O sol por testemunha

coded by ctellier | tags: | Posted On quinta-feira, 5 de agosto de 2010 at 07:38

meteorologia: q frioooooooooooo
pecado da gula: pão na chapa com manteiga
teor alcoolico: nada ainda
audio: pokercast #36

Plein soleil, direção René Clément


Primeira adaptação para o cinema da obra de Patricia Highsmith, “The talented Mr.Ripley”, que ainda não tive oportunidade de ler. Por não ter lido o livro, não tenho como afirmar qual das adaptações é a mais fiel à obra original, essa de 1960 ou a mais recente, de 1999, com direção de Anthony Minghella.
Sou naturalmente avessa a refilmagens e, pessoalmente, prefiro a primeira versão. Não só pela presença hipnotizante de um Alain Delon no auge da juventude (e do charme), mas também pelas sutilezas do roteiro. A versão francesa não tem os vícios da indústria cinematográfica americana atual, que acredita que tudo deva ser esclarecido ao público.
A versão americana é fraca, o filme não convence, o roteiro é mal amarrado, o elenco está totalmente apático e o final é sem pé nem cabeça. Talvez funcionasse melhor se Jude Law estivesse no papel de Ripley, ao invés de Matt Damon. Mas ainda assim, seria difícil contornar as inconsistências da narrativa. A fotografia pode até ser melhor, assim como a trilha sonora (apesar da assinatura de Nino Rotta na versão francesa, o tom jazzístico da versão americana cabe feito uma luva). Contudo, não é suficiente para tornar o filme apenas “assistível”.
Totalmente amoral, Ripley é um jovem com a capacidade inata de mimetizar a personalidade de outra pessoa. Imita com excelência a voz, a entonação, os maneirismos, os gestos, até a assinatura. Delon está perfeito no papel, atuação impecável. A desenvoltura com que incorpora o personagem de Maurice Ronet, Philippe Greenleaf, é impressionante.
Os diálogos são muito bons. Em certo momento do filme, quando Greenleaf começa a se sentir desconfortável com a presença de Ripley, as conversas entre eles se assemelham a um jogo de gato e rato.
Mas o melhor de tudo é o final do filme. Não sei se é como no livro, mas o desfecho é memorável. Um dos melhores em filmes policiais que já assisti.


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Vida longa e próspera

coded by ctellier | tags: | Posted On domingo, 11 de julho de 2010 at 21:20

meteorologia: dia seco, de novo... muito sol, muito vento
pecado da gula: sorvete de chocolate
teor alcoolico: 2 estrella galicia, 2 smirnoff ice black
audio: nerdcast #216
video: fire within (cirque du soleil)

Star Trek, direção J.J.Abrams

Assumo, não sou trekker. Assisti a vários episódios na minha infância, principalmente das primeiras temporadas. Não sei detalhes que qualquer iniciado tem na ponta da língua, tipo em qual episódio os klingons apareceram pela primeira vez. Mas conheço o suficiente para me divertir identificando citações e frases clássicas nessa nova versão de J.J.Abrams. E há também o elemento cômico, bastante presente na série original, apresentado no filme por gags visuais, algumas excessivas, mas bastante divertidas, apesar de o humor atual diferir bastante (obviamente) do original. Há inclusive referência à “piada interna” de que todo figurante vestindo blusa vermelha acaba mal em algum momento do episódio. Mas a principal diferença entre o filme e a série são as cenas de ação. Adaptando-se ao público atual, habituado a sequências frenéticas, as cenas de ação se sucedem de uma maneira que seria totalmente improvável ocorrer na série.
Para os não iniciados, os que nunca assistiram sequer um episódio (sim, esses seres existem), o filme é bastante didático. Acompanhando os personagens principais, Kirk e Spock, desde a infância até se confrontarem pela primeira vez, mostra como formou-se a tripulação da nave que preencheu a imaginação de muitas crianças da minha geração. E, diferente da série original, a nave parece de verdade mesmo e não um cenário de papelão e isopor. A exclamação de Kirk ao vê-la pela primeira vez é a mesma dos fãs: “Uau!”
O elenco também não faz feio. Conseguem manter-se fiéis à personalidade dos personagens originais. A arrogância de Kirk, a fidelidade de McCoy, a racionalidade de Spock. Aliás, Zachary Quinto é o que mais se destaca, a ponto de o diretor não hesitar em colocá-lo frente a frente com Nimoy, o Spock original. Encarna com perfeição o dilema do personagem, a dicotomia entre a razão e o sentimento por ser meio humano, meio vulcaniano. Ótima atuação. Apesar de eu passar boa parte do filme com a impressão de que a qualquer momento Sylar ergueria o indicador para retirar o escalpo de algum personagem e estudar seu cérebro. Ainda sobre o elenco, achei a atriz que faz a mãe de Spock bastante parecida com Winona Ryder, para descobrir nos créditos que era realmente ela. E Eric Bana está simplesmente irreconhecível como Nero, apesar da atuação caricata (como sempre).
Não é espetacular. Mas é acima da média do festival de remakes e reboots a que temos assistido ultimamente. Diversão garantida.





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Tocaia

coded by ctellier | tags: | Posted On segunda-feira, 21 de junho de 2010 at 21:45

meteorologia: sol novamente
pecado da gula: pizza (de novo)
teor alcoolico: 2 murphy's
audio: add #796
video: high stakes poker

Que o amor nos possuísse no meio de um descampado
num jogo que não tem regra nem pecado

Numa tortura lenta com ritual absoluto
que o amor nos possuísse doce e bruto

Que houvesse fuga e corrida e grito agudo na boca
que a dança fosse selvagem e louca

Com maldade instintiva, guerra de unha e dente
todo impulso desmedido, corpo quente

Depois na hora do cerco, firmes os cinco sentidos
vem o animal e se envolve atraído

Pra que dure mais o jogo, ora foge ora se entrega
se joga, se abre, provoca, depois nega

Cúmplice do adversário, de manso se defendendo
vai pouco a pouco à cilada cedendo

Corpo todo se espalhando no meio do descampado
na luta, quem não domina é dominado

E aí segura a corrente, manseia cavalo bravo
na luta, quem não é senhor é escravo

Chegada a hora da posse, o momento mais violento
novilha presa arqueia sem movimento

No meio do seu combate foi afinal possuída
e geme por essa morte melhor que a vida

Se enrosca sentindo o gosto de ter sido capturada
sabendo que foi vencedora e derrotada

E depois de tudo, resta um cansaço ainda melhor
sorriso dentro do corpo, fora o suor

Que o amor nos possuísse com sensação de perigo
no meio do descampado como a dois inimigos

Bruna Lombardi

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O primo Basílio

coded by ctellier | tags: , | Posted On domingo, 20 de junho de 2010 at 22:26

meteorologia: dia de sol, ótimo pra correr
pecado da gula: pizza
teor alcoolico: abrindo uma absolut citron
audio: meiahora cast



"... tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo condizia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!"

Eça de Queirós, in O primo Basílio

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Sunscreen

coded by ctellier | tags: | Posted On domingo, 13 de junho de 2010 at 22:54

meteorologia: frioooooooooooo
pecado da gula: churrasco
teor alcoolico: caipirinha e cerveja
audio: meiahora cast
video: star wars

Qualquer hora é hora para (re)ver este vídeo.
Esqueçam a versão do Pedro Bial. O original é muuuito melhor.


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