skip to main |
skip to sidebar
coded by
ctellier
|
tags:
drops,
literatura
|
Posted On quarta-feira, 3 de outubro de 2012 at 10:25
meteorologia: sol e calor
pecado da gula: castanhas nutty bavarian
teor alcoolico: nada ainda
audio: afrocelts
video: fringe
As esganadas
Jô Soares
Sinopse
O livro é ambientado no Rio de Janeiro de 1938 [...], durante a Era Vargas, e retrata uma série de assassinatos perpetrados contra vítimas gordas. Subvertendo a narrativa policial comum aos suspenses envolvendo detetives, o serial killer é revelado logo no início da obra, bem como sua motivação para os crimes. A trama concentra-se nos detalhes da busca pelo assassino.
O título faz alusão ao modo como as vítimas são mortas: asfixiadas por sua gula em um processo que envolve interesse gastronômico, especialmente por doces portugueses, e intenso desejo sexual.
fonte: Wikipedia
Este é o quarto livro policial do ator, comediante, apresentador e músico Jô Soares. E é, na minha opinião, o mais fraco. Acredito que ter suprimido o fator whodunit enfraqueceu bastante a trama, tornando-a simples a ponto de parecer ingênua e burlesca em alguns momentos. Apresentando ao leitor, desde o início, o autor dos crimes, resta apenas um “mistério” a ser solucionado - como e quando ele será descoberto e capturado. Há trechos em que parece bastante improvável que a equipe encarregada de identificar o assassino seja inapta a ponto de deixar passar detalhes essenciais que levantariam suspeitas sobre ele. E o excesso de citações do investigador lusitano e o exagero de detalhes da culinária portuguesa por vezes chegam a incomodar e “empacar” o andamento da narrativa.
O que salva o livro e o que segura o leitor do começo ao fim é principalmente a capacidade do autor em criar personagens e tipos, encaixando-os em situações que despertam o interesse do leitor, fazendo-o continuar a leitura para descobrir seu desfecho. Tive a nítida impressão de estar lendo uma sucessão de esquetes bem resolvidos em si mesmos, mas que em boa parte do texto careciam de unicidade com a trama central.
Mas não apenas isso. Assim como nos livros anteriores, a ambientação em determinado momento histórico é algo que o autor faz muito bem. A inserção de propagandas de rádio - os reclames -, notícias, narrações de jogos da copa, entre outros detalhes, conseguem imergir o leitor no período em que se passa a estória sendo, também, elementos que despertam e mantêm o interesse no decorrer da narrativa. Porém, mesmo assim, o leitor chega ao final da leitura com a impressão de que tudo poderia ter sido melhor explorado.
É um livro rápido e de fácil leitura. Não é ruim, é bom mesmo com as ressalvas. Mas se alguém me pedisse indicação de um livro do Jô, certamente não seria esse o escolhido. O Xangô de Baker Street sem dúvida é uma opção bem melhor para conhecer a obra do autor.
.
.
coded by
ctellier
|
tags:
listas,
literatura,
top 10
|
Posted On segunda-feira, 1 de outubro de 2012 at 21:46
meteorologia: chuva em Floripa, sol em Sampa
pecado da gula: ovos mexidos, com queijo e presunto parma
teor alcoolico: nada ainda
audio: braincast #34
video: numb3rs
Já comentei algumas vezes sobre meu hábito - quase vício - de ouvir podcasts. Há pouco mais de um mês, mais precisamente logo depois da Bienal de SP, fiz uma "descoberta" que também já se tornou hábito. Procurando no YouTube por vídeos sobre a bienal, encontrei um canal literário, o Cabine Literária. Assisti a alguns vídeos e logo assinei o canal. Posteriormente, ao acessar novamente, naquela coluna de sugestões do YouTube, havia outro canal literário, o da Tatiana Feltrin - TINY little ThInGs. E dali em diante, uma coisa puxa a outra, fui assistindo e "capturando" outras sugestões e agora, além dos podcasts, também assisto a canais literários sempre que tenho um tempinho.
E segue abaixo a lista dos que eu assisto com mais frequência (em ordem alfabética):
- aViviu
Alguém disse pra eu parar de escrever sobre tudo o que eu leio e fazer um vídeo.
E eu fiz.
- o batom de Clarice
Este é um canal pessoal, sobre livros e literatura. Não tenho vínculo com nada, nem com ninguém, a não ser comigo mesma. =)
Literatura é minha paixão, minha formação e meu trabalho.
- Cabine Literária
O Cabine Literária é um vlog sobre literatura que você lê na cama, no busão, no troninho e principalmente porque você GOSTA!
- Isaac Sabe
Canal do blog Isaac Sabe!
- Leitor Cabuloso
O universo da literatura ao seu alcance!
- Li Finalmente!
Duas coisas eu gosto muito, livros e de falar sobre eles. Se você gosta de qualquer um desses dois eu sugiro que você veja os vídeos aqui ;)
- LidoLendo
Canal da Isa
- Patrícia Pirota
Canal pra falar sobre os Livros, o Universo e tudo o mais...
- Ratos Letrados
Vlog sobre tudo e nada.... é mais pra passar o tempo!
- TINY little ThInGs
Canal da Tatiana Feltrin
.
.
coded by
ctellier
|
tags:
review,
running
|
Posted On domingo, 23 de setembro de 2012 at 15:33
meteorologia: vento frio e sol
pecado da gula: misto quente
teor alcoolico: 1 hoegaarden
audio: podcast cinema em cena #54
video: polisse
Desde que fiquei sabendo do lançamento desse “aparelhinho” da Motorola, há quase um ano (leia aqui), ele está no topo da minha wish list de artigos para corrida. A perspectiva de ter um relógio com GPS, mp3 player, rádio FM e sistema operacional Android para substituir meu Garmin era muito, muito interessante. Já comentei, tanto no Twitter quanto aqui no blog, sobre os percalços no uso do Garmin. Troquei meu Polar RS300 com sensor inercial por um Garmin 405 no intuito de acompanhar melhor meus treinos, mas o resultado deixou (muito) a desejar. Por várias vezes, me arrependi da troca, já que, ao contrário do Polar, o Garmin com frequência travava e se recusava a iniciar o treino ou então, apagava, sem mais nem menos, no meio de um treino, além do touch enlouquecer com suor e chuva. Da última vez que ele “me sacaneou”, tive ganas de jogá-lo no meio da rua e vê-lo ser esmagado sob a roda de um carro.
Finalmente, chegou a oportunidade de adquirir o MotoActv, que foi entregue ontem. O ‘unpacking’ do produto está abaixo e, enquanto abria a embalagem, eu pensava: “A primeira impressão é a que fica, se usar o aparelho causar essa mesma impressão, já estou no lucro.”.
Conteúdo:
- aparelho;
- cabo USB (conector mini);
- fones de ouvido + “borrachinhas” auriculares de vários tamanhos e modelos;
- pulseira;
- clip.
O aparelho tem tela touchscreen de 1,6 polegadas, e, assim como um celular, tem alguns botões físicos que facilitam o uso:
- topo: botões Start (iniciar e interrompe o registo de treino) e Music (acesso ao player);
- direita: botões de controle de volume e liga/desliga;
- embaixo: entrada para o fone;
- esquerda: entrada para o cabo USB.
Complementando, também como nos celulares, há na tela um “botão” de Back. A sensibilidade da tela é muito boa - melhor até que do meu celular - e, importante, é Gorilla Glass.
Depois de desempacotar tudo, liguei o aparelho, torcendo para ter um restinho de bateria. E tinha. O suficiente para conseguir navegar por todos os menus e configurar o básico para uso. Nesse momento, o maior receio era a dificuldade de leitura devido ao tamanho da tela do dispositivo. Sim, é pequeno, mas os itens de menu são bem legíveis e a navegação é bastante intuitiva. Apenas conferi depois o manual que o acompanhava para verificar se não tinha deixado de ver algum recurso. Assim que é ligado, solicita a configuração de itens básicos: data/hora, fuso horário, idioma. Feito isso, é só sair usando.
Há cinco telas principais: Configurações, Treino, Relógio, Música, Avisos.
Configurações:
- Treino
- Sensores
- Sem fio
- Função economizar bateria
- Perfil pessoal
- Música
- Exibir
- Avisos
- Geral
Apesar de estar interessada em adquirir o dispositivo, não me informei muito sobre todas as suas funcionalidades. Para mim, já bastava o fato de ter o GPS, o player e o rádio. Porém, ao percorrer o menu de configurações, descobri que os recursos iam muito além do que eu esperava. Em Sensores, é possível configurar um frequencímetro Ant+ ou BLE - testei hoje e funcionou perfeitamente, encontrou, identificou e conectou-se ao sensor em poucos segundos. Em Sem fio, além do Bluetooth (que eu já esperava), há também a possibilidade de configurar uma conexão Wi-fi. Testei o Bluetooth hoje também e pareou com meu fone rapidamente, sem complicações. E o wi-fi também. O aparelho localizou a rede aqui de casa, conectou e fez a transferência de dados após a corridinha de hoje - test-drive de pouco mais de 3 km.
Ainda no quesito conectividade, quem tem um celular Motorola com Android - como eu - pode usufruir de mais um recurso. Basta instalar a app do MotoActv - disponível no Market -, para parear os dispositivos e passar a receber avisos de ligações recados, ler SMS e, com a ajuda de alguns plug-ins, receber notificações do Facebook e do Twitter também. É útil, apesar de eu não achar essencial, além de aumentar o gasto da bateria por deixar o Bluetooth ativado.
Aproveitando a deixa para falar da bateria. Ainda não testei a duração. Mas num dos menus de configuração, há a possibilidade de configurar o aparelho para um “modo economia”, em que a sincronia do GPS é feita em intervalos maiores - a cada três segundos ao invés de um. Fiz um treininho de 20 minutos que consumiu pouco mais de 10% da carga. Porém deve-se levar em conta que fui usando o fone bluetooth, o que aumenta consideravelmente o consumo. Diferente do Garmin, há a possibilidade de ligá-lo apenas na hora do treino, economizando ainda mais. Mas acredito que deve durar entre 3 e 4 dias.
Na segunda tela, Treino, mais uma descoberta: a possibilidade de usar o dispositivo tanto para treinos na rua como indoor. Na rua, obviamente com o GPS que, na primeira vez que liguei, demorou menos de 2 minutos para localizar os satélites; e depois o fez em pouco mais de 15 segundos. E na esteira, em que é preciso calibrar o hodômetro interno, o que eu ainda não testei. Um dos meus receios, ao sair na rua para correr, era que as informações na tela ficariam difíceis de ler devido à luminosidade externa. Nada disso. Fica tudo perfeitamente legível e rápido de ler. As informações disponíveis são selecionada pelo próprio usuário. Há cerca de 20 possibilidades, entre gasto calórico (médio ou total), ritmo, distância, altimetria, quantidade de passos, etc. Além dos dados exibidos, é possível ativar o “companheiro de treino” e configurar o que será informado via fone. Não costumo utilizar, mas ativei apenas para testar e não me desgradou. Configurei para informar quando se completa uma volta (1 km) e qual o ritmo. Mas é possível configurá-lo também para informar quebra de RP, melhor pace, maior distância percorrida, entre outros. E não funciona apenas para corrida, há outra modalidades que podem ser configuradas.
Ao final do treino, veio a parte mais legal. O relatório é bastante completo, incluindo até um mapinha do percurso, além do que se espera normalmente: distância total, ritmo (média e máximo), frequência cardíaca (mínima, média e máxima), altimetria, etc. Lógico que a telinha do MotoActv não é o local mais indicado para analisar o relatório. Sendo assim, assim que o dispositivo se conecta à rede wi-fi e transmite o treino para o site do MotoActv (http://motoactv.com), é possível ver tudo em detalhes e, querendo, compartilhar o treino nas redes sociais também - assim como o Endomondo.
A tela do Relógio tem as funcionalidades default de um relógio digital. É possível alterar a “cara” do mostrador - digital ou analógico. Há um cronômetro e um temporizador - dá para usar no treino de musculação ou qualquer outro em que se tenha treino intervalado.
O player é bastante completo e ao mesmo tempo simples de usar. Para quem curte (como eu), há uma opção específica para podcasts. E para quem usa (eu não) é possível sincronizá-lo ao iTunes. Transferir arquivos é uma operação do tipo ‘arrasta e solta’, sem complicações. A qualidade do som é muito boa. Os fones que acompanham são daqueles com suporte auricular, para não caírem durante a corrida, com aquelas “borrachinhas” que encaixam super bem em qualquer tamanho de orelha. O comprimento do fio é suficiente - ao menos para mim, que sou baixinha - para não atrapalhar os movimentos do braço caso o aparelho esteja no pulso. No fio, há ainda um pequeno controle que permite trocar as faixas. Mas, em caso de muito suor, é possível desativé-lo para evitar mudanças indesejadas.
Outro ponto positivo é a atualização do software. Ao conectar o aparelho via usb a um computador pela primeira vez, é instalado o MotoCast que, entre outras coisas, gerencia os updates. Após a instalação, o meu fez download de dois upgrades, baixou e instalou tudo rapidinho.
Conforme o fabricante, o aparelho é à prova de suor e respingos, o que não quer dizer que seja à prova d’água. Ou seja, melhor não tomar banho com ele. Mas como não tenho esse hábito, para mim não chega a ser um ponto negativo.
Além dos acessórios que vieram com o meu aparelho, há outros disponíveis: braçadeira, clip para bike e headset bluetooth. E, com tamanha quantidade de recursos, em comparação com alguns modelos de Garmin e mesmo Polar, acho que o preço é bem razoável - R$ 799,90 na Netshoes.
Enfim, foi o gadget cuja compra me deixou mais satisfeita nos últimos tempos. Ainda não testei tudo, mas até agora estou bastante satisfeita. E espero que continue assim. Falta ainda um teste casca-grossa com um treino bem longo e bem suado, mas a maratona de Floripa está quase aí pra me ajudar nisso. Pra quem se interessar, tem um podcast da Bia Kunze, comentando sobre ele: Podsemfio n.117 – MotoACTV.
Bye Garmin 405. NÃO foi bom enquanto durou :-P
.
.
coded by
ctellier
|
tags:
cinema,
drops
|
Posted On domingo, 16 de setembro de 2012 at 11:52
meteorologia: sol e calor
pecado da gula: pão com nutella
teor alcoolico: nada ainda
audio: dark one podtrash #106
video: dexter
Hatari! (1962)
roteiro: Harry Kurnitz, Leigh Brackett
direção: Howard Hawks
Apesar dos elementos (hoje) politicamente incorretos, este filme ainda faz parte daquela lista de filmes que não me canso de assistir. Abstraindo esses elementos - a captura de animais para zoológicos e o fato de praticamente todos os personagens serem fumantes - é uma “sessão da tarde” de muita qualidade. E é preciso destacar que faz parte da trilha sonora a deliciosa Baby Elephant Walk (“O passo do elefantinho), do gênio musical Henri Mancini. Inesquecível.
A estória é bastante simples, como em boa parte dos filmes dessa época. Um grupo de “caçadores” de vários países reúne-se numa fazenda da África - locações em Tanganica -, durante os três meses em que a caça é liberada, para capturar animais para zoológicos. Um dos zôos que ficará com alguns dos animais quer fotos das capturas e envia um fotógrafo, na verdade, uma fotógrafa italiana - Anna Maria D'Allessandro, “Dallas” (Elsa Martinelli).
O filme transcorre alternando cenas de perseguições na savana e do convívio entre essas pessoas: o inconveniente de ter uma mulher no grupo; dois dos rapazes disputando a atenção da dona da fazenda; os riscos a que os caçadores estão expostos; a química entre a fotógrafa e o irlandês ranzinza que chefia o grupo - Sean Mercer (John Wayne); o motorista que tem medo de animais - “Pockets” (Red Buttons) - responsável pela maioria dos momentos cômicos.
O filme é longo, quase 2 horas e 40 minutos de duração, mas que passam sem a gente perceber. O humor leve e aparentemente ingênuo somado a algumas gags visuais muito bem resolvidas prendem o espectador do início ao fim. As cenas com os elefantinhos são simplesmente impagáveis e a música de Mancini é o complemento perfeito.
Obs.: O título significa "Perigo!" em Swahili.
.
.
coded by
ctellier
|
tags:
literatura
|
Posted On sábado, 15 de setembro de 2012 at 09:36
meteorologia: sol e calor
pecado da gula: pão com nutella
teor alcoolico: nada ainda
audio: afrocelts
video: cabine literária #68
Ponto cego
Felipe Colbert
Sinopse
Um ano após o acidente que interrompeu a gravidez de Nilla e sentindo-se culpado pela iminente separação, o repórter Daniel Sachs recebe um pedido de socorro escondido em um objeto e descobre que sua ex-mulher desapareceu em Veneza durante a cobertura de um show de ilusionismo. Seguro de que é o único que pode ajudá-la, ele parte em busca do resgate da fotógrafa e, consequentemente, a correção de todo passado. Porém, pistas misteriosas dão indícios de que o desaparecimento de Nilla possa estar ligado a um novo tipo de comércio ilegal na cidade – a produção de filmes snuff. Ao solicitar ajuda ao investigador Giuseppe Pacino, Daniel passa a ser perseguido e a ter sua vida ameaçada por um impiedoso criminoso. A situação piora quando eles ficam sabendo que Lorenzo Oro, um ilusionista cego de grande prestígio na Europa e dono de habilidades surpreendentes, foi a última pessoa a conversar com Nilla antes de seu desaparecimento. Incerto das próxima ações, Daniel enfrentará uma série de obstáculos e revelações imprevisíveis até chegar ao clímax arrebatador: a decisão de permitir ou não que seu corpo seja controlado por outra pessoa para salvar a mulher que ainda ama.
(fonte: www.skoob.com.br)

Acredito que uma boa parcela de leitores desenvolveu seu gosto pela leitura com livros de mistério ou policiais - Agatha Christie, Rex Stout, Conan Doyle, Georges Simenon. E eu não me excluo. Mas antes de ler a Dama do Mistério, eu já me aventurava por esse estilo curtindo vários livros da Coleção Vagalume - quem foi adolescente nos anos 80 deve lembrar bem deles: O mistério do cinco estrelas, de Marcos Rey; O escaravelho do diabo, de Lúcia Machado de Almeida, entre tantos outros.
Desde então, sempre que tive em mãos um exemplar desse tipo de literatura, ficava na expectativa de reviver aquela sensação gostosa de ver-me envolvida pela estória a ponto de não poder largar a leitura. E, confesso, há muito tempo isso não ocorria. Até eu tirar Ponto cego da prateleira da livraria e começar a folheá-lo. Como de hábito, li a contracapa, as orelhas e nesse ponto já estava interessada na estória. Comecei a ler o prólogo e... "Bingo!", lá estava aquela sensação novamente. A trama é bastante envolvente, o suficiente para que eu terminasse de lê-lo em menos de um dia. Felizmente, a impressão inicial não se desfez. Gostei muito, apesar de alguns poréns que não chegaram a tirar o prazer da leitura.
O autor escreve de modo a induzir o leitor a seguir lendo. E há duas coisas na estrutura da estória que eu curto bastante e que foram bem utilizadas por Colbert. Nenhuma delas é novidade, mas o autor fez bom uso do recurso:
- O prólogo é um trecho de algo que só vai acontecer quase no final do livro, um pouco antes do clímax. O leitor é jogado numa fogueira, sem entender muito bem o que está ocorrendo. O autor acertou em cheio na escolha da cena que é oferecida como “aperitivo”. O trecho deixa quem lê com aquele comichão de saber logo “que diabos é aquilo”. E não lhe resta alternativa a não ser continuar com a leitura.
- Inicialmente, a estória tem dois fios narrativos principais - um deles acompanha Daniel; o outro, Pacino. Estes se alternam com um terceiro - acompanhando o(s) vilão(ões) - que, apesar de menos desenvolvido não é menos importante e intrigante. E o autor, na maioria dos capítulos, deixa um fio pendente, fazendo o leitor querer avançar logo pra continuar daquele ponto. Semelhante a Game of Thrones, com a diferença de que o narrador, neste caso, é onisciente e não em primeira pessoa. Boa estratégia que cria expectativa do momento em que as estórias irão se cruzar.
Não dá para deixar de notar certa semelhança com os livros de Dan Brown, principalmente Código da Vinci. Os principais elementos estão ali:
- estória ambientada em outro país, dando oportunidade para um tour turístico enquanto os eventos se sucedem;
- um casal de desconhecidos que se une para solucionar um mistério. Ele, um forasteiro. Ela, moradora da cidade “estrangeira”, que lhe serve de guia;
- um sujeito aparentemente fora do comum, incumbido de uma missão obscura - ou mais de uma.
Contudo, as semelhanças acabam aí. O estilo de Colbert é bem menos megalomaníaco e grandiloquente, e o texto não tem tanto aquele aspecto de “pronto para virar filme”. Os personagens são mais humanos, causando maior empatia do leitor. Em Código da Vinci, o enfoque é maniqueísta, não há meio-termo. Com o perdão do clichê, é tudo preto no branco. Os personagens, apesar de alguns pequenos defeitos, são facilmente separados entre mocinhos - bons, altruístas, cheios de qualidades - e bandidos - maus, traiçoeiros, cheios de defeitos. Enquanto que, em Ponto cego, há gradações de cinza entre os extremos, como o investigador Pacino. Ele é quase um anti-herói - alcóolatra, mal-humorado, irascível, apartado dos colegas de trabalho, execrado pelo chefe -, mas que apesar de toda sua vivência ainda se esforça para cumprir seu dever de policial, tentando garantir que a justiça seja feita. Resumindo, um mocinho com muitos, muitos defeitos. Ainda sobre os personagens, ou melhor, sobre a construção deles. Enquanto que os masculinos são muito bem construídos - temos a sensação de conhecê-los muito bem -, os femininos deixam um pouco a desejar. Achei-os mais superficiais e, em alguns casos, careciam de motivação plausível - Sophia, por exemplo.
Tenho uma observação quanto ao final. Tive a impressão de estar assistindo a um daqueles filmes em que o roteirista planta um monte de questões durante a trama que apenas são respondidas, às pressas, nos últimos 20 minutos de filme. Achei que o desenlace ocorreu rápido demais e que a “cena pós-crédito”, ou melhor, pós-clímax se desenrolou em tão poucas páginas que quase pareceu um deus ex machina, uma solução um pouco forçada.
Mas enfim, exceto por alguns pequenos percalços na narrativa - e alguns pequenos erros de revisão - o livro merece ser lido. É uma trama policial nos moldes daquelas “de antigamente”, com os mistérios sendo esclarecidos por pessoas - pelas células cinzentas como diria Hercule Poirot - e não por traquitanas tecnológicas. Vale investir algumas horas e acompanhar Daniel em sua busca, enquanto conhecemos um pouco mais de Veneza.
Sobre o autor:
Felipe Colbert é autor de dois livros e especialista em estruturação de romances. Possui trabalhos publicados no Brasil e na Europa. Estreou na literatura em 2008 com a obra policial A entrevista ininterrupta, publicada pela Novo Século.
(fonte: http://www.felipecolbert.com.br)
.
.