Ponto cego

coded by ctellier | tags: | Posted On sábado, 15 de setembro de 2012 at 09:36

meteorologia: sol e calor
pecado da gula: pão com nutella
teor alcoolico: nada ainda
audio: afrocelts
video: cabine literária #68

Ponto cego
Felipe Colbert

Sinopse
Um ano após o acidente que interrompeu a gravidez de Nilla e sentindo-se culpado pela iminente separação, o repórter Daniel Sachs recebe um pedido de socorro escondido em um objeto e descobre que sua ex-mulher desapareceu em Veneza durante a cobertura de um show de ilusionismo. Seguro de que é o único que pode ajudá-la, ele parte em busca do resgate da fotógrafa e, consequentemente, a correção de todo passado. Porém, pistas misteriosas dão indícios de que o desaparecimento de Nilla possa estar ligado a um novo tipo de comércio ilegal na cidade – a produção de filmes snuff. Ao solicitar ajuda ao investigador Giuseppe Pacino, Daniel passa a ser perseguido e a ter sua vida ameaçada por um impiedoso criminoso. A situação piora quando eles ficam sabendo que Lorenzo Oro, um ilusionista cego de grande prestígio na Europa e dono de habilidades surpreendentes, foi a última pessoa a conversar com Nilla antes de seu desaparecimento. Incerto das próxima ações, Daniel enfrentará uma série de obstáculos e revelações imprevisíveis até chegar ao clímax arrebatador: a decisão de permitir ou não que seu corpo seja controlado por outra pessoa para salvar a mulher que ainda ama.
(fonte: www.skoob.com.br)


Acredito que uma boa parcela de leitores desenvolveu seu gosto pela leitura com livros de mistério ou policiais - Agatha Christie, Rex Stout, Conan Doyle, Georges Simenon. E eu não me excluo. Mas antes de ler a Dama do Mistério, eu já me aventurava por esse estilo curtindo vários livros da Coleção Vagalume - quem foi adolescente nos anos 80 deve lembrar bem deles: O mistério do cinco estrelas, de Marcos Rey; O escaravelho do diabo, de Lúcia Machado de Almeida, entre tantos outros.

Desde então, sempre que tive em mãos um exemplar desse tipo de literatura, ficava na expectativa de reviver aquela sensação gostosa de ver-me envolvida pela estória a ponto de não poder largar a leitura. E, confesso, há muito tempo isso não ocorria. Até eu tirar Ponto cego da prateleira da livraria e começar a folheá-lo. Como de hábito, li a contracapa, as orelhas e nesse ponto já estava interessada na estória. Comecei a ler o prólogo e... "Bingo!", lá estava aquela sensação novamente. A trama é bastante envolvente, o suficiente para que eu terminasse de lê-lo em menos de um dia. Felizmente, a impressão inicial não se desfez. Gostei muito, apesar de alguns poréns que não chegaram a tirar o prazer da leitura.

O autor escreve de modo a induzir o leitor a seguir lendo. E há duas coisas na estrutura da estória que eu curto bastante e que foram bem utilizadas por Colbert. Nenhuma delas é novidade, mas o autor fez bom uso do recurso:
  1. O prólogo é um trecho de algo que só vai acontecer quase no final do livro, um pouco antes do clímax. O leitor é jogado numa fogueira, sem entender muito bem o que está ocorrendo. O autor acertou em cheio na escolha da cena que é oferecida como “aperitivo”. O trecho deixa quem lê com aquele comichão de saber logo “que diabos é aquilo”. E não lhe resta alternativa a não ser continuar com a leitura.
  2. Inicialmente, a estória tem dois fios narrativos principais - um deles acompanha Daniel; o outro, Pacino. Estes se alternam com um terceiro - acompanhando o(s) vilão(ões) - que, apesar de menos desenvolvido não é menos importante e intrigante. E o autor, na maioria dos capítulos, deixa um fio pendente, fazendo o leitor querer avançar logo pra continuar daquele ponto. Semelhante a Game of Thrones, com a diferença de que o narrador, neste caso, é onisciente e não em primeira pessoa. Boa estratégia que cria expectativa do momento em que as estórias irão se cruzar.

Não dá para deixar de notar certa semelhança com os livros de Dan Brown, principalmente Código da Vinci. Os principais elementos estão ali:
  • estória ambientada em outro país, dando oportunidade para um tour turístico enquanto os eventos se sucedem;
  • um casal de desconhecidos que se une para solucionar um mistério. Ele, um forasteiro. Ela, moradora da cidade “estrangeira”, que lhe serve de guia;
  • um sujeito aparentemente fora do comum, incumbido de uma missão obscura - ou mais de uma.

Contudo, as semelhanças acabam aí. O estilo de Colbert é bem menos megalomaníaco e grandiloquente, e o texto não tem tanto aquele aspecto de “pronto para virar filme”. Os personagens são mais humanos, causando maior empatia do leitor. Em Código da Vinci, o enfoque é maniqueísta, não há meio-termo. Com o perdão do clichê, é tudo preto no branco. Os personagens, apesar de alguns pequenos defeitos, são facilmente separados entre mocinhos - bons, altruístas, cheios de qualidades - e bandidos - maus, traiçoeiros, cheios de defeitos. Enquanto que, em Ponto cego, há gradações de cinza entre os extremos, como o investigador Pacino. Ele é quase um anti-herói - alcóolatra, mal-humorado, irascível, apartado dos colegas de trabalho, execrado pelo chefe -, mas que apesar de toda sua vivência ainda se esforça para cumprir seu dever de policial, tentando garantir que a justiça seja feita. Resumindo, um mocinho com muitos, muitos defeitos. Ainda sobre os personagens, ou melhor, sobre a construção deles. Enquanto que os masculinos são muito bem construídos - temos a sensação de conhecê-los muito bem -, os femininos deixam um pouco a desejar. Achei-os mais superficiais e, em alguns casos, careciam de motivação plausível - Sophia, por exemplo.

Tenho uma observação quanto ao final. Tive a impressão de estar assistindo a um daqueles filmes em que o roteirista planta um monte de questões durante a trama que apenas são respondidas, às pressas, nos últimos 20 minutos de filme. Achei que o desenlace ocorreu rápido demais e que a “cena pós-crédito”, ou melhor, pós-clímax se desenrolou em tão poucas páginas que quase pareceu um deus ex machina, uma solução um pouco forçada.

Mas enfim, exceto por alguns pequenos percalços na narrativa - e alguns pequenos erros de revisão - o livro merece ser lido. É uma trama policial nos moldes daquelas “de antigamente”, com os mistérios sendo esclarecidos por pessoas - pelas células cinzentas como diria Hercule Poirot - e não por traquitanas tecnológicas. Vale investir algumas horas e acompanhar Daniel em sua busca, enquanto conhecemos um pouco mais de Veneza.



Sobre o autor:
Felipe Colbert é autor de dois livros e especialista em estruturação de romances. Possui trabalhos publicados no Brasil e na Europa. Estreou na literatura em 2008 com a obra policial A entrevista ininterrupta, publicada pela Novo Século.
(fonte: http://www.felipecolbert.com.br)

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Águaaaaaaa!!!

coded by ctellier | tags: , | Posted On domingo, 9 de setembro de 2012 at 14:46

meteorologia: sol e calor
pecado da gula: cachorro quente
teor alcoolico: nada ainda
audio: add_0875
video: cabine literária 68

Não tenho a intenção de discutir a importância da hidratação durante a atividade física. Todo corredor sabe o quanto é importante. Também não pretendo discutir sobre qual é a frequência ideal de ingestão de líquidos - se é preciso beber antes da sede ou apenas quando ela aparece. E nem afirmar nada sobre o que é melhor ingerir - água ou isotônicos. Meu intuito é falar sobre o aspecto prático da hidratação: como levar a água, ou o que quer que o corredor pretende beber.

Para quem treina indoor, isso simplesmente não é um problema. Toda esteira tem um porta-squeeze e, mesmo que não tivesse, bastaria deixar a garrafinha ao lado dela e beber a qualquer momento ou interromper o treino por alguns minutos e ir até o bebedouro.

Mas para quem treina na rua na maior parte das vezes - e eu me incluo - isso costuma ser um problema. Em treinos curtos, não sinto muita falta. Até uns 8 km, faço numa boa. A partir disso, sem condições. Sei de corredores que aguentam correr uma distância maior sem hidratar, mas não sei se pode-se considerar uma atitude muito saudável.

As opções são variadas. Para quem treina com uma assessoria, é possível ir ao parque ou à USP aos sábados e fazer uso dos "postos de hidratação" estrategicamente colocados. Mesmo para quem não treina com assessoria, há sempre a opção dos bebedouros. Eu treino com uma assessoria, mas, ultimamente, não estou com muita paciência para ficar dando voltas e mais voltas num parque ou mesmo na USP. Acabei optando por correr na rua mesmo, usando o Garmin para contabilizar a distância - e torcendo para que ele não trave ou desligue no meio do caminho.






Fazendo isso, não só eu mas outros corredores também nos vemos frente a uma decisão a ser tomada: como hidratar-se? Basicamente, acho que há quatro maneiras:
  • usar um cinto de hidratação;
  • usar uma mochila de hidratação;
  • levar um squeeze;
  • não levar nada para beber, mas levar dinheiro e ir parando para comprar água e/ou isotônico no meio do percurso.






Não tenho a pretensão de afirmar que um outro método seja melhor. Vou falar sobre o que funciona para mim. Vamos às minhas considerações sobre cada uma das alternativas:
  • cinto de hidratação
    Já havia tentado usar um daqueles com uma garrafinha de 750ml. Não gostei, chacoalhava demais e a garrafinha, que deveria permanacer para trás, vinha sacolejando e volta-e-meia já estava na frente. Pensei depois num daqueles com várias garrafinhas pequenas, até 200ml. Testei numa loja e também não gostei. Não chacoalhava tanto quanto o outro modelo, mas ainda assim me incomodava.
    Descartado.
  • mochila de hidratação
    Nunca foi realmente uma opção para mim. Porém, já que havia ganho uma no WBT (World Bike Tour), pensei que não faria mal algum experimentar. Testei e também não gostei. Eu não sou muito alta e não consegui ajustar a mochila de modo que ficasse bem justa ao corpo, sem ficar chacoalhando muito. E tem o agravante de que, por eu correr sempre usando regatas, as alças ficavam incomodando.
    Descartada.
  • dinheiro
    Aparentemente, o mais prático. Mas tem o inconveniente de que é necessário planejar o percurso a fim de passar por padarias, botecos e similares e fazer o pit-stop de hidratação. Além disso, há quem não goste de fazer essas paradinhas no meio do treino,mas eu não me incomodo.
  • squeeze
    Sempre me pareceu a melhor opção. Eu tinha um porta-garrafa da Asics, que eu não usava com a garrafinha que acompanha, mas com uma da Reebok. Ela é mais estreita e mais confortável de segurar, já que não tenho mãos grandes. E eis que vejo, por acaso, a garrafinha Fuel Belt com suporte pra mão anunciada no Mercado Livre (a de bolso laranjinha na foto). Pelas fotos, parecia bem mais "anatômica" do que a que eu vinha usando até agora. E já que o preço não era uma exorbitância - R$ 49,00 -, comprei. Chegou no meio da semana e estreei ontem no longão.
    Aprovada 100%. Ótimo encaixe. Na minha mão, que é pequena, ficou super bem ajustado. Como o suporte tem regulagem, acredito que para mãos maiores o ajuste também fique bom. O formato da garrafa beira a perfeição, já que a mão fica numa posição bem natural ao segurá-la. E, muito importante, não é preciso "fazer força" para carregar a garrafa, pois o suporte a prende à mão quase como uma extensão do nosso corpo. O suporte tem um bolso maior com zíper e um outro menor com velcro. No primeiro cabem dinheiro, chaves, documentos e similares. E o segunto foi projetado possivelmente para moedas - mas eu usei para levar uma pastilha de Suum.

Finalizando, nas minhas corridas longas na rua, optei por uma combinação dinheiro + squeeze (o da Fuel Belt). Ontem, por exemplo, levei-o preenchido com Enduroxx. Quando esvaziou, parei numa padaria e comprei uma garrafa d'água de 500ml. Bebi metade na hora e enchi o squeeze. Cheguei ao Ibirapuera, tomei uma água de côco, enchi novamente o squeeze num bebedouro e coloquei a pastilha de Suum. Deu certinho, não fiquei com o tanque seco em nenhum momento.


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Eu corro, eu escrevo, eu me preparo

coded by ctellier | tags: , , | Posted On quarta-feira, 5 de setembro de 2012 at 18:34

meteorologia: sol e calor
pecado da gula: amêndoas nutty bavarian
teor alcoolico: nada ainda
audio: kid abelha
video: bones

Este post saiu meio assim, no improviso. Digo "meio" pois metade dele - a ideia - surgiu inesperadamente enquanto lia uma HQ. Mas a outra metade - a escrita - não foi improvisada, apesar de ter tido alguns insights inesperados enquanto anotava os tópicos.

Na minha opinião - sei que há quem discorde - sem planejamento, dificilmente obtem-se bons resultados, seja na escrita, seja na corrida. Obviamente, que nem sempre tudo corre conforme o planejado, há sempre imprevistos ou inspirações súbitas. Mas ter em mente, em linhas gerais, o que se pretende fazer dá-nos a liberdade de improvisar com mais segurança, minimizando riscos e/ou problemas. Aliás, o improviso faz parte. Acrescenta aquela pitada de "desconhecido", de desafio que é combustível para a maioria das ações humanas.

Não foi apenas uma, nem duas, mas muitas vezes que, ao escrever - seja post, crônica ou conto -, à medida que desenvolvo uma ideia, outra se apresente quase "do nada". Lógico que não veio do nada, meu cérebro fez o trabalho duro de juntar pontas soltas sobre o que eu estava pensando e trouxe à tona apenas o que interessava: a ideia consolidada. E, vejo-me escrevendo sobre algo que inicialmente eu sequer pensara, tendo que encaixar a nova ideia no texto que eu planejara tão cuidadosamente. Esse esforço fora do escopo inicial é ainda mais gratificante, justamente por ser sem premeditação.

E, na corrida, não é diferente. Podemos ter tudo planejado, esquematizado - pace de tanto até o quilômetro tal, gel a cada tantos quilômetros, bala de goma ou qualquer outro doce a cada posto de água, ritmo progressivo ou constante. Mas são tantas variáveis que, impreterivelmente, algo vai sair "da linha". E o ser humano é um bichinho que está sempre pronto para dar um jeitinho e fazer as coisas voltarem ao eixo. Dou até um exemplo recente. No meu penúltimo longão, de 22km, resolvi ir da minha casa (moro próximo ao autódromo) até o parque Ibirapuera. Antes de sair, planejei meu percurso, por ruas e avenidas já conhecidas. E, em alguns momentos, tive de fazer alterações inesperadas, tanto por conta de obras do metrô, como por alguma alteração nas vias (faróis de pedestre desativados, por exemplo).

E, tanto na escrita quanto na corrida, o preparo do escritor/atleta é parte essencial. Porque uma boa parcela do bom resultado frente a situações inesperadas é ter conhecimento e jogo de cintura suficiente para saber como encará-las. E voltamos ao planejamento. Planejar não é apenas esquematizar exatamente o que se pretende fazer em condições ideais. Planejar é "cercar o frango" o máximo possível. É tentar pensar nos imprevistos mais prováveis e ter uma solução de contorno para o que for possível. Por exemplo, na corrida, é ter a resposta para "Como recupero o tempo perdido se eu tiver de fazer um pit-stop?". Na escrita, "Como eu conecto uma nova cena (ou parágrafo) ao restante do texto?". Dando continuidade ao exemplo do parágrafo anterior: antevendo a possibilidade (grande, infelizmente) de o Garmin dar problema no meio do trajeto - o que de fato ocorreu - eu havia olhado no Google Maps para ter uma ideia da distância de casa até o parque. Fazendo isso, percebi que precisaria chegar ao parque e ainda dar uma volta lá dentro para completar os 22 km. E dito e feito! Antes de chegar ao quilômetro 16, o Garmin simplesmente apagou (maldito!). Porém, apesar da minha irritação com o fato - tive impulsos de jogá-lo no meio da rua e vê-lo espatifar-se sob as rodas dos carros -, terminei meu treino como previsto, já que a solução de contorno estava disponível.

Não estar preparado, em ambos, pode ser fatal. Eu sei, soa um pouco dramático demais, mas é quase isso. Ao improvisar na escrita, o óbvio acontece. Tem-se um texto mal-escrito, mal-emendado, com ideias soltas e desconexas. Na corrida, pode fazer o atleta passar mal durante a prova ou, na pior das hipóteses, levar a uma lesão. E a "culpa" não é do improviso, do imprevisto. É a falta de preparo que causa esses efeitos colaterais desagradáveis.

Falei sobre escrita e sobre corrida e vou finalizar falando sobre música. O jazz é um exemplo perfeito de que o improviso bem sucedido depende de um bom preparo. Meu avô por parte de mãe, que eu não cheguei a conhecer, era músico. Tocava clarinete e trompete. E, segundo me contaram, dizia que o jazz era para músicos de verdade. Dizia que, para tocar jazz (muito bem), o músico deveria ter total controle sobre a técnica, sobre o instrumento, pois sem isso seria impossível improvisar de modo satisfatório. Parece contraditório, mas não é. Aos que não conhecem, faz-se necessária uma rápida explicação sobre o "fazer jazz" - rápida e superficial, pois jazz é muito mais que isso. Um grupo de jazz, ao tocar, segue uma linha melódica principal. Depois de executarem o que está na partitura, começa a improvisação. Cada músico tem oito compassos, em geral, para improvisar livremente (ou quase) e, ao final, voltar ao tema principal. E fazer isso sem ter domínio total sobre o instrumento é, no mínimo, uma imprudência. Enfim, planejamento é importante, mas preparo é fundamental.

(A propósito, a ideia para o parágrafo de conclusão veio no improviso. Eu tinha outra coisa em mente. Mas fui pegar um copo de café e, nesse meio tempo, meu cérebro se encarregou de fazer piscar em letras garrafais a palavra “jazz” na minha cabeça.)

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Drops » Imaginários

coded by ctellier | tags: , , , | Posted On domingo, 26 de agosto de 2012 at 19:20

meteorologia: sol, calor e ar seco
pecado da gula: misto quente
teor alcoolico: 1 east indian pale ale
audio: dannycast #112
video: bones

"Imaginários"
Organizado por Tibor Moricz, Saint‑Clair Stockler e Eric Novello

Quem acompanha o blog já deve ter percebido que o Desafio Literário (quase) foi pras cucuias - seja lá qual for a origem desse termo. Digo quase, pois ainda tenho um fiozinho de esperança de retomá-lo antes do ano acabar.

O que aconteceu foi que minha fila de leitura foi totalmente subvertida. Não terminei de ler o livro de maio, "Os irmãos Karamazov". Iniciei o segundo volume, mas fui "atraída" para a leitura de um livro de física de um autor já meu conhecido - "A realidade oculta", de Brian Greene. Depois disso, o que se viu foi uma sucessão de livros cortando a fila. "Geração Subzero", "Granta" e "Alice: Edição comentada" - que ainda não terminei (nem um nem outro), "A Captura de Cérbero" e "O Incidente da Bola de Cachorro" - que li durante a espera numa fila da bienal (post aqui) e, finalmente, "Imaginários".

Este último é uma coletânea de "contos de fantasia, ficção científica e terror" (conforme a capa), todos de autores brasileiros.

  • "Coleira do amor", de Gerson Lodi-Ribeiro
    ficção científica
  • "Eu, a sogra", de Giulia Moon
    fantasia urbana
  • "Veio... novamente", de Jorge Luiz Calife
    ficção científica
  • "A encruzilhada", de Ana Lúcia Merege
    fantasia medieval
  • "Por toda a eternidade", de Carlos Orsi
    ficção científica
  • "Twist in my sobriety", de Flávio Medeiros
    ficção científica
  • "Um toque do real: óleo sobre tela", de Roberto de Sousa Causo
    fantasia
  • "Alma", de Osíris Reis
    ficção científica
  • "Contingência, ou Tô pouco ligando", de Martha Argel
    ficção científica
  • "Tensão Superficial", de Davi M. Gonzales
    fantasia
  • "Planeta Incorruptível", de Richard Diegues
    ficção científica

Apesar de me lembrar de ter lido algo a respeito em algum blog literário (não lembro qual), não estava na minha "lista de compras". Vi-o, aliás, vi toda a coleção exposta no estande da Vermelho Marinho. Gosto muito de coleções, assim como gosto muito de contos e ficção científica - "all in one". Mas resisti à tentação e comprei apenas o volume 1, para um test-drive - queria ver se o tom e o estilo das estórias eram do meu agrado antes de levar todos pra casa. Bem, antes mesmo de ter lido todos os contos, já estava decidida a ler os outros volumes (cinco no total).

Não é minha intenção resenhar todos os contos. Para quem se interessar, há duas boas resenhas no Aguarrás e no Leitora Viciada. Não concordo 100%, mas ambas dão uma boa ideia sobre o conteúdo do livro. Os textos de que mais gostei foram: "Coleira do amor", "Eu, a sogra", "Twist in my sobriety" e "Por toda a eternidade". Os demais são bons também, mas havia algo na forma, na estrutura ou na ideia em si que deixavam a desejar.

Enfim, vale a leitura. Pretendo ler os demais, mas não agora, pois minha fila continua gigante.

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A dama do crime

coded by ctellier | tags: , | Posted On quarta-feira, 22 de agosto de 2012 at 18:08

meteorologia: sol e ar seco
pecado da gula: pão na chapa com manteiga
teor alcoolico: nada ainda
audio: podcast cinema em cena #49 v.2.0
video: bones

Como faço sem falta desde os meus 12 anos de idade, fui à Bienal do Livro semana passada. Aliás, acabei indo duas vezes e, em ambas, o que ficou marcado foi a quantidade de filas. Fila na bilheteria, fila para entrar, fila para comer (tanto para pagar como retirar o pedido), fila no banheiro, fila nos caixas dos estandes, fila para autógrafos, fila até para encher a garrafinha d’água no bebedouro. Certamente, em virtude do horário que fui nas duas vezes, tive a impressão de que a feira estava mais cheia que nos anos anteriores. Porém, apesar de tudo, mesmo detestando locais muito cheios, como sempre eu saí de lá satisfeita.

Fui à feira este ano decidida a apenas adquirir livros que preenchessem uma das seguintes condições:
- que estivessem em promoção e/ou com desconto
- que eu pudesse pegar autógrafo do(s) autor(es)
E consegui. Inclusive, em alguns casos, o livro cumpria todos os pré-requisitos. Diferente dos anos anteriores, havia muitas promoções em quase todos os estandes. O que me fez voltar para casa, no primeiro dia, com quatro sacolas cheias de livros e HQs.

Quando passamos pelo estande da Leya, Raphael Draccon estava autografando seu livro mais recente, "Fios de prata". Alcancei o livro numa das prateleira e me encaminhei à fila do caixa. Enquanto aguardava minha vez, vi que, assim como em outros estandes, havia desconto progressivo na compra de mais de um livro. E, bem ao meu lado, havia uma pilha de "livrinhos" de Agatha Christie. Apenas dois títulos, mas bastava para obter os 30% de desconto no valor total da compra. Peguei, paguei e fui para a fila dos autógrafos. Ah, a fila. Não estava muito longa. Não devia ter mais do que 20 pessoas à minha frente. Mas não andava. Cinco minutos. Dez minutos. E nada. Olhei para o início e reparei que, além de todos pararem para conversar e tirar fotos com o Draccon - que os atendia com uma paciência de Jó - muitos levavam TODOS os livros dele para autografar, ou seja, cinco livros. E, em muitos casos, havia uma pessoa na fila, guardando a vez para mais 2 ou 3 pessoas, também portando uma pilha de livros para autografar.

Em vista disso e antevendo a demora, saquei um dos livrinhos da Agatha de dentro da sacola e me pus a ler. No intervalo de quase 45 minutos de fila (ou mais), li um deles e cheguei à metade do outro. Não, não faço leitura dinâmica. Os livros são bem fininhos mesmo - menos de 100 páginas cada um. Na verdade, não são livros publicados "por ela". O autor é John Curran. E cada um deles contém um conto da autora e vários outros textos de seus cadernos de anotações, relacionados ao conto em questão. Para um fã, isso é uma preciosidade. E eu sempre gostei muito de seus livros. Na minha estante, é o autor/autora com maior quantidade de exemplares. Apesar da canseira de estar ali parada na fila, eu estava me divertindo demais com a leitura. Além do fato de as estórias dela serem sempre muito “gostosas” de ler - a leitura flui ininterruptamente - as informações complementares matam a curiosidade sobre o modus operandi da autora na criação do enredo. E mais, para alguém que tem como hábito não só a leitura, mas também a escrita, conhecer o método de um escritor muito apreciado- ou a falta dele, no caso de Agatha Christie - é algo enriquecedor.

Terminei de ler o segundo livrinho a caminho de casa. E, ao chegar, logicamente, acessei um site de livraria pra encontrar outros títulos. Encontrei "O" livro completo, "Os Diários Secretos de Agatha Christie", que foi imediatamente acrescentado à minha wish list. Fazia tempo que não lia algo dela e matar a saudade foi muito, muito bom. Num surto de saudosismo, lembrei-me de quantas vezes na minha adolescência eu varei a noite para terminar um livro dela. E aprender como ela estruturava os mistérios, as pistas, os personagens foi quase um prêmio inesperado. E fez com que essa fila - a mais demorada de todoas - não fosse uma total perda de tempo.

Para quem curte Agatha Christie, recomendo. E para quem não conhece, nem nunca leu nada dela, recomendo também. Vale a pena.



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