trilha sonora, a apresentação dos personagens é bastante eficiente e consegue nos convencer a seguir assistindo.

E, para não incorrer no mesmo erro dos blogs supracitados, fica o aviso: “Spoilers à vista”. Obviamente, nenhuma revelação bombástica, mas não há como comentar alguns aspectos e descrever as impressões sobre o filme sem revelar alguns pequenos detalhes. Pequenos mesmo. Se o caro leitor não se incomodar, ou já tiver obtido várias dicas lendo resenhas ou assistindo trailers e teasers, sinta-se à vontade para continuar a leitura.

A estória é bastante original, mas é humanamente impossível não lembrar de outras obras enquanto assistimos. Ao longo do filme, lembrei (conscientemente) de “Déjà vu”, “Run Lola Run”, “Groundhog Day”, “The Matrix”, “The butterfly effect”, “O homem duplo” (Philip K.Dick). Ah, talvez por tê-lo revisto há pouco tempo, pensei em “Inception” também. Certamente, detendo-me um pouco mais, lembraria de algumas outras referências. Mas creio que essas já sejam o suficiente para ajudar a descrever o filme.

Mas vamos do início, o título. Nerds analistas de sistemas não se iludam, o filme não é sobre análise de código. “Source Code” é, na verdade, o nome do programa experimental do qual faz parte o soldado Colter Stevens. E é como parte desse programa que Colter acorda no corpo de um desconhecido, o professor Sean Fentress, em um trem, em companhia de uma mulher desconhecida - que depois descobrimos ser Christina Warren (Michelle Monaghan). “O homem duplo” veio-me à mente justamente pela situação em que Colter se encontra, ocupando o lugar de outra pessoa, mesmo a contragosto. E Gyllenhaal convence bem no papel de herói relutante.

Em português, o título virou “Contra o tempo”, o que já entrega uma das premissas do roteiro. Ao mesmo tempo em que personagem é informado (como nós) de que faz parte desse programa, também fica sabendo que está revivendo os últimos 8 minutos de vida do professor, e que tem apenas esse tempo para cumprir sua missão. Pensei imediatamente em “Déjà vu”, uma viagem no tempo a fim de evitar uma catástrofe. Mas logo em seguida, recebemos (junto com o personagem) um dado importante: ele repetirá essa experiência até encontrar o responsável pela explosão no trem, o que me remeteu à “Run Lola Run”. (Talvez por não gostar muito de Bill Murray, tenha lembrado de “Groundhog Day” só mais tarde). Mas em “Run Lola Run”, a estória se repete apenas 3 vezes durante o filme. Tive receio de que a repetição de um intervalo tão curto tornaria o filme cansativo e arrastado mas, felizmente, estava enganada. Adicionando mais elementos a cada retorno e enfocando a situação de ângulos diferentes, o roteiro consegue evitar que os 8 minutos sejam apenas mais do mesmo.


E, assim como o personagem vai acumulando informações, a estória vai ganhando corpo. Pois Colter não está apenas interessado em cumprir sua missão. Em paralelo, quer entender o que faz ali, como chegou àquele lugar, quem são as pessoas que conversam com ele e o instruem - a Tenente Goodwin (Vera Farmiga) e o Dr.Rutledge (Jeffrey Wright). Este último acaba por se identificar como o responsável pelo Source Code e pelo recrutamento de Colter. E, numa fala que mais parece um trava-línguas, explica os conceitos que tornam o projeto possível, misturando mecânica quântica, universos paralelos, óptica, neurologia, realocação temporal, eletromagnetismo. Se, por um lado, o roteiro não perdeu tempo num longo discurso científico a exemplo de um Dr.Moreau ou Dr.Frankenstein explicando sua teoria, por outro as informações foram jogadas de uma maneira que talvez desagrade aos espectadores com algum conhecimento (ou interesse) em física. Durante a cena, enquanto eu tentava fazer com que os conceitos jogados fizessem sentido, só conseguia ter a impressão de que o “recado” do diretor era “A explicação é essa, é o que tem pra hoje. Espectador, não tente entender o que está além da sua compreensão. Compre a ideia e siga assistindo.” Foi um momento em que a suspensão de descrença não funcionou (comigo). Provavelmente, o público leigo engole o blá-blá-blá pseudo-científico.

O elenco está bastante bem, à exceção de Jeffrey Wright que mais parece estar declamando suas falas e saltitando de um lado para outro com sua muleta. Jake Gyllenhaal e Michelle Monaghan têm uma boa química e, competentes, conseguem garantir frescor e espontaneidade a cada repetição dos 8 minutos. Destaque para Vera Farmiga que passa a maior parte do tempo contracenando e conversando com um monitor e uma câmera. Atentei para os planos em que ela aparece no monitor para Colter. Em vários momentos, sua imagem está incompleta, cortada acima ou abaixo - como um cinegrafista amador que “corta” uma parte do rosto da pessoa filmada. É bastante significativo quando entedemos a situação do soldado. Outro destaque na fotografia do filme, são as cenas dentro do trem. A variação dos pontos de vista auxiliam na tarefa de tornar cada intervalo diferente do anterior.

Com um misto de drama, suspense e sci-fi, o filme consegue entreter do início ao fim. Não percebi nenhuma “barriga” no arco dramático da estória, nenhum momento em que pensei “poxa, esta cena (ou diálogo) é desnecessária”. Mérito do roteirista, que conseguiu balancear bem cada aspecto da narrativa, ampliando os horizontes do espectador junto com os do personagem. Resta-nos relevar as imprecisões científicas e embarcar nessa ficção científica despretenciosa e criativa.

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Shuffle up and deal!

coded by ctellier | tags: , , | Posted On sábado, 25 de junho de 2011 at 20:07

meteorologia: começou nublado
pecado da gula: pão na chapa com manteiga
teor alcoolico: nada ainda
audio: nerdcast #265
video: true blood

A lista de hoje é sobre pôquer. Cinco bons filmes que tem o pôquer como pano de fundo ou assunto principal. E cinco bons livros sobre pôquer (não necessariamente sobre estratégia ou técnica de jogo).


Maverick, direção Richard Donner
Bret Maverick (Mel Gibson) é um jogador que quer ganhar o maior torneio de pôquer do Velho Oeste. Versão cinematográfica de uma série de "bang-bang" dos anos 50. O Maverick original (James Garner) também aparece no filme.

High Roller: The Stu Ungar Story, direção A.W. Vidmer
Filme baseado na estória de Stu Ungar, um talentoso jogador que tinha uma queda pelas drogas.

A big hand for the little lady, direção Fielder Cook
Um jogador (Henry Fonda) envolve-se num jogo caríssimo, mas passa mal durante o maior pote da noite e pede para que sua esposa o substitua. Detalhe, ela não sabe jogar.

The Cincinnati kid, direção Norman Jewison
Steve McQueen interpreta um bad boy que quer provar a todos que é o maior jogador de todos os tempos. Para isso, desafia o invicto Lancey Howard (Edward G. Robinson) numa mesa de 5 card stud.

Rounders, direção John Dahl
Matt Damon interpreta um viciado em poker que, após perder as economias de uma vida toda, resolve trabalhar. Mas um amigo picareta o leva de volta às mesas de jogo.



Every hand revealed (Todas as mãos reveladas), Gus Hansen
Vencedor do Aussie Million de 2007, Gus Hansen analisa neste livro as mãos jogadas no torneio. Cada blefe, palpite, cálculo e eitura dos oponentes.
(Obs.: Não entendo por quê, mas o importado está mais barato...)

The professor, the banker and the suicide king, Michael Craig
A trajetória de um banqueiro, Andy Beal, mordido pelo "bichinho do poker", jogando contra os melhores.

Ace on the river, Barry Greenstein
O autor descreve as experiências e desafios para se tornar um profissional de poker.

The biggest game in town, Al Alvarez
Estórias e descrições dos personagens que ocupavam Las Vegas durante o WSOP nos anos 80.
É o precursor das coberturas televisivas, com suas entrevistas e câmeras nas cartas.

Psicologia do poker, Alan Schoonmaker
Não trata de estratégias, mas sim do comportamento do jogador perante e durante o jogo.


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Viajando na leitura

coded by ctellier | tags: , | Posted On sábado, 18 de junho de 2011 at 17:44

meteorologia: sol, céu azul e um friozinho
pecado da gula: pão na chapa com manteiga
teor alcoolico: nada ainda
audio: nerdcast #264
video: pipoca e nanquim videocast #73

O relato de viagem é o gênero de literatura não ficção que mais se aproxima das aventuras ficcionais. Eu não sabia que gostava tanto desse gênero até me indicarem a leitura de "No ar rarefeito". E, comentando com um amigo sobre esse estilo de livro, achei que seria boa ideia listar aqui alguns dos mais interessantes. Metade da lista são livros que já li e gostei muito e os demais não li, mas já foram incluídos na minha lista de compras (sempre muito extensa).

No ar rarefeito
Jon Krakauer

Relata uma tragédia ocorrida durante uma expedição no Everest em 1996.
A narrativa é tão envolvente que é bastante difícil largar o livro antes do seu término.
Interessante mesmo para quem não entende absolutamente nada sobre alpinismo.

Cem dias entre céu e mar
Amyr Klink

Livro de estreia de Klink, relata sua travessia solitária do Atlântico num barco a remo, da Namíbia, na África, a Salvador (BA).
À primeira vista, pode parecer monótono, mas não é.
Nem mesmo a necessidade de eventualmente consultar o glossário de termos náuticos tira a fluidez do texto.

Sul - A fantástica viagem do Endurance
Ernest Shackleton

Capitão do Endurance, Shackleton narra a estória de sua expedição, cujo objetivo era atravessar o continente antártico de costa a costa, passando pelo pólo Sul.

O último lugar da Terra
Roland Huntford

Relata a competição entre Scott e Amundsen pela conquista do pólo Norte.
Interessante por acompanhar passo a passo as jornadas paralelas dos dois exploradores.

A viagem do Beagle
James Taylor

Como leitora voraz de qualquer texto ligado à evolução, seleção natural e afins - e juntando com o recém-adquirido gosto pelos relatos de viagem - nada mais natural do que ler o relato da viagem que deu o empurrão necessário à escrita de "A origem das espécies". Interessante conheceros detalhes da viagem e as descobertas que deram à Darwin os argumentos necessários à sua teoria.

Na natureza selvagem
Jon Krakauer

Fui lê-lo no embalo de "No ar rarefeito", esperando que fosse tão bom quanto. E não me decepcionei, apesar de ser bem diferente.
É menos um relato de viagem e mais uma investigação da jornada interior do viajante.
Quais suas motivações, por onde andou, por que morreu? Enfim, quem era Chris McCandless?



(este últimos ainda não li)

De moto pela América do Sul, Che Guevara

Mergulho na escuridão, Robert Kurdon

No coração do mar, Nathaniel Philbrick

Narcosis, Carlos Secchin


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