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Posted On terça-feira, 24 de setembro de 2013 at 20:07
meteorologia: chega de chuva!!
pecado da gula: batata sauté
teor alcoolico: nada ainda
audio: carmina burana
video: american horror story
Todo corredor, ao perceber que a vida útil de um dos seus (vários) pares de tênis estão perto do fim, começa a pensar no próximo a ser usado. Foi-se o tempo em que eu era fiel a apenas uma marca/modelo, adepta da máxima “Em time que está vencendo, não se mexe.”. Nos últimos anos, principalmente depois de aderir à corrida minimalista, sempre estou experimentando novos modelos desse estilo, já que percebi que o importante mesmo é a mecânica da passada, mais que o próprio calçado.
Sendo assim, quando chegou o momento de aposentar meu Brooks Ghost, depois de alguma pesquisa, optei pelo Skechers Go Bionic. Foi o escolhido, entre outros motivos, pois já o tinha visto “pessoalmente” - no workshop de corrida natural ministrado pelo Sérgio Rocha - e constatado o quanto era leve e flexível. Além disso, munida de um cupom de desconto de uma loja online, o preço estava dentro do que acho o máximo aceitável - ainda que não exatamente adequado - pagar num tênis: R$ 299,00 (já com o desconto de R$ 50,00).
Um parênteses aqui: além da vantagem evidente na corrida em si, passar a praticar corrida natural/minimalista traz também uma vantagem econômica, já que o preço dos tênis cai praticamente pela metade - para quem costuma comprar os “da moda”, que custam entre R$ 600,00 e R$ 700,00. Nem levo em conta o Wave Prophecy que é, no meu entender, um ponto fora da curva que deveria ser boicotado pelos consumidores devido ao preço abusivo. Convenhamos, pagar 900 reais num tênis é quase como queimar dinheiro :-P
Bom, já comentei sobre um dos aspectos do tênis: o preço. Não é dos mais baratos, mas cabe no orçamento, considerando que provavelmente irei substituí-lo apenas daqui a um ano. Vamos aos demais.
Confesso que ao receber a embalagem das mãos do carteiro, duvidei que fosse mesmo o tênis. Leve demais. Mesmo. Muito mais leve que as embalagens com livros que costumam ser entregues aqui em casa. Abri logo a caixa e o tênis estava lá. Ufa! Não cheguei ao cúmulo de colocá-los na balança, mas conforme o Corrida Natural, o tamanho 42 pesa 169g. Ou seja, o meu - tamanho 38 - deve pesar um pouco menos. Para facilitar a “visualização”, imagine 8 fatias de mussarela de espessura média. Imaginou? É o que pesa o tênis.
Por causa da forma larga e do peso reduzido, a sensação ao calçá-lo é a mesma de vestir uma meia grossa. E mesmo andando, essa sensação persiste. Vantagem sobre o Five Fingers que, por mais confortável que seja, gera um certo estranhamento por conta dos dedos separados. O pé fica esparramado, sem “pegar” em nenhuma costura. Ao menos com meias. Sem elas, eu não testei ainda.
A espessura da sola é de 11mm, ou seja, amortecimento quase nulo - apesar de não parecer. Mas para quem está acostumado a correr descalço, de huaraches ou de Five Fingers não há qualquer desconforto. Para quem optar pelo Go Bionic como seu primeiro tênis minimalista, vale lembrar da fase de adaptação que não deve ser desconsiderada na transição de tênis mais estruturados para modelos como este.
Somando-se essas características, mais o drop zero, pode-se afirmar que é um modelo minimalista. É uma ótima opção para quem quer ter a mesma sensação experimentada ao usar um Five Fingers mas sem pagar o mico de parecer estar usando “pés de hobbit” (apelido carinhoso que meu namorado deu ao meu KSO).
Testei-o tanto na esteira quanto na rua (treino e prova), tanto em tiros quanto em longos e não tenho qualquer reclamação. Li alguns reviews reclamando das palmilhas que se deslocam. Comigo não aconteceu. Troquei o cadarço original apenas por comodidade - não gosto de ficar amarrando/desamarrando os tênis - mas o original não apresentou qualquer inconveniente. Enfim, fiquei super satisfeita com a aquisição.
O vídeo abaixo foi o melhor que encontrei para demonstrar o quanto o modelo é flexível, justificando a sensação de extremo conforto ao correr com ele:
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Posted On sábado, 21 de setembro de 2013 at 19:00
meteorologia: sol, calor e muito, muito vento
pecado da gula: bolo de coco
teor alcoolico: nada ainda
audio: matchbox 20
video: american horror story
The conjuring (2013) - Invocação do mal
roteiro: Chad Hayes, Carey Hayes
direção: James Wan
★ ★ ★ ★ ★
(resenha publicada originalmente no Vórtex Cultural, em 13/09/2013)
Antes de existir Amityville, existiu Harrisville. Baseado em uma história real, Invocação do Mal conta o terrível episódio de como os investigadores paranormais mundialmente renomados Ed e Lorraine Warren foram chamados para ajudar uma família aterrorizada por uma presença obscura em uma fazenda isolada. Forçados a confrontar uma poderosa entidade demoníaca, os Warrens viram-se presos no caso mais terrível de suas vidas.
(fonte: http://wwws.br.warnerbros.com/theconjuring)
Muitos roteiros valem-se do recurso de afirmar que a trama é “baseada em fatos reais” para dar mais peso à história. Neste caso, não é apenas um recurso narrativo. Essa tática já é tão manjada e utilizada tão sem critério que confesso ter duvidado dessa premissa e “googlei” o nome dos personagens depois de assistir ao filme. Ed e Lorraine Warren realmente existiram, foram demonologistas amplamente conhecidos e reconhecidos, e o roteiro baseia-se nos arquivos dos casos investigados pelo casal.
O roteiro não prima pela originalidade, afinal não há muita margem para a criatividade ao escrever sobre uma casa mal-assombrada. Não há como escapar de sussurros e ruídos estranhos, portas e janelas se abrindo, ou se fechando, aparentemente sozinhas, pancadas no chão e paredes, quadros e objetos decorativos sendo jogados ao chão. Mas mesmo assim é bastante eficiente ao focar-se mais na tensão causada pela existência da “assombração” do que nos sustos em si.
O prólogo - quase uma pegadinha para quem não faz ideia do que se trata o filme - funciona muito bem ao apresentar o casal de investigadores e seu modus operandi. Há, embutida nele, a dica de que o filme não se resumirá a sustos e gritos histéricos, como boa parte dos filmes de terror infelizmente costuma ser.
A estória se passa no início dos anos 70 e vale a pena reparar na reconstituição de época que não deixa a desejar. Desde os carros, até as roupas - as estampas de vestidos e camisolas, os cortes dos ternos e camisas - passando pelos penteados - o que são aquelas costeletas? rs - e elementos do cenário - mobília e eletrodomésticos. Sem contar a trilha sonora, quase toda diegética, com ótimos hits da época.
O elenco está muito bem, com destaque para Vera Farmiga (Lorraine Warren), lógico. Um rápido flashback sobre um caso investigado que “desandou” talvez explique sua constante melancolia, mas mesmo asssim. Sua cara de tristeza durante todo o filme às vezes parecer meio forçada. Patrick Wilson (Ed Warren) não desaponta. Lily Taylor (Carolyn Perron), quase no mesmo clima de Hemlock grove, consegue nos fazer esquecer do péssimo The haunting A casa mal assombrada. Ron Livingston, o eterno Tenente Lewis Nixon em Band of Brothers, consegue ser bem convincente como o único homem numa família de seis mulheres.
Não sei se é realmente o melhor filme de terror dos últimos tempos. Mas certamente James Wan - responsável por Saw (o primeiro, de 2004), pelo razoável Death Sentence (2007) e pelo recente Insidious (2011) - conseguiu fazer um filme de terror acima da média, competente e com várias referências para os fãs do gênero.

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Posted On sábado, 14 de setembro de 2013 at 15:25
meteorologia: verão, cadê você?
pecado da gula: cocada
teor alcoolico: nada ainda
audio: beethoven
video: breaking bad
Premium Rush (2012) - Perigo por Encomenda
roteiro: David Koepp, John Kamps
direção: David Koepp
★ ★ ★ ★ ★
(resenha publicada originalmente no Vórtex Cultural, em 03/09/2013)
Todo motorista que circula pelas ruas de São Paulo já está habituado aos motoboys. E quando digo habituado, refiro-me à presença deles e não às suas estrepolias no trânsito, geralmente súbitas e inseguras. Imagine se essa horda de “cachorros loucos” fosse formada por couriers pilotando bicicletas ao invés de motos. Conseguiu imaginar? Se sim, você acaba de visualizar Nova Iorque. Agora imagine que alguns desses “ciclistas” estejam correndo contra o tempo, não para fazer a entrega no menor tempo possível, mas para resolver um problema causado pelo conteúdo de uma das entregas. Imaginou? Então você acaba de vislumbrar o roteiro de “Perigo por Encomenda”.
Wilee (Joseph Gordon-Levitt) é um quase advogado (falta fazer o exame final, similar à da OAB) que trabalha como entregador-ciclista, ou bike messenger, suprindo sua demanda por adrenalina pedalando ferozmente pelas ruas de Nova Iorque. Na gíria dos ciclistas, ele é um fixeiro, ou seja, usa uma bicicleta sem marchas, sem roda livre (os pedais se movem o tempo todo junto com as rodas) e sem freios - já que os próprios pedais podem ser utilizados para frenagem. Ele é o que se poderia chamar de adepto do ciclismo “de raiz”.
Bobby Monday (Michael Shannon, o General Zod de “Homem de aço”) é um policial viciado em jogo que quer o conteúdo de um envelope que deve ser entregue por Wilee. Vanessa (Dania Ramirez) é a ex-namorada, também entregadora, que desaprova o modus operandi de Wilee. Manny (Wolé Parks) é outro bike messenger da mesma empresa, que cobiça Vanessa e inveja Wilee.
Gordon-Levitt literalmente deu o sangue pelo papel, sua atuação é intensa o bastante para convencer o espectador de que ele realmente consegue pedalar daquela maneira. Contudo, o filme basicamente se resume a perseguições frenéticas pelas ruas de Nova Iorque enquanto Bobby tenta impedir que o tal envelope chegue a seu destino, com direito a um alívio cômico proporcionado por um policial nova-iorquino, também ciclista. Alguns flashbacks intercalados explicam como cada personagem chegou à situação atual. Inserções no estilo Google Maps and Navigation ilustram as rotas a serem seguidas pelos messengers. E o próprio Wilee tem ‘previews’ dos caminhos possíveis a seguir quando um obstáculo se apresenta.
E é apenas isso. Um filme de perseguição, rápido, não cansativo, interessante de assistir num sábado de ócio no sofá com pipoca. Diverte sem ser tolo, apesar de algumas situações improváveis. Mas também não leva a qualquer reflexão pós-filme. Puro entretenimento.

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Posted On terça-feira, 10 de setembro de 2013 at 15:10
meteorologia: sol e céu azul
pecado da gula: pão de queijo
teor alcoolico: nada ainda
audio: tiesto
video: the bone collector
2 Guns (2013) - Dose dupla
roteiro: Blake Masters
direção: Baltasar Kormákur
★ ★ ★ ★ ★
(resenha publicada originalmente no Vórtex Cultural, em 27/08/2013)
O filme é uma adaptação da série de quadrinhos homônima publicada em 2007 pelo Boom! Studios. Escrita por Steve Grant e ilustrada pelo brasileiro Mateus Santolouco, a HQ conta a história de um agente do departamento de narcóticos (DEA), Robert 'Bobby' Trench (vivido no filme por Denzel Washington), e de um oficial da inteligência naval, Michael 'Stig' Stigman (no filme, Mark Wahlberg), que investigam um ao outro sem saber de suas reais identidades. No filme, trabalham juntos tentando se infiltrar um cartel, mas algo dá errado e ambos acabam perseguidos por seus próprios empregadores.
É um típico buddy movie, mas com algumas particularidades que incrementam a narrativa. A fórmula “dupla combatendo o crime”, apesar de bastante batida, funciona bem aqui. Isso se deve principalmente ao detalhe de que cada um deles não sabe da verdadeira identidade do outro, ao menos no início da trama. Trabalhando para agências diferentes, acham que o parceiro é um traficante de verdade, o que resulta em situações bem divertidas. Depois de descobrirem que ambos estão do mesmo lado da lei, a “graça” persiste ao se tornarem uma versão século XXI de Murtaugh e Riggs, discutindo o tempo todo feito um casal ranzinza.
É uma pena que a estrutura “dupla age baseada em fatos que se revelam falsos / dupla se ferra / dupla se safa” repita-se tantas vezes durante todo o filme, a ponto de se tornar cansativa. Na segunda metade do filme, o espectador já assiste às cenas aguardando o momento em que o roteirista “puxa o tapete” dos protagonistas para ver como eles conseguirão escapar.
Não fosse o carisma da dupla central e a ótima dinâmica entre os personagens, o filme seria um daqueles em que o espectador começa a checar o relógio passados apenas 40 minutos de projeção. O pavio curto de Stig, assim como a aparente carência de uma inteligência mais aguda, fazem o contraponto ideial para a malemolência de Bobby e seu distanciamento de relações sociais.
Usando uma paleta de cores “estouradas”, a fotografia deixa o espectador o tempo todo com a mesma sensação de desconforto causada pelo calor e pela aridez do deserto mexicano. Trilha sonora bacana - composta pelo responsável pela trilha do ótimo “Distrito 9”, Clinton Shorter - complementa bem tanto as cenas de ação quanto as (poucas) cenas mais calmas. Não é daquelas que se sai cantarolando do cinema, mas é boa o suficiente para não ser notada quando não é necessário.
Filme de ação quase ininterrupta, diverte sem ofender (muito) a inteligência do espectador. Basta relevar alguns exageros e non-senses da trama - comuns a esse estilo de filme - e a diversão está garantida, com direito a muita pipoca.
“Never rob a bank that’s across the street from a diner with the best doughnuts in three counties"

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Posted On sábado, 7 de setembro de 2013 at 14:57
meteorologia: solzinho simpático
pecado da gula: bolo de coco
teor alcoolico: nada ainda
audio: brainscast #79
video: les revenants
Jobs (2013)
roteiro: Matt Whiteley
direção: Joshua Michael Stern
★ ★ ★ ★ ★
(resenha publicada originalmente no Vórtex Cultural, em 23/08/2013)
O filme enfoca a vida do sócio-fundador da Apple, desde sua juventude hippie, passando pela fundação da empresa que lhe garantiu a fama de inovador até sua volta à empresa como CEO, depois de ter sido relegado durante alguns anos.
Mesmo não conhecendo a fundo os eventos e nem tendo lido a biografia de Steve Jobs, percebe-se que parte das críticas feitas ao filme por Steve Wozniak (fundador da Apple junto com Jobs) procedem. Nota-se que é dada muita ênfase à figura de Jobs, às suas decisões, às suas ideias e ao seu modo de conduzir os negócios. Os demais “personagens’, apesar de provavelmente terem participado bem mais ativamente dos acontecimentos, ficam relegados quase a meros coadjuvantes. Não que Jobs não tenha seu mérito, isso é inquestionável. Mas o roteiro exagera ao tentar induzir o espectador a achar que Jobs foi o principal - senão, único - responsável para a Apple ser o que é. Steve Jobs vai de ‘underdog’ a gênio inovador quase num piscar de olhos. Sim, é clichê. Assim como é extremamente clichê a cena em que ele tem sua epifania sobre o futuro a seguir.
O filme tem um problema de ritmo. Apesar da duração ser de pouco mais de duas horas, tem-se a impressão de que se arrasta por muito mais tempo. Mesmo que aparentemente alguns eventos tenham sido “acelerados” a fim de caberem no tempo da narrativa - o que por vezes compromete o entendimento - a fluxo narrativo parece truncado, sem fluidez. Inevitavelmente, tentar condensar cerca de 25 anos num roteiro de duas horas incorreria em problemas dessa natureza. Há ainda falhas no roteiro que atrapalham a boa compreensão da estória. Em vários momentos, Jobs tem certas atitudes cujas motivações não ficam claras e o espectador fica com a impressão de ter cochilado por alguns minutos e perdido algo importante (talvez isso aconteça eventualmente).
Contudo, discordo de Wozniak quanto à responsabilidade de Ashton Kutcher nessa visão de Jobs. O ator apenas interpretou o que estava no roteiro. Kutcher, aliás, apesar de bastante inspirado em alguns momentos - a ponto de fazer o espectador “ver” Jobs na tela - em outros, pende para a caricatura de um modo que chega a incomodar. É necessário ressaltar o excelente trabalho de Mary Vernieu na seleção do elenco. O “garimpo” deu um ótimo resultado, pois os atores escolhidos se assemelham bastante a seus correspondentes reais.
Ainda sobre semelhança, a cenografia e o figurino remetem o público diretamente aos anos 70, logo no início. A reconstrução de época é muito eficiente e mesmo o efeito “foto antiga” do filme não chega a incomodar demais. Para completar a imersão, destaque para a trilha sonora bastante emblemática. A fotografia também é boa, favorecendo ângulos que deixem Kutcher ainda mais parecido com Jobs.
Para um filme que tem a missão de contar a trajetória de alguém resposável por uma revolução no modo como as pessoas encaravam a informática e os computadores, ele passa longe de qualquer conceito inovador, beirando a mediocridade. Não há dúvidas de que se o filme fosse um produto da Apple, após o preview Jobs enviaria o projeto de volta para a prancheta.

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