coded by ctellier | tags: , | Posted On segunda-feira, 19 de abril de 2010 at 06:53

"(...)
E eis que depois de uma tarde de "quem sou eu" e de acordar à uma hora da madrugada ainda em desespero - eis que às três horas da madrugada acordei e me encontrei. Fui ao encontro de mim. Calma, alegre, plenitude sem fulminação. Simplesmente eu sou eu. e você é você. É vasto, vai durar.
O que te escrevo é um "isto". Não vai parar: continua.
Olha para mim e me ama. Não: tu olhas para ti e te amas. É o que está certo.
O que te escrevo continua e estou enfeitiçada."

Clarice Lispector, in Água Viva

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Valkyrie

coded by ctellier | tags: | Posted On domingo, 18 de abril de 2010 at 22:45

meteorologia: lua cheia
pecado da gula: pão de batata
teor alcoolico: várias stella artois
audio: nina simone
video: tv mebeliska

Valkyrie, direção Bryan Singer

Na onda dos filmes de guerra, fui assistir Operação Valquíria. Esse é mais um filme cujo enfoque da 2a.Guerra privilegia o ponto-de-vista de personagens nazistas, a exemplo de "O leitor" (ler post) e "O menino do pijama listrado", que ainda não assisti.
Baseado em fatos reais, o filme conta uma das várias tentativas de assassinar Hitler. Talvez prejudicado pelo spoiler histórico - afinal já conhecemos o final da estória, Hitler não morre, "Oohh!" - não é muito bem-sucedido ao tentar prender o espectador à poltrona. Uma sucessão de altos e baixos, alternando entre o interesse gerado durante o planejamento das ações e a chatice nos momentos dedicados à execução do plano. O filme só fica um pouco mais interessante e envolvente no seu último terço, após a tentativa mal-sucedida. A tensão causada pelo caos, após a notícia da suposta morte do Führer e a rápida degringolada de toda a estrutura montada pelos conspiradores são o ponto alto do filme. Infelizmente, já é tarde, vários espectadores devem ter desistido de enfrentar os primeiros 90 minutos de projeção.
A fotografia é muito boa. A reconstrituição dos cenários e do figurino é impressionante. A ambientação história é excepcional. O modo como a suástica é exibida insistentemente, mas com extremo bom gosto (vide a cena da piscina). Mas não basta, já que a narrativa pouco cativante sobrepuja esses detalhes.
Resumindo, tecnicamente o filme é impecável. Mas o roteiro não ajuda.
Eu não gostei muito. Achei entediante e arrastado. Enfim, se fosse recomendar um filme sobre a 2a.Grande Guerra, com certeza não seria este.

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Oh happy day

coded by ctellier | tags: , | Posted On at 09:42

meteorologia: sol e céu azul (ótimo pra correr, mas hoje é dia de descanso)
pecado da gula: pão francês na chapa
teor alcoolico: nada ainda
audio: losties #11
video: rear window



Apesar de ser um cult gospel, gosto dessa música. O arranjo feito para o filme é realmente muito bom. Mas o que eu sempre lembro é o garotinho cantando na propaganda de All Day.





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coded by ctellier | | Posted On quarta-feira, 14 de abril de 2010 at 06:23

"Sing like no one's listening,
love like you've never been hurt,
dance like nobody's watching,
and live like its heaven on earth."
                                                   Mark Twain

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The hurt locker

coded by ctellier | tags: | Posted On domingo, 11 de abril de 2010 at 20:50

meteorologia: friozinho chegando
pecado da gula: churrasco
teor alcoolico: várias caipirinhas, várias cervejas
audio: losties #10
video: the prestige



The hurt locker, direção Kathryn Bigelow

Mais um exemplo da excelente indústria brasileira de tradução de títulos de filmes. Porém neste caso, não se pode culpar a distribuidora. Apesar de "Guerra ao terror" não ter absolutamente nada a ver com o título original, qualquer tradução ficaria insatisfatória. Do pouco que sei, "to put someone in the hurt locker" significa infligir dor física ou mental a alguém. Não sei se é exatamente esse o significado do título, se foi essa a idéia do roteirista (ou da diretora) ao nomear o filme, apesar de fazer sentido, mas não consegui encontrar qualquer expressão que se aproximasse. Também aventei a possibilidade que o título pudesse ser traduzido como um "armário da dor", ou algo similar, referindo-se à roupa de proteção utilizada pelos especialistas no desarmamento de bombas. Igualmente difícil de traduzir num título.
Assim como há livros que só chegam às prateleiras das livrarias depois de o autor arrebanhar algum prêmio importante, há filmes que só são lançados no cinema depois de premiados. É o caso deste. Lançado diretamente no mercado de home vídeo, só chegou às telonas após receber o Oscar de melhor filme, e melhor direção.
Indicação e premiação mais do que merecida, pois o filme é simplesmente genial. Ok, ok, just kidding! Sei de alguém que acabou de me xingar ao ler a frase anterior. Não estou dizendo que o filme não é bom, absolutamente não é isso. O filme é bom, eu gostei, mas acho que foi superestimado. Não acho que vale o Oscar, muito menos toda a "babação de ovo" ao redor dele, presente na maioria das resenhas e críticas que li.
Esteticamente, o filme fica acima da média. Fotografia primorosa, enquadramentos e ângulos cuidadosamente escolhidos dão sempre a impressão de serem a visão de algum dos personagens. O estilo de filmagem, do tipo "câmera na mão", acrescenta o tom documental que dá a credibilidade necessária às cenas, inserindo o espectador na estória de modo por vezes inusitado.
O personagen central, sargento William James, é interpretado com competência por Jeremy Renner (lembrava dele no mediano S.W.A.T.). A atuação não é excepcional, mas Renner consegue dar a esse personagem tridimensional, a complexidade suficiente a fazê-lo crível e não uma caricatura, um estereótipo de um soldado movido por adrenalina, um soldado-cowboy.
Cansou-me um pouco o ritmo lento do filme, principalmente na cena do embate entre os snipers. Mas provavelmente tenha sido proposital. Talvez a intenção da diretora foi dar ao espectador a mesma sensação dos soldados, esperando sobreviver aos dias que faltam para o rodízio de volta para casa. Dias que custam demais a passar.
No meu entender, é apenas mais um filme de guerra. Um bom filme de guerra. Talvez seja o melhor feito sobre o conflito no Iraque. Mas possivelmente toda essa comoção da mídia americana seja apenas uma tentativa de mostrar que a opinião pública não concorda com o conflito. O filme não é isso tudo que querem nos fazer crer. É bom. Vale assistir. Mas não é genial, nem chega perto de ser genial. Outro ganhador do Oscar que, na minha opinião, não merecia a estatueta.


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